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sábado, 30 de março de 2013

Raul Robles - Um piloto folclórico

Acertou quem identificou no último Desafio - mesmo com a peruca e dentadura - o piloto da cidade de Montenegro, Raul Robles, o "Chileno". A imagem publicada na semana passada era um exemplo do bom humor típico do folclórico piloto, que tinha no automobilismo o seu hobby, procurando acima de tudo se divertir.
 
"Chileno" iniciou sua participação nas corridas na categoria Estreantes, com um Fiat 147 em 1984. Não sei ao certo quando que "subiu" para as outras categorias de turismo, mas lembro que em 1987 participou de algumas provas do Campeonato Regional de Turismo com um Fiat Prêmio. Voltou às pistas na segunda temporada da Copa Fiat de Velocidade, onde participou de algumas provas até o ano de 1992 ou 93.
 
As brincadeiras eram rotina na área de box. Naquela prova em que apareceu com a peruca, em Guaporé, 1991, exatamente às 6 horas da manhã, estourou alguns foguetes para acordar todos que lá estavam. Em seguida, através de um autofalante com música já a mil, começou a chamar a todos para participar da aula de aeróbica que estava iniciando.
 
Numa das provas acabou emprestando seu carro para o piloto Paulo Jacovenko participar da prova de Estreantes, que fazia parte da mesma programação. E não é que seu carro ganhou? "Chileno" se justificava: "o carro só anda bem com estreantes."
 
Em outra ocasião, de última hora, ficou sem parceiro de pilotagem. Para evitar que Robles ficasse de fora da prova (que era obrigatoriamente disputada em duplas), Celso Ferlauto, piloto e organizador do campeonato, se dispôs a participar. Logo em seguida este recebeu um recado: "olha, não acelera muito para não ficar chato para mim".
 
Grande figura.
 
Abaixo um registro do uno #91, também chamado de "ZH Classificados", tal a quantidade de apoiadores que estampavam seus nomes no carro. Na sequência alguns outros que participaram da temporada de 1991.
 







Fonte das imagens: jornal Esporte Motor.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

"Chico Bala" na área

Dia desses o Luiz Carlos Kuenzer, o "Chico Bala", entrou em contato com o blog. "Chico" já foi citado inúmeras vezes aqui nesse espaço, é um personagem que dispensa apresentação.

Me disse ele que toda sua coleção de troféus e fotos foi perdida. Eram 180 e poucos troféus, ele afirma. Ninguém duvida.

Da pouca memória que restou, dos tantos anos de automobilismo, ele me enviou alguns registros de bons momentos na carreira, como as vitórias na Copa Fiat e na TC 1600, sendo que nesta última, venceu após largar da última posição, com o Corsa que era utilizado na Escola de Pilotagem do Professor Quadrado.

Abaixo as imagens. As duas primeiras são de 1997. "Chico" está no lugar mais alto do pódio ao lado do parceiro Ícaro Schons, quando dividiam a pilotagem do Uno #71. Na imagem do pódio aparecem também (da esquerda para direita) Clóvis Groch, Luiz Carlos Ribas, Eduardo Fagundes, Paulo Hoerlle, Antônio Fornari e mais dois pilotos, sendo que um deles acredito ser o Cláudio Salomão. A última imagem é da TC 1600 em 2005, quando correu em dupla com Fabiano Perez.




Valeu, "Chico"! Aqui tu és e sempre serás um grande "bota" e não serás esquecido.

Fonte das imagens: arquivo Luiz Carlos Kuenzer e http://www.inema.com.br/

terça-feira, 14 de abril de 2009

Anor Friedrich - Continuação

Em 1986 Anor Friedrich voltou a competir no Campeonato Regional de Turismo, fazendo dupla com Waldir Buneder em um Passat. Buneder havia iniciado a temporada em dupla com Jorge Fleck, mas este último passou a fazer dupla com Gilberto Hoff. Assim, Anor trouxera o apoio de seus patrocinadores para o Passat #6 possibilitando a conquista de grandes resultados. Entre eles a vitória nas 12 Horas de Tarumã. Buneder também acabou como campeão da temporada.


