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sábado, 5 de janeiro de 2013

A primeira de Guaporé

O e-mail chegou assim: Sanco, bota no teu arquivo aí, que uma hora pode ser útil. Escanearam umas fotos que tínhamos num quadro no posto da inauguração do autódromo em 69.

Mal sabia o meu amigo que estava compartilhando um verdadeiro tesouro.

Pois bem, a família do João Bresolin é proprietária de dois postos de combustível lá em Guaporé. Tudo começou com o avô dele, o "Padrinho", como é chamado. Além dos dois postos, que eram Atlantic na época (hoje Ipiranga, um na faixa e outro dentro da cidade), o "Padrinho" era proprietário da Auto Viação Guaporé, que mais tarde foi vendida e hoje é a empresa Bento. Eis que num dos postos, havia o tal quadro com as fotos das inauguração. O João, sabendo do blog, resolveu enviar para dividir com todos.

Ao longo desses pouco mais de cinco anos, foram raras as imagens desse dia 21 de dezembro de 1969. Se não me engano, consegui alguma coisa com o Arnaldo Fossá, o "Janjão" Freire e o Luiz Gustavo Tarragô e nada mais.

A imagem que escolhi para ilustrar o Desafio da Semana, mostrava a preparação do grid de largada da prova principal da programação, as 3 Horas de Guaporé. No #41 aparecia o Fusca do Antônio Monteiro, no #90 o Régis Schuch e no Opala #4 o Aristides Bertuol. A turma foi rápida no gatilho, inclusive o próprio "Nico" Monteiro apareceu confirmando as informações. Ele, que foi o vencedor da prova, também me comentou que o Régis foi provavelmente o segundo colocado com seu Fusca 1900cc.

Disse ele: "o segredo da nossa vitória foi um tanque de 60 litros que permitiu fazer toda a prova sem abastecer, mas também tínhamos um virabrequin roletado, 1800cc fabricado pelo Zé Guedes que era um gênio na mecânica dos VW. Também tínhamos as tampas de cilindro hemisféricas fabricadas pelo Zé. Tínhamos também um ajuste da suspensão perfeita que fazia o Fuca dobrar super bem. Minha vitória foi muito valorizada pela participação do Catharino Andreatta com um Simca muito bem preparado pelo Tergolina em dupla com Luiz Fernando Andreatta (Filho do Júlio). Também o Aristides Bertuol estava com um Opala 3800cc com equipamento EMVEMO que andava uma barbaridade. Na realidade aquele dia foi o meu dia quando tudo deu certo e tivemos uma vitória tranquila mas com muito trabalho!!!"

Grande, "Nico"!

As fotos que publico agora mostram a grande presença do público, a inexistência de boxes, a pouca ou quase nenhuma proteção ao longo da grande reta, enfim, conseguia retratar a realidade do automobilismo na época aqui na região. Realidade que só foi alterada quase um ano após, com a inauguração do Tarumã.

É possível identificar alguns carros, como o Simca #44 que creio eu, era do Antônio Ventre, o Simca #2 do Catharino Andreatta, entre outros.

Aparecem também fotos das provas das classes menores, com Fuscas, Gordinis e DKWs. Numa delas, o Fusca #120 capota no ponto que parece ser a entrada da curva do Radiador. Alguém sabe quem era o piloto? No teto estava escrito Vacaria.

Muito bacana poder publicar e dividir todo esse material com vocês. Guaporé ainda vive e é um autódromo muito apreciado por todos. Obrigado João!























Fonte das imagens: arquivo família Bresolin.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

De volta ao Tarumã


A imagem acima era um indício do que estava para acontecer, poucos dias depois. Tal registro foi feito na garagem do Teodoro, no dia 25/11, durante o último encontro oficial dos Jurássicos em 2010. Acabei falando pouco sobre aquele encontro, que teve na pilotagem da grelha o "bota" Jorge Fleck, preparando uma excelente ovelha para a alegria de todos os presentes. A reunião foi ótima e contou com a presença de vários convidados como o "Castrinho", o Baldino, o Sérgio Pegoraro, entre outros, além de boa parte dos membros efetivos, é claro.


Pois bem, aquela conversa, na qual aparecem o "Carlinhos" e o "Né" Andrade, mais o Soldan, o "Nico" Monteiro e o Giordani, era parte dos acertos que uma experiência muito bacana na qual eles estariam envolvidos dias depois, mais precisamente no último dia 28/11.

