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sábado, 4 de maio de 2013

Prova Automobilística Rodovia Presidente Kennedy

Acertou quem identificou o Fernando Esbroglio pendurado no caminhão que levava o seu Corcel #10 para disputa da prova de inauguração da Rodovia Presidente Kennedy, no dia 27 de Julho de 1969. A prova, que teve o trajeto entre Lageado e São José do Herval, contou com a participação de pilotos do centro do país, como os que compunham a equipe Jolly-Gancia, que apareciam também na mesma imagem. A Alfa GTB #33 foi pilotada por Graziela Fernandes que concluiu a prova na quarta posição na categoria Força Livre.
 
Rogério Koch, que aparecia ao lado de Esbroglio, participou na classe Estreantes de 1201 a 1600 cc,  concluindo a prova em segundo lugar, atrás apenas de Rogério Monteiro, com um Fusca.
 
O vencedor no geral foi Emílio Zambello com uma Alfa GTA, seguido de Raffaele Rosito com outra Alfa GTA e Aristides Bertuol com um Opala 3800 cc.
 
Abaixo a imagem do caminhão mostrando as Alfas, com o Corcel de Esbroglio pegando uma carona e na sequência mais algumas do arquivo do Rogério Koch. 
 






Fonte das imagens: arquivo Rogério Koch.

sábado, 11 de agosto de 2012

Júlio Renner

O último Desafio rendeu boas discussões. Primeiro em relação ao carro e os personagens que apareciam na imagem e depois sobre a realização ou não de provas no sentido inverso de Tarumã.

Pois bem, a imagem do Desafio me foi enviada pela Fernanda Renner, esposa do rapaz que aparecia no lado esquerdo do retrato, o Júlio Renner, proprietário do famoso Fusca #1 no qual dividia a pilotagem com Fernando Esbroglio (dentro do carro), com preparação do Vilmar Azevedo (à direita).

A prova em questão era a segunda etapa do Campeonato Brasileiro de Viaturas Turismo, disputada em Curitiba no dia 3 de junho de 1973. A turma chegou a ficar em dúvida em relação ao local, pois realmente o barranco lembrava um pouco o de Tarumã.

Esbroglio competiu na Classe A e largou na 21º posição entre 26 competidores. Após uma hora de prova, cruzou a linha de chegada na 7º posição, na mesma volta do vencedor. Outros representantes do RS na Classe foram Brasílio Terra, Bruno D'Almeida, Emílio Boeckel e Ricardo Trein.



Sobre as provas disputadas no sentido invertido de Tarumã, aí abaixo estão dois registros encontrados que comprovam a disputa. Conforme bem lembrou o Luiz Fernando Costa, ocorreram três provas nesse sentido, sendo a primeira disputada em 1997. Nesta eu estive presente e estava acompanhando meu tio, Noel "Paulista" Teixeira, que competia na Copa Fiat. As largadas aconteciam na saída da curva do Tala Larga e o grid se acomodava até a curva 8. O ponto mais complicado, ao menos para os Fiats, de traseira leve, era a temida Curva 1. Os carros chegavam em alta velocidade embalados pelo longo trecho de pé no fundo, desde a Curva do Laço. Me lembro que foram várias as rodadas espetaculares na saída da 1, onde os carros iam "sambando" até metade da reta, agora em descida. Um dos protagonistas foi o próprio "Paulista" e o outro o Professor Evaldo Quadrado, que naquele ano acabou conquistando o campeonato em dupla com João Sant'Anna.

Abaixo duas imagens da Speed 1600, creio que de 1998.



Fonte das imagens: arquivos Fernanda Renner, Roberto Schmitz e Arnaldo Fossá.

sábado, 21 de abril de 2012

Mil Milhas 1973

O último Desafio foi fácil e o Paulo Schutz foi rápido na identificação dos carros e pilotos. À frente ia o Fusca #41 da dupla Luís Evandro Águia e Júlio Caio Azevedo Marques e mais atrás o Fusca #11 do Frigo Renner de Fernando Esbroglio e Julio Renner. A imagem era das Mil Milhas de 1973 e foi encontrada nos arquivos do Jan Balder, que também correu naquela prova, em dupla com Bob Sharp, no Opala da Brahma.

Entre os 64 carros inscritos estavam alguns poucos gaúchos. Além de Esbroglio e Renner, também participaram da prova Bruno D'Almeida em dupla com Voltaire Moog, o trio Joel Echel, Raul Machado e Ervino Einsfeld e João Roberto Schmidt, que correu com o paulista Ricardo Di Loreto.