No ano seguinte, Anor passou a dividir o volante do Passat #12 com Luis Alberto Ribeiro de Castro, o “Castrinho”. Em 1988, o piloto trocou novamente de equipe, competindo com Evaldo Quadrado e Manuel Martins com um Chevette, Luiz Carlos Kuenzer, também com um Chevette e depois com o Uno #70, em dupla com Aroldo Bauermann. Com este carro, Anor voltou a vencer ao disputar os 500 km de Tarumã, última etapa daquela temporada. A parceria ainda renderia outros bons resultados, porém agora em outra competição, o Campeonato Brasileiro de Marcas e Pilotos de 1989.


Depois de 89, Anor ficou um tempo afastado das pistas até retornar em 1993 para disputar a Copa Fiat de Velocidade ao lado do estreante José Becker.


Um novo intervalo, desta vez por mais de dez anos, afastou novamente o piloto do automobilismo. Seu retorno se deu na categoria TC 1600 em 2004, onde fez dupla com Alexandre Buneder, Vanderlei Pires, entre outros.
Não tenho registro da participação dele em outras competições após 2005.



Fonte das imagens: jornal Pit Stop, livro 12 Horas, arquivo Ricardo Trein, revista Quatro Rodas, jornal Esporte Motor, revista Auto Esporte e site Inema.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Chico Bala - Continuação

Em 1990 "Chico Bala" formou dupla com Jair Bernardon em um Voyage e já na prova de abertura em Guaporé eles venceram, ficando na liderança do campeonato por várias provas, mas ao final do campeonato o título acabou escapando. Ainda naquele ano participou da temporada inaugural da Copa Fiat de Velocidade, outra categoria onde acumula uma série de vitórias, poles e voltas mais rápidas.

No ano seguinte, no Marcas e Pilotos, passou a dividir a pilotagem do Voyage com Jorge Fleck e também neste ano conseguiu importantes vitórias. Na Copa Fiat fez dupla com João Sant'Anna. Nas 12 Horas de Tarumã fechou um trio com os irmãos Marcello e Gianfranco Ventre e juntos venceram na categoria Marcas e Pilotos, ficando em quinto lugar no geral.


Entre 1992 e 95 "Chico Bala" manteve a dupla com Gianfranco Ventre no Marcas - eles chegaram a participar de algumas provas locais do Brasileiro de Marcas neste período - e Ícaro Schons na Copa Fiat. Venceu três provas do Torneio de Verão em 92, 93 e 95.

Também em 95 venceu mais uma 12 Horas na categoria Marcas e Pilotos dividindo a pilotagem de um Chevette com João Araújo e André Mello, chegando em terceiro lugar na geral.


Com a estréia da Copa Corsa em vários campeonatos regionais em 1995, foi preparada uma final nacional em Interlagos no término daquele ano. Os melhores classificados dos regionais competiriam entre sí, somando cerca de 80 carros no grid da prova. A competição seria disputada em uma bateria de 45 minutos. "Chico" era um dos representantes da Copa Corsa Gaúcha e conseguira apenas o 53º tempo na tomada classificatória. Correndo pela primeira vez no autódromo paulista, o piloto conseguiu a incrível nona colocação ao final da prova, demonstrando toda a sua habilidade e capacidade de adaptação a um novo circuito.


1997 foi o ano do seu tão esperado título do Gaúcho de Marcas, que foi obtido correndo em dupla com André Busnello em um Corsa preparado pelo competente Jorge Martinewski.


Depois do título participou em algumas provas de longa duração como Brascar e Endurance. Encontrei um registro das 12 Horas de 2003 na qual correu com os parceiros Jair Bernandon e Guilherme Mariath Junior, terminando na sétima posição no geral com um protótipo MCR. Posso estar enganado, mas a última vez que soube da sua participação em provas oficiais foi na categoria TC 1600 em dupla com Fabiano Peres, em 2005.


Gostaria de vê-lo guiando novamente, mas já faz algum tempo que ele só aparece no Tarumã para dar uma olhada. Sua pilotagem vai deixar saudade.

Encerro com uma homenagem do Maurano, que não ficou de fora dessa. Mais um belo trabalho que tem como tema um grande "bota".