Ao longo dos dois últimos anos que tive o prazer de integrar a Confraria, ficou claro o desejo do capo Giordani em pilotar um "auto" novamente. Fosse nas reuniões ou nos e-mails ele sempre era o primeiro a sugerir atividades em pista, algo que pudesse ser feito com segurança, mas com alegria e diversão. Assim surgiu a oportunidade de alguns dos "Jurássicos" pilotarem os Volvos C30 da Eurobike, preparados pela MC Competições, da Família Andrade. Esses carros são utilizados na escola de pilotagem e tem como instrutores, além dos Andrade, o também Jurássico Victor Steyer e o amigo Airton Diehl.

Cinco Jurássicos toparam participar da experiência no Tarumã: Giordani, "Nico" Monteiro, "Chico" Feoli, Paulo Trevisan e Walter Soldan. Infelizmente não pude acompanhá-los, mas na última semana a movimentação de e-mails e fotos foi intensa e muito bacana. A turma ficou super empolgada e certamente uma experiência semelhante deve ocorrer novamente.



O texto com o relato completo do Giordani sobre o evento, além de algumas ótimas fotos, está lá no blog Pilotos Jurássicos Gaúchos. É só clicar no link e conferir.

Pelos comentários dos Jurássicos que pesquei nos e-mails(faltou só o do "Chico")dá para sentir um pouco do que foi aquele dia.

Giordani: "fazia tempo que eu nutria o desejo de voltar a pilotar, ficando a convidar meus amigos a fazerem o mesmo, até que esta oportunidade surgiu e não deixamos fugir; sonhava, me vendo a bordo do meu DKW 88 ou no Corcel 30 com quem partilhei com o Décio Michel diversas corridas, ou ainda Opala 12 e um Maverick, últimas viaturas que pilotei, no final dos anos 70. A pista está muito modificada e muito melhor do aquela que andei a mais de trinta anos passados; tem mais grip, curvas foram alargadas permitindo melhor performance nas mesmas, " as latas" estão mais longe do asfalto, enfim, muito boa mesmo."

Trevisan: "foi divertido, e com certeza cada um de nós estava DESAFIANDO A SÍ PRÓPRIO. Esses quatro outros pilotos estão na minha lista de ídolos e cada um a seu tempo e categoria...Como é bom observar o traçado e pontos de frenagem desse gênio da pilotagem que é um Soldan! Como é bom ficar algumas voltas na sua frente(ele saia depois de mim do box, é claro) e ver onde ele vai dar o bote. Como é bom até ser ultrapassado pelo Soldan! Como é bom a gente fazer tempos finais na pista com diferenças de centésimos dele e do Feoli, que para mim foi a maior surpresa do dia pelo tempo de inatividade.Tenho certeza que nesses carros e com grande nºde voltas tirariam um boqueirão pela absurda regularidade."

Soldan: "a pista está ótima e os carros excelentes. A técnica de limitar as rotações permitiu aos velhos pilotos uma adaptação gradual e constante. O Bob Giordani se estabeleceu como o piloto mais velho até o momento que participou do projeto. Todos estranharam muito a tração dianteira e, principalmente, o tempo de “desuso”. Explico melhor. Todos andaram no passado em carros com tração traseira, exceção feita ao Bob Giordani que pilotava carros com tração dianteira, um DKW a mais de 30 anos atrás. Quem mais tinha experiência em tração dianteira era eu e, além disto, havia pilotado mais recentemente, coisa de 8 ou 10 anos atrás. Em função disto me adaptei mais rapidamente. Entretanto, exibido que sou, quase amassei o carro no Laço. A rodada foi tão ridícula que o Nério perguntou quem era o “morto” que pilotava o Volvo #6."

"Nico": "quando liguei aquele motorzão parecia que meu coração ia saltar pela boca. Engatei a primeira e sai devagar dos boxes quando vi já estava na curva do Laço. Senti uma grande diferença, pois até Domingo (28/11/2010) eu só havia pilotado carros com tração traseira. Fiz a 9 em quarta marcha, mas logo chegava a 4000 RPM e tinha que colocar a quinta. Cheguei rápido na curva 1 que foi alargada e fiz o mergulho em quinta, mas não estava sentindo o carro na mão...Na terceira bateria eu já estava sentindo o carro mais na mão e consegui então uma pilotagem tranquila sentindo um imenso prazer. Depois de mais de 30 anos sem pilotar estava de volta em Tarumã pilotando um carro maravilhoso, dócil, com as reações previsíveis e fácil de pilotar. A experiência foi maravilhosa que espero repetir em breve."

