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sábado, 7 de janeiro de 2012

A primeira da Divisão 1 em Tarumã

O dia 30 de Setembro de 1973 foi muito aguardado pelos amantes da velocidade no Rio Grande do Sul. A primeira apresentação da Divisão 1 em Tarumã trouxe muitas atrações, como o duelo entre o Ford Maverick V8 (4950 cc) e o Opala 250S (4098 cc), os duelos nas categorias menores com Chevette, Brasília, Fusca, Corcel, Polara, etc e a expectativa em relação à possibilidade de vitória de Clóvis de Moraes, que poucas semanas antes havia conquistado a vitória nas 25 Horas de Interlagos a convite da dupla Bird e Nilson Clemente.

Para a prova gaúcha, denominada 6 Horas de Tarumã - resposta do último Desafio, Bird, além de Clóvis, teria Ismael Chaves Barcellos na pilotagem do Maverick verde e amarelo. Outra força local na classe de maior cilindrada era o Opala de Pedro Carneiro Pereira e José Asmuz.

O Maverick do trio Bird/Clóvis/Ismael, como era esperado, liderou parte da prova, mas acabou tendo problemas, sendo ultrapassado por outro Maverick, o da Hollywood, pilotado por Luiz Pereira Bueno e José Renato Catapani, fazendo assim a dobradinha da Ford. O melhor Opala foi o de Asmuz e "Pedrinho", que concluía sua última prova antes de seu acidente fatal, dias depois.

Abaixo alguns registros da prova mostrando também os vencedores das Classes A, Victor Steyer, Cláudio Mueller e Luigi Smaldido, com Chevette (foto do pódio), o segundo na A, Luiz Gustavo Tarragô de Oliveira, Luiz Carlos Ribas e Vandernei Simões (Corcel #14), os vencedores na B, Breno Job Freire, Jorge Truda e Paulo Nienaber (Dodge #71), além dos Opalas #7 de Jan Balder e Bob Sharp (5º na Classe) e o #22 de "Pedrinho" e Asmuz.






Fonte das imagens: arquivos Luiz Oliveira, Roberto Freire e Enciclopédia do Automóvel.

sábado, 3 de dezembro de 2011

A maior carambola que o Tarumã já viu

A semana foi complicada, por isso a ausência de posts nesses últimos dias, mas vamos em frente.

O último Desafio foi identificado rapidamente. Edson Soares de Brum, o "Tchéia", seguido do "Breninho" Job Freire, ambos com Corcel da Divisão 3. O registro me foi gentilmente enviado pelo filho deste último, o Roberto Freire, junto com algumas preciosidades que serão publicadas muito em breve

A prova em questão também foi identificada pelos Mestres Schütz e Borg, sendo mesmo aquela em que nada menos do que 14 carros se envolveram num grande acidente em Tarumã.

09 de Abril de 1972, etapa de abertura do Campeonato Gaúcho de Viaturas Turismo - Divisão 3. Eram 33 carros alinhados, divididos nas Classes A, B, C e D. Como favorito estava o Opala de Pedro Carneiro Pereira (Classe D), que não decepcionou, vencendo com tranquilidade as duas baterias do dia. Porém, o fato de maior destaque nos jornais da segunda-feira seguinte, foi a segunda delas, que ficou por muito tempo marcada na memória de quem dela participou ou a assistiu.

Foi logo após a largada, entre as curvas 1 e 2, a "Saboneteira" #13 do Élcio Prolo rodou e ficou atravessada na pista. Afonso Iglesias, com o Simca #85, não conseguiu desviar e acertou o carro em cheio. Na sequência vieram Edgar Echel (Fusca), Edson Brum (Corcel), Dino Di Leone (Fusca) e Ênio Guzinski (Fusca). Esses seis foram os mais prejudicados, mas além deles, mais 8 carros também se envolveram na batida.

A Federação Gaúcha de Automobilismo, chegou a cancelar a realização da segunda bateria, transferindo-a para outra data, porém voltou atrás e a prova foi realizada no mesmo dia. Como dito, "Pedrinho" Pereira venceu na Classe D (e na Geral), seguido de Júlio Tedesco. Na Classe A, a vitória ficou com Décio Michel, seguido de Paulo Nienaber e "Breninho" Freire, todos com Corcel. Na Classe B quem se deu melhor foi Lino Reginatto, com Emílio Boeckel e Vitor Mottin na sequência, todos com VW.

Abaixo imagens do Corcel #52, que na verdade era o verdinho #99, chamado de "Pé de Alface", do "Chico" Feoli, do #68 do "Breninho" e por fim mais uma do acidente.

E aí, alguém lembra se essa foi mesmo a maior carambola do Tarumã?