Fonte das imagens: jornal Esporte Motor, jornal Zero Hora, jornal Pit Stop, arquivo pessoal e site Inema.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Time campeão

Os anos 90 reservariam para Antônio Miguel Fornari uma série de títulos, sempre ao lado de seu parceiro Paulo Hoerlle, com a preparação do Ivan e o auxílio do mecânico "Baiano" e sempre competindo com um Fiat Uno #99 patrocinado, entre outros, pela Melitta. Isso, sem dúvida, ajudou a estabelecer uma imagem de time campeão e a admiração do público e também dos próprios adversários.

Em 1990, Fornari continuaria participando do Gaúcho e Brasileiro de Marcas. No Gaúcho com "Paulinho", ainda utilizando o Escort e no Brasileiro ainda na Rinaldi Racing, tendo como parceiro o João Campos. Também naquele ano a Copa Fiat de Velocidade estreava no estado. Paulo Hoerlle tratou de preparar um carro e nas primeiras provas competiu sozinho, mas não demorou muito para a parceria Hoerlle - Fornari ser reativada. Para os adversários isso era sinônimo de encrencas. E das grossas.

Não deu outra, o time Fornari + Hoerlles + 99 + Baiano + Melitta faturou o título da Copa Fiat de 1991. Para não deixar dúvidas do potencial daquela parceria que se tornaria histórica, o título de 92 também foi arrebatado. Isso não quer dizer que houve moleza. Pelo contrário. Os adversários eram muito fortes. Nomes como Clóvis Groch, João Campos, Normo e Luiz Chies, Paulo Arias, Eduardo Fagundes e por aí vai, disputavam palmo a palmo cada curva dos circuitos de Tarumã e Guaporé. O time trabalhava muito e isso minimizava as chances de erros. Me lembro em algumas provas naqueles anos, principalmente em Guaporé, quando ficávamos até mais tarde no autódromo, sempre via o "Paulinho", no meio da noite, testando os freios ou algum outro componente na parte de trás dos boxes, enquanto que a maioria das equipes já estava no hotel ou no restaurante. Abaixo três imagens de 1990, 91 e 92.

Ainda em 1991 ocorreu um fato engraçado na carreira de Antônio Fornari. Com as atenções voltadas para a Copa Fiat, a equipe não participou do Gaúcho de Marcas, mas seu irmão, Carlos Alberto, o "Neco" dividia o volante de um Voyage com Carlos Tavares, piloto que fora bi-campeão naquela categoria, anos depois. "Neco", que durante toda sua carreira sempre esteve envolvido com o kart, não poderia participar de uma prova em Tarumã, pois estaria acompanhando alguns pilotos no Campeonato Brasileiro de Kart. Assim, o irmão mais velho assumiu o comando do Voyage #17. E não é que eles venceram aquela prova? Até hoje o piloto "tira um sarro" do irmão mais novo por esse fato.

Para 1993, além de continuar na Copa Fiat, os irmãos Fornari decidiram formar uma dupla no Gaúcho de Marcas com o Escort #35. Era a primeira vez que eles faziam um campeonato inteiro juntos. Em oportunidades anteriores já haviam competido, mas em provas esporádicas como 500 km e 6 Horas, por exemplo.

Nos anos seguintes, participando do Gaúcho de Marcas, conquistou mais três títulos, em 1994, 96 e 98. Também participou na Copa Fiat e na Copa Corsa, que estreou em 1995.

Em 1998 enfrentou uma maratona nas 12 Horas de Tarumã, competindo com um Aldee Spyder em parceria com o irmão "Neco" e Cláudio Ricci. Eles conseguiram o segundo lugar na classificação geral. Além disso, Fornari competiu com o filho Luciano, a bordo de um Voyage (imagem abaixo)da classe Turismo.

A partir daquele ano, os protótipos começaram a fazer parte da rotina da dupla Hoerlle/Fornari, tendo eles participado de competições como Gaúcho de Endurance, Brascar, 12 Horas de Tarumã, etc. Em 2002 a dupla e os pilotos Vitor Hugo Ribeiro de Castro e Rafael Mocelin, pilotando um MCR, conquistaram o segundo lugar na geral e a vitória na Classe B. O troféu Fita Azul batia na trave por detalhes e não demorou muito para o tão sonhado dia chegar.

