sábado, 14 de dezembro de 2013

Mandrake

O último Desafio, trouxe uma imagem de um Gordini que já havia aparecido por aqui, quando me foi enviada pelo amigo Paulo Trevisan. Como disse, a sua publicação era proposital, pois a resposta viria acompanhada de muitas histórias.

Aquele Gordini era pilotado por um dos maiores pilotos gaúchos de todos os tempos, vencedor em todas as modalidades nas quais participou como piloto, desde os carrinhos de lomba, passando pelas bicicletas, motos, kart, carros de turismo e monopostos, além, é claro, de suas também consagradas participações como preparador. Estou falando de um ilustre Jurássico, que na última quinta abriu as portas da sua garagem para receber a última festiva do ano da Confraria dos Pilotos Jurássicos Gaúchos: Clóvis de Moraes.
 


Denominar o espaço no qual fomos gentilmente recebidos apenas de "garagem", soa como desprezo. A beleza, a organização e a limpeza do espaço são notáveis logo na entrada. É impossível determinar a quantidade de troféus, medalhas e quadros na parede. Ao correr os olhos na memorabilia percebe-se o que os jornais e as revistas de época registraram: que Clóvis de Moraes foi um grande campeão.

A história de uma vida inteira dedicada às competições está praticamente toda lá. Os registros mais remotos mostram a origem de tudo: os feitos do pai, Adalberto, em atividade desde os anos 30, primórdios das competições no nosso estado. Há vários registros de Clóvis, ainda criança, já sendo iniciado na arte de construir e consertar seus próprios carros. Realmente, como disseram, o fruto não caiu longe do pé. Em local de destaque estava um belíssimo kart de numeral 22, construído pelo próprio Clóvis. Sobre isso há uma história interessante, que o Clóvis me contou dia desses. Estava ele em visita ao Museu do Automobilismo Brasileiro, em Passo Fundo, quando ao chegar na ala reservada aos karts, o "guardião" Paulo Trevisan comentou que de todos os karts que haviam no acervo, apenas um ele não tinha informações sobre a origem e construção. Eis que o Clóvis informa de forma inesperada que aquele chassis havia sido construído por ele...
 

Para cada lado que se olhava, uma história aparecia. Gastei um bom tempo observando as datas dos troféus e placas. Uma miniatura de uma casa, que num primeiro olhar parecia um belo enfeite de Natal, quase passou despercebida. Quando me dei conta, estava frente à recordação ganha no Campeonato Mundial de Kart de 1968, na cidade suíça de Vevey. A princípio nada de mais, porém, poucos sabem ou lembram de que Clóvis realizou um grande feito, sendo o primeiro piloto brasileiro a participar de um Mundial de kart.
 

Bem próximo dali estava um belo troféu que já havia visto em uma fotografia, quando da entrega do troféu de Campeão da temporada 1975 da Fórmula Ford. Mais ao lado, outro maior ainda, ganho com a conquista das 25 Horas de Interlagos ao lado dos irmãos Bird e Nilson Clemente.
 

 
Procurei algo que ilustrasse o ano de 1982 e a temporada como preparador dos irmãos Pegoraro na Hot Car, daqueles inesquecíveis Passats 37 e 38 e encontrei uma placa entregue pela Cautol em reconhecimento pelo trabalho prestado. "Bocão" foi o campeão com o #38 e Sérgio com o #37 foi o vice, determinando o domínio absoluto dos carros de Clóvis. Há também imagens dos carros da Jardim Itália, equipe Gedore, equipe Grendene de Fórmula 2.... soube até - pelo filho Rogério - de que quando Christian Fittipaldi competiu na Fórmula Ford, entre 1987 e 1988, Clóvis foi contratado para cuidar do motor.
 

É impossível registrar tudo o que vimos na noite desta quinta em apenas um post. O tempo que passamos lá foi pouco perto do necessário para apreciar tudo. Como se já não bastasse o encanto do local, a festiva de encerramento deste ano contou com boa parte dos efetivos, bem como alguns amigos da Confraria, num total de cerca de 60 convidados. Além do ótimo papo, num local mais do que apropriado para tal, a gastronomia deu o toque que faltava para fazer daquela, mais uma noite inesquecível.
 
 

 Obrigado, "Mandrake"!

Um comentário:

Carlos Belleza disse...

Querido irmão Leandro Sanco e demais blogueiros!
Como eu disse na minha fala na festiva, eu fiz quinhentos Km para pedir a benção ao "Padre", e mais quinhentos para voltar para o Alegrete. Valeu, e muito! Como escreveu o Sanco, é quase indescritível o que passamos lá!
Vou contar mais uma do Clóvis, e que mostra bastante da sua personalidade: na terceira foto, onde estão os troféus grandes,aparece um pedaço de um bem pequeno, está sobre o pedestal e entre as colunas dourads daquele último, que é o da Texaco, viram? Aquele é o primeiro traféu que o Clóvis ganhou na vida, foi numa corrida de bicicletas! Como eu cheguei cedo, o Clóvis me acompanhou numa volta vendo aquele acêrvo, e aquele pequeno troféu, foi o único que ele me chamou a atenção! Este é o Clóvis de Moraes, o "Padre", o "Mandrake", amigo querido, e é por isto que que eu fui até la para ser abençoado!
Abração.
Catô.