Fonte das imagens: arquivo Roberto Freire, Francisco Feoli e revista Quatro Rodas.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Que Simca era essa?

Ao falar do Breno Job Freire nesses últimos dias, me dei conta de que tinha visto uma Simca #86, parecida com aquela que fora dele, porém andando no Tarumã em 1972. Essa imagem está no livro do Tarumã e consegui identificar o Rejany Franzen (à esquerda) e o Joel Echel (mais atrás).

Como sabemos, "Breninho" aposentou a Simca com a inauguração do autódromo em Viamão. Será que essa aí era a dele? Quem seria o piloto? Como podem ver, quem fazia o carro era o Sady Abê, que corria de Aero Willys.


Aproveitando o assunto do "Breninho", num dos posts sobre ele, o pessoal lembrou da BMW 2002 do "Chico" Landi e do Jan Balder que correu (e venceu) nos 500 km de Porto Alegre em 1968. Olhem só o que o coelhinho da Páscoa trouxe para vocês...


Fonte das imagens: livro Tarumã - Uma História de Velocidade e livro Nos Bastidores do Automobilismo Brasileiro.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A aposentadoria da Simca

Com a inauguração de Tarumã a Simca de Breno Job Freire foi aposentada dando lugar a um Fusca. Com este Fusca, e com a preparação do inseparável e incansável Guime, concluiu a prova da Classe até 1300 cc, no histórico 08 de Novembro de 1970, na 6º colocação à frente de "Janjão" Freire com outro Fusca. "Janjão" ainda lembra da malandragem do "Breninho" sempre que saíam da curva 9: "o carro parecia de dava uns pulos para a frente. Ao final da prova fui perguntar ao Breno como ele fazia aquilo e então ele me contou que pisava e soltava rapidamente a embreagem, fazendo com que o motor aumentasse o giro."

Abaixo o registro daquele dia histórico. Logo atrás do Fusca #68 vai um Gordini, provavelmente do João Roberto Schimidt.


Do Fusca logo passou para o Corcel, na famosa Divisão 3 até 1300 cc . No começo, esta categoria permitia a utilização de componentes importados como comandos de válvulas, pneus, carburação, etc. "Breninho" não queria investir, então o máximo que conseguia era um 4º lugar, equipado com componentes nacionais, inclusive com pneus que eram muito inferiores. Quem não tinha pneus importados não tinha nenhuma chance.

Abaixo um enrosco na curva 2 de Tarumã em 1971 e na sequência uma imagem de 72.



Ainda em 72, Breno correu de "Saboneteira" nas 12 Horas com Élcio Prolo e Antônio Miranda (pai do famoso produtor musical "Gordo Miranda").


Com a mudança de regulamento, a Divisão 3 até 1300 cc passou a ser a sensação dos domingos. Os carros só poderiam ter equipamentos nacionais, então começaram a despontar pilotos que antes não tinham chances como Paulo Hoerlle, Mauricio Rosemberg e o próprio Breno que em 1973 acabou como vice-campeão, mesmo deixando de correr as últimas provas.

O preparador Guime tinha um time e tanto naquele ano. Dêem uma olhada na imagem abaixo.


Da esquerda para a direira: Antônio Miranda, Guime, Paulo Nienaber (Careca), Roberto Souza (sentado), Diamantino Souza (acima), Gê (irmão do Guime), "Breninho" e de bigode, Élcio Prolo.

Com o Corcel #71, "Breninho" proporcionou uma das melhores corridas que foram vistas em Tarumã em 1973: duas baterias eletrizantes com uma disputa entre Breno, Rosemberg e Paulo Hoerlle. Foi "paulera pura" com troca de posições volta a volta nas duas baterias. Breno acabou vencendo a prova.


Abaixo os três carros da mesma equipe, com desenhos iguais, mas com pinturas diferentes. Na ordem estão "Breninho" no #71, Diamantino Souza no #79 e Rui Souza no #75. Na sequência, mais um "pega" na curva 1 de Tarumã.



Foi com um Dodge 1800 cedido pela Chrysler (carro que estava sendo lançado naquele ano) que "Breninho" participou da primeira corrida da Divisão 1 em Tarumã em Setembro de 73, denominada 6 Horas de Tarumã. E o resultado não poderia ter sido melhor. Ao lado de Jorge Truda e Paulo Nienaber, ele venceu a prova na Classe B.

Poucos dias depois mais um desafio para Breno. Ele se juntou com Paulo Nienaber e Diamantino Souza no Corcel #79 nas 12 Horas de 73. O trio concluiu a prova na 10º colocação no geral e provavelmente 2º na categoria. Abaixo o Corcel aparece à esquerda da imagem ao lado do Opala #22 de Pedro Carneiro Pereira.