Nos treinos, Bruno conseguiu o segundo melhor tempo entre os carros da Volkswagem, sendo superado apenas por Ingo Hoffmann, que corria com Alex Dias Ribeiro. Na geral, largou em 8º. Esbroglio e Renner largaram da 20ª posição. A chuva que caiu ao longo de todos os treinos prejudicou muito o acerto dos carros. No segundo dia de treinos Renner percebeu que estava com as relações de marcha trocadas e isto o fez perder tempo de adaptação à pista. O próprio Esbroglio lembrou detalhes treinos e da prova: "nossa classificação foi sem conhecer a pista. Era a primeira vez do Julio em Interlagos e eu só havia andado uma volta em 1971. O retão exigia muita atenção, pois quando chegava a velocidade máxima, a porta esquerda se abria sozinha... e não era possível fechá-la antes da Curva 3. O fenômeno era fruto e obra de aliviamento de peso e alguma pressão aerodinâmica que em outros autódromos jamais havíamos experimentado. E assim íamos muito bem, mesmo tendo largado em 20º lugar na Geral. Subimos até os primeiros lugares na categoria (a mais numerosa e disputada na época) até que num turno que pilotava o Julio tivemos uma quebra mecânica que nos retardou e nos colocou de volta neste 19º. lugar."

Aquela foi a segunda prova de Julio Renner após sair da escola de pilotagem. A primeira havia sido duas semanas antes em Rivera, no Uruguai.

Procurando nos arquivos, encontrei alguns registros da participação do trio Joel Echel, Raul Machado e Ervino Einsfeld, além do Opala do Jan Balder.






Fonte das imagens: arquivo Joel Echel e Jan Balder.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Dia do Fusca

No dia do simpático cascudo, ou "azeiterra" com diz o Giordani, escolhi um de seus grandes representantes na história do automobilismo gaúcho: o #1 do Fernando Esbroglio.


Fonte da imagem: arquivo Fernando Esbroglio.

sábado, 17 de dezembro de 2011

Esbroglio e o JK

O Jurássico Fernando Esbroglio duvidou que alguém reconhecesse, mas como a turma aqui não deixa passar nada, matou a charada.

Era mesmo ele, correndo no JK do paulista José Pedro Chateaubriand, na prova de abertura do Campeonato Brasileiro de Turismo, em Tarumã, no dia 18 de Abril de 1971. A prova teve duração de quatro horas e foi vencida por Pedro Victor de Lamare e seu Opala #84. Esbroglio lembra que correram quase toda a prova na liderança da categoria, mas ao final rompeu-se uma junta de borracha da transmissão.

Essa participação dele foi resultado de uma boa ligação que teve com o Chateubriand e seu preparador Giovanni. Este, depois chegou a ser dono de uma Concessionaria Alfa Romeo em SP. O trio voltou a participar junto na Prova Internacional, com um Puma, alí mesmo em Tarumã, no dia 30 de Maio daquele ano.



Fonte das imagens: arquivo Fernando Esbroglio.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

GP Internacional - visto de frente

Lembram daquela foto do grid do GP Internacional de 1971, publicada na semana passada? Pois bem, o Ricardo Cunha mandou o resultado final, somadas as duas baterias.

"O resultado dessa prova foi o seguinte:

1 - José Renato Catapani - Lola T-210
2 - Ruben Alonso - Vounta-Tornado
3 - Pedro Victor De Lamare - Fúria-Chevrolet
4 - Jan Balder - Casari 230
5 - Breno Fornari - Protótipo Regente
6 - José Pedro Chateaubriand/Fernando Esbroglio - Puma GT 2000
7 - Antonio Carlos Avallone - Lola T-70 Mk 3 B
8 - Dino di Leoni - Protótipo Haragano
9 - Jorge Juan Ternengo - Berta- Tornado
10 - Norman Casari - Lola T-70 Mk 3

Não terminaram:

Renato Peixoto - Repe 227
Luís Moura Brito - Manta-Volkswagen
Ricardo Trein - Protótipo DKW

Um abraço,
Ricardo Cunha"

Vejam alguns registros, extraídos do antigo site do Tarumã, tendo origem dos arquivos do Paulo Torino, se não estou enganado.

O Fernando Esbroglio passa por aqui de vez em quando e podia nos relatar como foi a participação dele naquele Puma do Chateau. O "Gordo" chegou em terceiro na segunda bateria.









Fonte das imagens: arquivo Paulo Torino.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Virabrequim roletado

Ao final de 1969, o #41 do "Nico" Monteiro já era visto como um sério adversário, onde quer que fosse. Vice campeão em sua classe e acumulando várias vitórias, as expectativas para 1970 eram as melhores.

