
O primeiro capítulo já está no YouTube, dividido em três partes. Aqui, aqui e aqui. Vale a pena, por exemplo, para quem nunca ouviu falar de um grande e pioneiro piloto gaúcho: Norberto Jung.


Abaixo "Bocão" acelera o mesmo carro na prova do Rio de Janeiro.
"Bocão" permaneceu na equipe Localiza durante boa parte do campeonato de 1985 até que surgiu a oportunidade de fazer dupla com Renato Conill no Uno #48. Conill já havia corrido aquela temporada com vários pilotos, entre eles Cláudio Mueller, Victor Steyer, Vinícius Pimentel e Pedro Grendene.
Era chegada a hora de descer até Tarumã para a disputa da 8ª etapa do campeonato no dia 13 de Outubro, denominada "500 Quilômetros". 29 carros estavam inscritos e todos sabiam que dificilmente um Gol ou Escort não sairia de Viamão como vencedor, afinal, das sete provas disputadas até alí, o Gol contabilizava três vitórias enquanto que o Escort quatro. As chances da Fiat eram pequenas, como já se imaginava.
A pole position ficou com o Escort #45 dos gaúchos Ronaldo Ely e Egon Herzfeldt com o tempo de 1min18s34. Dada a largada, Ely disparou na ponta e lá se manteve até os 41 minutos de prova quando para a surpresa de todos, parou no final da reta com a engrenagem do distribuidor quebrada. A liderança ficou com "Bocão" que fizera uma excelente largada, saindo da 9ª posição até alcançar o 2º lugar. A partir daí o Uno #48 comandou a prova com outro Uno na sua cola, o #38 dos mineiros José Junqueira e Vinícius Pimentel, para desespero do chefe de competições da Fiat, Mário Fukuda, que fumava um cigarro atrás do outro, torcendo para o término da prova e a dobradinha dos seus carros.
Tudo indicava que o #48 seria o vencedor. Com 2h45min de prova, Conill entrou no box para troca de pilotos, reabastecimento e troca de pneus, devido ao grande desgaste causado também pela alta temperatura daquele dia. O #38 permaneceu na pista por mais 30 minutos e quando entrou, apenas o tanque foi reabastecido, mantendo Pimentel ao volante com os mesmos pneus. A estratégia era arriscada. Pimentel voltou com 30 segundos de vantagem para "Bocão" que vinha num ritmo muito forte, mas não suficiente para ultrapassar Pimentel, que venceu a prova com apenas 6 segundos de diferença para o #48.
Além da dobradinha, a Fiat colocava mais três carros entre os dez primeiros, mostrando que havia acertado a mão e que começava a ameaçar a segunda colocação da Ford no campeonato.
Mas essa não foi a primeira participação de "Bocão" com a Fiat no Brasileiro de Marcas. No ano anterior, 1984, o gaúcho já havia competido ao lado do carioca Jorge Freitas no Oggi #1 da equipe Localiza/Sada, conforme vemos abaixo durante uma prova no Rio de Janeiro.
Anos mais tarde, acho que em 1993, "Bocão" voltou a guiar um Fiat em um Campeonato Brasileiro, ao substituir "Chico" Serra no Uno #1 da equipe Alpi na etapa de Tarumã.
Fonte das imagens: arquivo Cezar Pegoraro e revista Auto Esporte, arquivo Henrique Mércio.









Valeu, "Maneco"! Se alguém der notícia do cavalo eu te aviso!
Fonte das imagens: arquivo Ibraim Gonçalves.

A foto seguinte é de 1973, já sob nossa guarda na oficina do Horst( aquele de boné branco por mentira que possa parecer, sou eu!) onde já aparece a grande asa dianteira inspirada na BMW. Cometemos um pequeno equívoco fazendo redondas as entradas de ar para ventilar os freios. No primeiro treino com a nova frente sentimos uma sensível melhoria no downforce da dianteira e da quantidade de ventos que fluem por baixo da viatura, porém, em meia dúzia de voltas o freio esquentou e acabou, causado pelo nosso erro de fazer as tomadas de forma redonda. Corrigido o problema, voltamos aos treinos e aí sim, tínhamos conseguido com a nova frente, que praticamente evitava as saídas de frente tão características da tração dianteira. O propulsor recebeu comando de válvulas Albert(nome do preparador austríaco do norte daquele país) e uma carburação dupla S.U. de procedência inglesa. Estas modificações tornaram o Corcel imbatível na categoria, a ponto de que nas 12 Horas de 1973, onde avançamos uma barbaridade sob a forte neblina que persistiu até o levantar do sol, a ponto de nos colocarmos na mesma volta, a alguns segundos atrás dos Reginatto que terminaram por vencer na Geral. Teria sido eletrizante a "tocada" final para buscar a vitória na geral, não fosse mais uma vez o azar (acho que sou pé frio em 12 horas, vide 12 Horas de 1968) nos fez sair fora da prova (quebra da trezeta da tração)quando faltavam menos de 2 horas para o final. O carro era quase perfeito!
Em 1974 nos empurraram impiedosamente para a categoria 1600 cc e aí vieram as grandes modificações na foto que o Corcel aparece na chegada da curva do Laço em Tarumã. Foi um absurdo aquela medida, pois o que havia nos Corcéis eram propulsores de tão somente 1340 cc que podiam mal e mal chegar a 1390 cc. Aí surge a genialidade de um grande preparador que é o Horst Dierks: consegue fazer um motor com 1520 cc, ainda longe dos VW e Chevettes 1600, porém com uma robustez impressionante produzida pelas evoluções dos comandos Albert feitas aqui mesmo, com enormes válvulas de admissão e descarga, uma carburação composta de 04 S.U. com coletor multi funcional e o escalonamento total da caixa de câmbio que favorecia as retomadas e a velocidade final. Não esquecer que os câmbios só tinham quatro marchas. Ainda faltava a aerodinâmica e foi aí que a parte frontal da dianteira foi rebaixada a partir do parabrisas dianteiro. Esta foi a evolução em menos de cinco anos de uma viatura vencedora.
Um grande abraço meu caro amigo e companheiro Sanco.
Roberto Giordani."
Excelente o relato de quem acompanhou a história de perto. Observem a riqueza e o detalhe das informações técnicas. Sensacional.
Ah, antes de encerrar, a turma bem observou que a grade dianteira era diferente e o próprio Giordani me informou que era do novo Corcel. Dúvida esclarecida.
Valeu, Giordani!
Fonte das imagens: arquivo Roberto Giordani.