Muito bacana a ideia. Todos os cinco destacaram o alto grau de profissionalismo da Eurobike, da MC Competições e de seus integrantes ao longo de todas as atividades, fosse nas instruções teóricas ou mesmo na pista, portanto parabéns à Eurobike, MC e aos Jurássicos que pisaram fundo nessa ideia. Que venha a próxima!

Fonte das imagens: arquivo pessoal e arquivo Jurássicos.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Quebrou o reboque

Retomando, aos poucos, depois de um final de semana de muita atividade (fora do blog...).

Recebo entusiasmado e-mail do amigo Jurássico "Nico" Monteiro, após receber outro do também amigo Jurássico Paulo Trevisan: Sanco, estou enviando uma "preciosidade" que o Paulo Trevisan mandou via e-mail. Esta foto é da minha chegada a Tarumã, rodando com o AC, pois o reboque tinha quebrado naquela tarde!!! O Paulo informou que o registro foi feito com uma maquininha Kodak Rio 400. Demais.


Na sequência, veio mais uma mostrando o alinhamento para o desfile de inauguração do Tarumã, com os carros posicionados na curva 8. Lembro de ter visto uma imagem semelhante, que me fora enviada pelo Mário Estivalet. Aparece o AC #41 do "Nico" e muitos outros. Vejam esses carros e tentem identificá-los. Só mesmo vindo do baú do Paulo. Sensacional.


Fonte das imagens: arquivo Paulo Trevisan, cortesia de "Nico" Monteiro.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Virabrequim roletado

Ao final de 1969, o #41 do "Nico" Monteiro já era visto como um sério adversário, onde quer que fosse. Vice campeão em sua classe e acumulando várias vitórias, as expectativas para 1970 eram as melhores.

Já acostumado com as provas em Santa Catarina, enquanto aguardava a conclusão do Autódromo de Tarumã, a prova 400 km de Joaçaba foi o primeiro desafio de 1970, no mês de Maio. "Nico" teve o piloto Vlademir Soares, o "Vova", como dupla e o resultado refletiu a força do #41. "Nico" e "Vova" concluíram a prova na primeira colocação no geral. A imagem abaixo mostra o #41 e o #47 da dupla Antônio "Janjão" Freire e Fernando Esbroglio. "Nico" lembra da prova como um "corridão", onde deixaram para trás até os Opalas da Envemo.



Para a tão esperada inauguração do Tarumã, "Nico" inscreveu um protótipo AC com motor Puma 1800 cc com virabrequim roletado feito pelo preparador "Zé" Guedes. O carro participaria da prova principal, junto das feras brasileiras do momento, como o Bino, o Fúria, o Opala #84, entre outros. Nos treinos obteve o sexto tempo na classificação com 1min26s7. O pole position, o Bino de Luiz Pereira Bueno, fizera 1min18s2. "Nico" lembra que ficou entre os ponteiros por bastante tempo. Quando faltavam umas dez voltas para o final o Pedro Victor De Lamare com Opala e Camilo Christófaro com a Carreteira Corvete o ultrapassaram, mas mesmo assim ainda ficou em sexto lugar, sendo o melhor gaúcho classificado.


Aquela foi a única participação do piloto com o AC. Eu pedi a ele para buscar mais informações sobre o carro, devido ao grande interesse que há em saber mais sobre ele, e também para onde foi. Ele ficou de ver o que consegue.

A partir da inauguração do Tarumã, "Nico" correu boa parte das provas longas disputadas no circuito como 500 km e 12 Horas, até o ano de 1975. A imagem abaixo, de 1971, mostra o Fusca #26 bordô do "Bocão" Pegoraro, sendo que este correu numa prova de Estreantes e "Nico", com o mesmo carro, na prova para graduados.


Abaixo dois momentos em 12 Horas, sendo o primeiro em 1971, na chegada do Laço, em meio ao Fusca #62 do Rejany Franzen e do Simca #51 do "Beto" Kuenzer. O segundo é do final da prova de 1972. "Nico" aparece com o primo "Neco" Torres e ambos abraçam o Vilmar Azevedo.



"Nico" também lembra de outros companheiros com os quais pilotou, tais como Cláudio Mello, Nelson Barro, Rejany Franzen, Emílio Boeckel, Fernando Moser, Vilmar Azevedo, Raffaele Rosito, entre outros.

Esse foi um breve resumo da trajetória nas pistas do novo Jurássico. Certamente a história do "Fuca barulhento" foi uma das melhores já registradas aqui. Espero encontrá-lo em breve para ouvir mais algumas.