Já acostumado com as provas em Santa Catarina, enquanto aguardava a conclusão do Autódromo de Tarumã, a prova 400 km de Joaçaba foi o primeiro desafio de 1970, no mês de Maio. "Nico" teve o piloto Vlademir Soares, o "Vova", como dupla e o resultado refletiu a força do #41. "Nico" e "Vova" concluíram a prova na primeira colocação no geral. A imagem abaixo mostra o #41 e o #47 da dupla Antônio "Janjão" Freire e Fernando Esbroglio. "Nico" lembra da prova como um "corridão", onde deixaram para trás até os Opalas da Envemo.



Para a tão esperada inauguração do Tarumã, "Nico" inscreveu um protótipo AC com motor Puma 1800 cc com virabrequim roletado feito pelo preparador "Zé" Guedes. O carro participaria da prova principal, junto das feras brasileiras do momento, como o Bino, o Fúria, o Opala #84, entre outros. Nos treinos obteve o sexto tempo na classificação com 1min26s7. O pole position, o Bino de Luiz Pereira Bueno, fizera 1min18s2. "Nico" lembra que ficou entre os ponteiros por bastante tempo. Quando faltavam umas dez voltas para o final o Pedro Victor De Lamare com Opala e Camilo Christófaro com a Carreteira Corvete o ultrapassaram, mas mesmo assim ainda ficou em sexto lugar, sendo o melhor gaúcho classificado.


Aquela foi a única participação do piloto com o AC. Eu pedi a ele para buscar mais informações sobre o carro, devido ao grande interesse que há em saber mais sobre ele, e também para onde foi. Ele ficou de ver o que consegue.

A partir da inauguração do Tarumã, "Nico" correu boa parte das provas longas disputadas no circuito como 500 km e 12 Horas, até o ano de 1975. A imagem abaixo, de 1971, mostra o Fusca #26 bordô do "Bocão" Pegoraro, sendo que este correu numa prova de Estreantes e "Nico", com o mesmo carro, na prova para graduados.


Abaixo dois momentos em 12 Horas, sendo o primeiro em 1971, na chegada do Laço, em meio ao Fusca #62 do Rejany Franzen e do Simca #51 do "Beto" Kuenzer. O segundo é do final da prova de 1972. "Nico" aparece com o primo "Neco" Torres e ambos abraçam o Vilmar Azevedo.



"Nico" também lembra de outros companheiros com os quais pilotou, tais como Cláudio Mello, Nelson Barro, Rejany Franzen, Emílio Boeckel, Fernando Moser, Vilmar Azevedo, Raffaele Rosito, entre outros.

Esse foi um breve resumo da trajetória nas pistas do novo Jurássico. Certamente a história do "Fuca barulhento" foi uma das melhores já registradas aqui. Espero encontrá-lo em breve para ouvir mais algumas.

Valeu, "Nico"!

Fonte das imagens: aquivos Antônio Monteiro, Roger Franzen, Antônio Freire, Cezar Pegoraro e revista Auto Esporte.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Alguma coisa diferente naquele carro

No último Desafio a turma quase ficou devendo, mas também não era nada fácil, embora parecesse. Juntando uma e outra resposta até posso dizer que se safaram dessa. Mas temos algumas revelações a fazer.

Ao revelar a data daquela imagem as coisas vão começar a se esclarecer. 16 de Maio de 1971. Vocês lembram quando foi a primeira prova de Fórmula Ford, disputada em Tarumã e consequentemente no Brasil? Foi em 29 de Agosto de 1971. Hmmm.... Então não era um Fórmula Ford, certo? Calma, calma, já vamos chegar lá.

Vocês lembram que em 1971 houve uma prova da Fórmula 4 Argentina, na qual dois Fórmula Ford correram como convidados? Pois é, também não era essa prova, pois lembram que choveu canivetes naquele dia?

Mas então que prova foi aquela?!!? E que carro era aquele?!!?


Bom, começando pelo carro, a maior parte dos palpites foram certeiros. Era sim um Fórmula Ford, mas um chassi estrangeiro, um inglês Titan, como alguns identificaram. O carro, que levava o número 1, estava sendo pilotado pelo amigo Fernando Esbroglio num "desafio" entre ele e Cezar Pegoraro, como preliminar de uma prova do Gaúcho de Turismo. "Bocão" pilotava um Bino, cedido pelo Luiz Antônio Greco, a quem o Antônio Pegoraro representava no sul. O "desafio" duraria apenas três voltas. O Titan veio pronto da Inglaterra, trazido por Ênio Lunardi Machado. Por isso os pneus de rua maiores na traseira. Era o que se usava por lá. O motor também era um Ford inglês. Durante alguns meses esses eram os dois únicos Fórmula Ford no estado.

