sábado, 7 de agosto de 2010

O Fuca "barulhento"

O último Desafio foi fácil. A intenção não era dificultar e sim dividir aquele belo registro enviado por seu protagonista. Antônio Carlos Monteiro, ou simplesmente "Nico", uma das mais bonitas imagens - na minha opinião - já publicadas aqui no blog. A mesma foi feita no dia 20 de Abril de 1969, durante a realização da III 4 Horas de Florianópolis. "Nico" ia a bordo do Fusca #41, com o qual fazia dupla com o Leonel Friedrich. Logo atrás aparecia o #71, acredito que do Moacir Rosemberg. "Nico" lembra que fizeram um corridão, vencendo a prova de ponta a ponta.





"Nico" Monteiro, o mais novo Jurássico, traz no currículo importantes feitos, tendo se destacado em provas históricas como as inaugurações dos autódromos de Guaporé e Tarumã. Vamos falar mais sobre isso em breve, antes eu tenho que dividir com vocês uma história muito boa e curiosa, escrita pelo próprio piloto, sobre sua primeira vez no automobilismo. É sensacional.

"Foi em Pelotas no ano de 1966 naquele circuito misto Terra-Asfalto. Minha Mãe tinha um Fuquinha 1966 muito inteiro e conservado. Fiquei sabendo da corrida durante a semana, então falei que iria passar o dia de domingo em Guaíba, no sítio de um amigo. No sábado à tarde fui na oficina de um amigo, o Helinho no Menino Deus, para "preparar" o Fuca. Trocamos velas, platinados, regulamos válvulas e colocamos os famosos canos retos cruzados feitos no Boró (especilista em escapamentos que tinha uma oficina na Santana, próximo aos Amortecedores Pampa, do Ibraim). Tive que chegar em casa à noite, pois não poderia colocar o Fuca na garagem. Eu morava na Rua Oscar Miranda, 117 e havia uma rampa na garagem e não poderia ligar o Fuca, pois o barulho acordaria todo bairro.

Caí da cama às 5 horas da manhã. Empurrei o Fuca lomba abaixo e só fiz o motor funcionar lá no Caracol!!!! Fui buscar em casa meus parceiros de aventura: Érico Sommer, "Toni" Dariano e meu mecânico Helinho e fomos para Pelotas. Chegamos mais ou menos às 8 horas da manhã e enquanto o pessoal pintava o número no Fuca fui fazer o exame médico para poder correr.

A corrida iniciou às 10 horas da manhã a experiência foi inesquecível. Após a largada os DKWs foram para frente, mas os Fuquinhas não estavam longe. Antes de completar a primeira volta entramos na "poeira". Foi um horror, não se enxergava nada. Voo cego!!!! A experiência foi incrível e fiquei em terceiro lugar, inclusive, além da taça, ganhei um cheque que foi trocado em um posto de gasolina para pagar nosso almoço e a gasolina para a volta à Porto Alegre.

Voltamos à tarde e fomos direto para a oficina lavar o Fuca, pois minha mãe iria na Missa das 18 horas na Igreja São Manoel. Como não deu tempo de retirar os "canos retos" ela foi a Missa assim mesmo, reclamando que o Fuca estava muito "barulhento".

Na segunda feira meu Pai chegou em casa na hora do almoço com a saudosa Folha Esportiva embaixo do braço e perguntando como estava o "churrasco no sítio do meu amigo em Guaíba". Comecei a rir e a partir daquele momento ele sempre me deu força e apoio nas Corridas!!!!"


Imaginem isso nos dias de hoje...

Legal, "Nico". Seja bem vindo aos Jurássicos, ao blog e em breve continuo com tua retrospectiva.

Fonte das imagens: arquivo Antônio Monteiro.

9 comentários:

Francis Henrique Trennepohl disse...

Sensacional a história! Queria que me ai também me desse uma força, mas pra ele Automobilismo é bobagem e coisa de milionário...
Abraço

Anônimo disse...

Que História Incrível imagina hoje em dia como seria!!! Estes Pilotos Incríveis com suas Máquinas Maravilhosas que ajudaram escrever a História do Automobilismo Gaúcho. Parabens Sanco e um Abraço ao Nico Monteiro

Julio Cesar da Cunha

Anônimo disse...

Muito boa esta história da primeira Corrida jamais será esquecida tomara que venham outras histórias tão boas como esta.Não achei o nome do Nico Monteiro na relação dos Pilotos Gaúchos.Quantas Provas êle correu e venceu.Abraço Cesar Mariano.

Roberto Giordani disse...

Oi Nico, Oi Sanco!
Fantástica história do Nico, o mais novo Jurássico efetivo; mas era assim mesmo; O Paulinho Pacheco Prates fez o mesmo com a "fusqueta" da mãe dele( Da. Irma)e foi correr em Lages com o Mario Katz. A maior parte dos pilotos daquela época tiveram que "inventar" soluções para poderem correr.
Quanto a esta pista de Florianópolis( era no Continente), ela era ao lado esquerdo da BR-101 no rumo Sul-Norte, mais ou menos na altura onde hoje inicia a Via Expressa( São José) para entrar em Florianópolis.
O Chico e eu também estávamos lá( vide 1ª foto o DKW 99)A Categoria ganhamos muito bem, e acredito que tenhamos chegado em 2º ou 3º na Geral.
Sanco: acredito que está na hora de publicarmos a história do Buick; o que achas?
Um grande abraço a todos.
Roberto Giordani.

Leandro Sanco disse...

Giordani,

Essas histórias, o que a turma da tua época fazia para participar das competições, são sempre curiosas e divertidas. Certamente a do Buick não será diferente.

Fico no teu aguardo. Vamos fazer um post especial com ela.

Grande abraço e feliz dia dos pais a todos.

Sanco

Anônimo disse...

Uma vez vi um protótipo AC-Puma Vermelho, que era de propriedade do Nico. Só vi ele em uma corrida em Tarumã, depois vi em uma esposição em Novo Hamburgo. Será que ele sabe onde foi parar ?
Abraço.
Pedrão - SMO/SC

Tanise Monteiro Rebello disse...

Que história ótima! Imaginem que tudo isto ocorreu com meu primo irmão e eu ainda não sabia... Mas tem tudo a ver com ele! Nico sempre foi muito determinado! Adorei conhecer um pouquinho de sua trajetória no automobilismo gaúcho! Um grande abraço, primo!

Tanise Monteiro Rebello

Jaide disse...

nunca imaginei, que o nico monteiro tivesse participado de corrida de automovel, será que ele correu com carreteiras tambem, com o catarina ou vitório, quando passava por Cachoeirinha. Um abraço no nico, grande figura!!!
Jaide Kindermann

Moacir Rosemberg disse...

Meus Amigos
A dupla que pilotava o 71 na pista, na verdade dentro de um loteamento. Era o Antonio Joao Freire, mais conhecido por Janjao e eu. Minha mae e a do Janjao tinham fuscas brancos, entao uma pensava que iamos correr com o carro da outra. Abraços/Moacir