Valeu, "Nico"!

Fonte das imagens: aquivos Antônio Monteiro, Roger Franzen, Antônio Freire, Cezar Pegoraro e revista Auto Esporte.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Falando nele...

Ontem, durante retrospectiva do "Nico" Monteiro, lembramos da prova dos Estreantes em 1968, na cidade de Rio Grande, que foi vencida pelo Orlando Mueller. Daí lembrei que o amigo, e também Jurássico, Eurico Estima havia me enviado um retrato do irmão do Cláudio, na referida prova. Não sei exatamente a fonte, mas segue o registro. Pelo que o "Nico" falou, o Fusca do Orlando também era preparado pelo "Zé" Guedes.

Valeu, Eurico!


Fonte da imagem: arquivo Eurico Estima.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Nico Monteiro

Passada a estreia de "Nico" Monteiro no automobilismo, contada no último sábado, o objetivo então era a obtenção da carteira de piloto oficial de competição (POC) para permitir participar das 12 Horas de Porto Alegre de 1968. Entretanto "Nico" precisava correr mais uma prova de Estreantes e lá foi ele para Rio Grande, participar das 3 Horas de Estreantes, disputada em Novembro. O "Zé" Guedes, amigo e mecânico, preparou um motor 1600 cc sensacional, porém, em função do aumento dos giros do motor a correia da ventoinha não aguentava e saltava fora. A vitória nessa prova ficou com o Orlando Mueller, irmão do Cláudio Mueller. Leonel Friedrich chegou em segundo e "Nico" em terceiro. Todos com carros preparados pelo "Zé" Guedes.

A imagem abaixo mostra alguns pilotos participantes daquela prova. De costas está Leonel Friedrich e na direita, sentados no cordão da calçada estão Mallet, "Nico", "Zé" Guedes, Orlando e Cláudio Mueller.


Com a carteira de POC na mão, "Nico" partiu para sua primeira 12 Horas, a última prova disputada nas ruas de Porto Alegre, em Dezembro de 1968. Tendo Leonel como parceiro, o quinto lugar na categoria B e o 13º na geral foi uma ótima estreia. As imagens abaixo mostram a comemoração de "Nico" junto ao preparador "Zé" Guedes logo após o término da prova e a entrega do troféu pelo quinto lugar.



O ano seguinte foi bastante movimentado para o jovem piloto. Em Abril, mantendo a dupla com Leonel, obteve a vitória na III 4 Horas de Florianópolis, conforme já contado no último sábado. Em Julho, "Nico" conquistava mais uma vitória, agora na prova de inauguração da Rodovia Presidente Kennedy entre Lageado e São José do Herval (ida e volta) chegando à frente de Vitório Andreatta, com um Corcel. Na continuação do Campeonato Gaúcho a prova de Cachoeira do Sul e Rio Pardo (ida e volta), disputada em Agosto, "Nico" obteve um segundo lugar.

De volta à Florianópolis, em Setembro, para as IV 4 Horas de Florianópolis, competiu com o primo Rogério Monteiro e a dupla chegou em quinto lugar na geral. Em Outubro foi a vez da prova Vale do Rio das Antas entre Veranópolis e Bento Gonçalves. "Nico" furou o pneu no final da prova e terminou em segundo lugar.

A última prova do Campeonato Gaúcho foi o Circuito Encosta da Serra, em Novembro. "Nico" lembra que foi uma corrida incrível. "A Saboneteira 1600 branca estava tinindo com caixa 1 da Puma, comando P3 e carburação Webber 48 duplos. Na ida de São Francisco de Paula para Vista Alegre foi tranquilo. Vim na frente todo tempo com cerca de três minutos de vantagem para o Giliat Oliveira, só que ao receber a bandeirada em primeiro o motor fundiu então não pude voltar. Assim perdi o campeonato para o Aldo Costa e fiquei com o vice na Classe 1301 a 1600 cc."




De acordo com "Nico" a vitória mais importante foi em Dezembro daquele ano, na prova inaugural do Autódromo de Guaporé, ganhando das feras da época, Catharino Andreatta e Breno Fornari, duas lendas do nosso automobilismo. Infelizmente não há registros dos resultados. Ao menos publicado na internet e nos livros. Vários pilotos com os quais já tive contato e que estiveram naquela ocasião como Ricardo Trein, Arnaldo Fossá, "Janjão" Freire e Luiz Gustavo Oliveira também não os tem. Mesmo assim, "Nico" guarda a fotografia da entrega do troféu de vencedor das 3 Horas. Encontrei um registro da largada, nos arquivos do "Janjão" no qual é possível ver o Fusca tomando a dianteira dos Simcas, o Opala do Bertuol, entre outros.