E foi justamente por causa da morte dos amigos "Pedrinho" e Ivan Iglesias, apenas duas semanas após aquelas 12 Horas que "Breninho" decidiu que era a hora de parar.

A história do Breno Job Freire nas pistas encerrava aí, mas eu tinha comentado no último post que ainda faltava publicar algumas curiosidades sobre aquela prova de Porto Alegre à Capão da Canoa em 68, bem como mais histórias sobre o Tio Guime. Pois vejam esse registro da Folha da Tarde.


Que barato! O Tio Guime era realmente um grande mecânico.

Bom, a homenagem foi curta, mas recheada de boas imagens e histórias. Tudo isso só foi possível graças ao Roberto Freire que nos últimos dias correu para mandar tudo a tempo de organizar e publicar para a apreciação de vocês.

Valeu, Roberto!

Fonte das imagens: arquivo Roberto Freire.

sábado, 4 de abril de 2009

Breninho

Tenho reparado que muitos dos contatos que faço através do Blog são com filhos de pilotos ou ex-pilotos. Como alguns exemplos recentes, cito o Renato Dornelles, filho do Délcio, o Roger Franzen, filho do Rejany, o Cláudio Sinibaldi, filho do José Pedro (a quem estou devendo uma visita), o Marcelo Vieira, filho do preparador Marcos entre outros.

Esse fato é muito interessante e é também uma maneira dos filhos prestarem uma pequena homenagem a eles. O Blog estará sempre à disposição.

Foi há alguns dias que recebi um e-mail de mais um filho, no caso o Roberto "Betinho" Freire, filho do Breno Job Freire, piloto que participou de provas entre 1968 e 73. O "Betinho" enviou um farto material sobre a trajetória do pai. Escolhi uma das imagens e publiquei no último domingo na sessão Desafio da Semana.

A resposta veio rápido. Para minha surpresa, o Paulo Schutz me disse que aquele Corcel #71 foi o primeiro carro de corrida no qual ele andou, indo de carona com o "Breninho" para o Tarumã, no tempo em que os carros de corrida iam para o autódromo andando. Faz muito tempo... Em meio às respostas, algumas palavras sobre o preparador daqueles carros, o Ilson Brigoni, mais conhecido como "Tio Guime", do qual noticiamos seu falecimento há algum tempo. Se vocês, assim como eu, não os conheciam, se preparem, pois a partir de hoje vão saber muito sobre a história deles. História de muita paixão e dedicação.

Breno Job Freire começou tarde no automobilismo. Tinha 36 anos quando participou da primeira prova, a última Antoninho Burlamaqui (Porto Alegre - Capão da Canoa) em 1968. Esta prova foi vencida pelas Belinetas da Willys com Luis Pereira Bueno em primeiro e Bird Clemente em segundo. Breno era estreante mas poucos sabiam. Chegou em Capão da Canoa em 9º lugar na geral e 3º na sua categoria. Correu com um Simca Rally/Tufão M-sul com motor emprestado do Rui Souza. Chegou em Capão em sete cilindros, pois havia caído um cabo de vela. Há ainda algumas curiosidades sobre essa prova que serão publicadas em breve. Abaixo alguns registros da prova, publicados no antigo jornal Folha da Tarde e uma imagem da chegada de Breno em Capão.



Depois vieram os 500Km de Porto Alegre, disputados no circuito da Pedra Redonda, que foram vencidos pela dupla "Chico" Landi e Jan Balder com uma BMW. Vejam alguns folhetos distribuídos aos espectadores. Além da listagem com os inscritos, o desenho do traçado da pista, havia um informativo sobre a construção do autódromo de Tarumã.




Nesta prova Breno bateu em um poste na última volta depois de ter quebrada a barra da direção. Estava em 1º lugar e ainda conseguiu cruzar em 5º, atrás de "Chico" Feoli (DKW). Conseguiu fazer parte de uma foto histórica num pódio que tinha "Chico" Landi, Jan Balder, Vitório Andreatta, Henrique Iwers e "Chico" Feoli. Para ele foi o máximo conseguir aquela façanha em sua terceira corrida, no meio de tantos ícones das corridas. Abaixo algumas imagens da prova.






Para um iniciante, os resultados obtidos até aquele momento, demonstravam as ótimas qualidades de "Breninho" como piloto. Com um carro com um motor forte, preparado pelo Guime, as perspectivas eram as melhores possíveis.
Saberemos mais sobre essa história a partir da próxima segunda.

Antes de encerrar essa primeira parte vejam um registro de uma prova de Arrancada em Novo Hamburgo, em 1969. "Breninho" está recebendo o troféu das mãos do... deixo essa para vocês. Há mais gente conhecida nesta imagem.


Fonte das imagens: arquivo Roberto Freire.