Foi em 2002, contando ainda com a participação dos irmãos Luis Alberto e Vitor Hugo Castro, Hoerlle e Fornari venceram as 12 Horas de Tarumã na classificação geral, deixando para trás 45 carros. 40 anos antes, o pai de Antônio Fornari, Breno, realizara o mesmo feito, vencendo as primeiras 12 Horas de Porto Alegre com um Simca, em dupla com Afonso Hoch. A vitória em 2002 talvez tenha sido um dos momentos mais emocionantes da carreira de Fornari. De lá para cá, o piloto tem participado basicamente das 12 Horas de Tarumã.


E em 2008? Será que a dupla Hoerlle/Fornari estará mais uma vez reunida para levar o #99 a mais uma vitória? Suspeito que essa seja a última participação de Hoerlle nas pistas. Não sei quanto ao Fornari. Tomara que eu esteja errado.

Agradeço a atenção do "Neni" para ajudar a registrar essas histórias aqui. Sem ele, seria muito difícil conseguir essas imagens tão boas que ajudaram a preservar um trecho muito especial da memória do automobilismo gaúcho.

Valeu, "Neni"!

Fonte das imagens: arquivo Antônio Fornari, jornal Zero Hora, site Inema e arquivo pessoal.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

João Campos

Com a conquista do Campeonato Regional de Turismo em 1989, João Campos decidiu por alçar um vôo mais alto. Com a ajuda de seus patrocinadores, juntou-se a Evaldo Quadrado para participar do Campeonato Brasileiro de Marcas em 1990. O carro seria o Chevette, uma aposta da equipe gaúcha frente à maioria dos carros da Volkswagem, mas as regras haviam mudado muito desde o último ano, quando o mesmo Chevette chegou a ter algum sucesso. O projeto de Campos foi revisto, após a participação em algumas provas, e no meio do campeonato, ele migraria para a equipe Rinaldi Racing, onde faria dupla com outro fera, Antônio Miguel Fornari.

Em 1991 João retornaria ao Rio Grande para participar da Copa Fiat, categoria que estava no seu segundo ano, mas já fazia um grande sucesso por essas bandas. Ao lado de Clóvis Groch, campeão da temporada anterior, formou uma das duplas mais fortes, conquistando o vice-campeonato ao final do ano.

A Stock Car nacional era o objetivo do piloto desde o seu título na categoria regional em 1981. Seus planos para participar do Brasileiro de 82 não se concretizaram, mas aquele objetivo não fora esquecido e 10 anos depois, lá estava o "Pequeno Polegar" acelerando ao lado de Ingo Hoffmann, Angelo Giombelli, Paulo de Tarso entre outros. João correu algumas provas do campeonato de 92 sozinho e em outras com o paulista Leandro de Almeida. Ao término do campeonato, o gaúcho foi o quarto melhor na tabela. Em 93 foi o quinto colocado no campeonato, mesma colocação obtida em 94.

João competiu na Stock Car até 1996 quando então passou para a Fórmula Palio, sendo o sexto naquele ano, o quinto em 97 e o quarto em 98.

O sonho do título nacional estava sempre muito próximo e foi a partir da sua transferência para a recém criada Pickup Racing (2001) que o mesmo viraria realidade. O que ninguém esperava - nem ele - era o incrível domínio naquele ano. João entrou para a história da categoria por ter conquistado o Campeonato Brasileiro, vencendo todas as 16 baterias realizadas. Como se não bastasse, o piloto de Farroupilha não deu mole para ninguém também em 2002, 2003, 2004 e 2005, vencendo todos os campeonatos que disputou.

A última participação de João nas pistas, que tenho notícia, aconteceu em 2006 quando participou da Super Clio, conseguindo alguns bons resultados. Já não precisava provar mais nada para ninguém. Seu nome já estava na galeria dos campeões do automobilismo brasileiro.

Abaixo mais algumas imagens da carreira de João Campos:


Termina aqui mais uma retrospectiva de um dos nossos grandes pilotos gaúchos. Espero que tenham gostado.

Fonte das imagens: http://www.inema.com.br/, http://www.motoronline.com.br/, arquivo Luiz Fernando Silva, jornal Esporte Motor, revista Auto Esporte e jornal Zero Hora.