Amanhã a continuação da trajetória do "Nico" Monteiro nas competições.

Antes de encerrar, observei que tanto a Saboneteira do "Nico" na Encosta da Serra, quanto os Fuscas do "Janjão" (#47) e do Rosemberg (#71), que aparecem na largada da prova de Guaporé, tinham um "M" no vidro traseiro. Alguém sabe o que significava?

Fonte das imagens: arquivo Antônio Monteiro e Antônio Freire.

sábado, 7 de agosto de 2010

O Fuca "barulhento"

O último Desafio foi fácil. A intenção não era dificultar e sim dividir aquele belo registro enviado por seu protagonista. Antônio Carlos Monteiro, ou simplesmente "Nico", uma das mais bonitas imagens - na minha opinião - já publicadas aqui no blog. A mesma foi feita no dia 20 de Abril de 1969, durante a realização da III 4 Horas de Florianópolis. "Nico" ia a bordo do Fusca #41, com o qual fazia dupla com o Leonel Friedrich. Logo atrás aparecia o #71, acredito que do Moacir Rosemberg. "Nico" lembra que fizeram um corridão, vencendo a prova de ponta a ponta.





"Nico" Monteiro, o mais novo Jurássico, traz no currículo importantes feitos, tendo se destacado em provas históricas como as inaugurações dos autódromos de Guaporé e Tarumã. Vamos falar mais sobre isso em breve, antes eu tenho que dividir com vocês uma história muito boa e curiosa, escrita pelo próprio piloto, sobre sua primeira vez no automobilismo. É sensacional.

"Foi em Pelotas no ano de 1966 naquele circuito misto Terra-Asfalto. Minha Mãe tinha um Fuquinha 1966 muito inteiro e conservado. Fiquei sabendo da corrida durante a semana, então falei que iria passar o dia de domingo em Guaíba, no sítio de um amigo. No sábado à tarde fui na oficina de um amigo, o Helinho no Menino Deus, para "preparar" o Fuca. Trocamos velas, platinados, regulamos válvulas e colocamos os famosos canos retos cruzados feitos no Boró (especilista em escapamentos que tinha uma oficina na Santana, próximo aos Amortecedores Pampa, do Ibraim). Tive que chegar em casa à noite, pois não poderia colocar o Fuca na garagem. Eu morava na Rua Oscar Miranda, 117 e havia uma rampa na garagem e não poderia ligar o Fuca, pois o barulho acordaria todo bairro.

Caí da cama às 5 horas da manhã. Empurrei o Fuca lomba abaixo e só fiz o motor funcionar lá no Caracol!!!! Fui buscar em casa meus parceiros de aventura: Érico Sommer, "Toni" Dariano e meu mecânico Helinho e fomos para Pelotas. Chegamos mais ou menos às 8 horas da manhã e enquanto o pessoal pintava o número no Fuca fui fazer o exame médico para poder correr.

A corrida iniciou às 10 horas da manhã a experiência foi inesquecível. Após a largada os DKWs foram para frente, mas os Fuquinhas não estavam longe. Antes de completar a primeira volta entramos na "poeira". Foi um horror, não se enxergava nada. Voo cego!!!! A experiência foi incrível e fiquei em terceiro lugar, inclusive, além da taça, ganhei um cheque que foi trocado em um posto de gasolina para pagar nosso almoço e a gasolina para a volta à Porto Alegre.

Voltamos à tarde e fomos direto para a oficina lavar o Fuca, pois minha mãe iria na Missa das 18 horas na Igreja São Manoel. Como não deu tempo de retirar os "canos retos" ela foi a Missa assim mesmo, reclamando que o Fuca estava muito "barulhento".

Na segunda feira meu Pai chegou em casa na hora do almoço com a saudosa Folha Esportiva embaixo do braço e perguntando como estava o "churrasco no sítio do meu amigo em Guaíba". Comecei a rir e a partir daquele momento ele sempre me deu força e apoio nas Corridas!!!!"


Imaginem isso nos dias de hoje...

Legal, "Nico". Seja bem vindo aos Jurássicos, ao blog e em breve continuo com tua retrospectiva.

Fonte das imagens: arquivo Antônio Monteiro.