sábado, 18 de agosto de 2007

O Bom e Velho Kart

Quando eu tinha 12 anos, meu padrinho me deu de presente um ciclomotor da Agrale. Era a diversão da família e da rua onde eu morava. A brincadeira durou dois anos, quando conhecí na escola onde estudava, o Dante Moretti Jr, que corria de kart e toda a quinta-feira após a aula ia treinar em Tarumã. Ficamos amigos no primeiro dia de aula e passávamos bom tempo das aulas conversando sobre corridas e desenhando pistas e karts nas últimas páginas dos cadernos. Certo dia ele perguntou se eu não tinha interesse em comprar um chassi Mini 87 que era dele e estava lá na KartSul, oficina do Neco Fornari.

Convencí o meu pai de que seria uma boa idéia, porém faltava a grana. Foi aí que surgiu a idéia de vender a motoca. Meio constrangido, pedí a autorização para o meu padrinho. Ele deu apoio e disse pra ir em frente.
O meu tio, Noel "Paulista" Teixeira - que hoje prepara e pilota carros em algumas categorias aqui no estado - foi decisivo para concretizar o sonho. Ele organizou uma rifa com alguns amigos lá em Gravataí, onde ele tinha uma oficina na época. O prêmio seria a motoca, é claro. Não demorou muito e a grana já estava na mão.

Feliz da vida, fomos lá pegar o kart e partimos para o Tarumã. Os boxes na época, ainda eram na parte interna da pista e me lembro que numa das primeiras vezes que fomos lá, um domingo, havia um monte de gente pra me ajudar, dar dicas e não sei mais o quê. Era muito legal, porém eu ficava muito nervoso com toda aquela expectativa e o tempo não vinha.

O negócio começava a dar resultado mesmo nas quintas, depois das aulas, quando ia com o Dante. Esses dias eram mais calmos e me lembro que por várias vezes éramos só nós e mais um ou dois karts. Quase sempre o Júnior e o "Pequeno", mecas da KartSul estavam por lá acertando o kart do Pedrinho Bartelle, que estreava naquele ano.
A sensação de guiar um kart 125 cm³ era algo incrível. Mesmo não baixando de 38 segundos - naquela época o record da pista era de 34 e alguma coisa, obtido por ninguém menos do que o Ayton Senna, em 1981 - o kart andava muito rápido. Curva 1, "L", primeiro "U", segundo "U", Painel, "S"...era muito legal.
Mas isso não durou muito. Não podia deixar que as notas na escola piorassem por causa do Kart. Resolvi dar um tempo, estudar e depois voltaria.

E lá se vão 15 anos...

Aproveitando o assunto, seguem imagens de kart, sempre em Tarumã: Gérson Morschbarcher #7 e André Steffler #33 em 1985, Marcelo Ventre no #6 e Emanuel Dallegrave no #65 em 1988 e uma prova do campeonato Gaúcho de 1991. Reconheço o #7 do Rodrigo Couto, o #35 do Zeninho Fornari e o #9 do Pedro Bartelle.


O cheiro do óleo 2T queimado, misturado ao combustível era muito marcante. Me lembro como se fosse ontem. Sempre que passo no Kartódromo de Tarumã e tem algum motor 2T na pista eu volto no tempo.

2 comentários:

Arthur disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Arthur disse...

Bah, Sanco, é muito bom ler tudo isso aqui no teu Blog. Comecei no Kart em 90 com 5 anos, nunca mais larguei. O 2t misturado com o álcool é coisa "fora do comum". Todos que conheceram esse cheiro, sem dúvida, viajam no tempo quando o sentem!
Um abraço