Esbroglio lembra que largou na frente e ponteava apertado quando "Bocão" deu um toque na sua roda traseira. O Titan rodou no Tala Larga, mas mesmo assim conseguiu cruzar a linha de chegada. A imagem acima é do momento em que está recebendo a bandeirada pelo nosso Ibraim Gonçalves. Esbroglio também lembra que o Ibraim foi um dos seus apoiadores na época com seus Amortecedores Pampa.

Para a prova de estreia da Fórmula Ford, o Titan foi equipado com pneus menores, nacionais, e um motor Ford Corcel. Ele ainda seria pintado com o #3 e passaria para as mãos de um promissor piloto: Leonel Friedrich. Esbroglio levaria o #1 para um Bino. A equipe Cinzano seria completa com outro Bino, o #2 de Ênio Sandler.





Nunca tinha ouvido falar dessa "prova". Muito interessante. Agradeço ao próprio Fernando Esbroglio que me ajudou a desvendar todo o mistério envolvendo a imagem, pois quando publiquei a mesma no último domingo, eu não sabia a resposta. Apenas tinha certeza de que havia alguma coisa diferente naquele carro.

Fonte das imagens: arquivo Ibraim Gonçalves, Cezar Pegoraro, http://www.imagensdaluz.com/ e revista Quatro Rodas.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Voltando à Rivera

Mesmo com o Tarumã já inaugurado, a abertura do Campeonato Gaúcho de Automobilismo de 1971 foi realizada no autódromo Eduardo Cabrera, em Rivera. E lá estava o nosso amigo "Sapinho" fazendo parte da equipe do "Gessy", que infelizmente nos deixou há poucos dias. Essa imagem aí abaixo foi publicada no dia em que recebi esta notícia. Estava guardada para utilizar ao longo dessa história do Luiz Gustavo. Ela mostra o "Gessy" agachado ao centro e de pé, da esquerda para a direita, o "Sapinho", Mauro Bitencourt, Roberto Giordani e Ronaldo Bitencourt.


Esta aqui mostra o "Gessy" com a mão na massa.


Agora algumas das provas.




É possível identificar todos os carros acima lendo a reportagem que me foi enviada pelo Fernando Esbroglio há algum tempo. Ele foi o vencedor da prova em sua categoria.


Fonte das imagens: arquivo Fernando Esbroglio e Luiz Gustavo Tarragô de Oliveira.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

As primeiras corridas...a gente nunca esquece

Por sugestão do Fernando Esbroglio inauguramos hoje a seção intitulada "As primeiras corridas...a gente nunca esquece". A ideia apareceu quando dia desses, durante algumas trocas de e-mails, entregaram que o próprio havia corrido uma prova com um cachecol cor-de-rosa no pescoço. Imaginem a cena. Imediatamente o Esbroglio se defendeu e foi daí que surgiu o ótimo texto abaixo.

Tudo contigo, Esbroglio:

"Poucos lembram, mas estreei em Curitiba, naquele autódromo oval da época. Fui lá porque meus pais não sabiam e com medo de ser impedido, fui para longe. Fiz 2° lugar num VW 1300 com motor 1500 cc contra os 1600 cc do kit Fittipaldi (pilotos sempre arrumam desculpas quando não ganham a corrida...).

Era Março ou Abril...de 1968.

Antes disto, em Fevereiro de 1968, na ultima Antoninho Burlamaqui, tentei me inscrever mas o Antônio Pegoraro, então Presidente do Automóvel Clube, não me deixou correr porque meus pais - seus amigos - estavam em Punta. Era tudo que eu precisava para estrear!

"Guri não pode correr sem licença dos pais!"... bradou ele da sala ao lado da Valda, a famosa secretária do ACRGS que faria a inscrição, a mulher mais poderosa do automobilismo gaúcho de então. Putz, pensei, vou ter adiar minha estreia. Diria; Are Baba, hoje em dia!!!

Correr a Antoninho Burlamaqui era um sonho e significava uma chegada gloriosa na praia, de manhã, com milhares de pessoas a aplaudir. Sonhei com isto por uma década mas não foi minha vez. A estrada era conhecidíssima pois trilhávamos aquele percurso todas as semanas, e os tempos cronometrados com trânsito aberto eram viáveis de chegar antes do carro que fechava a pista...

Por sorte o Pegoraro não encontrou meu pai naqueles dias antes de Curitiba e lá me fui, com um Santo Antônio apoiado em pedaços de madeira pois o construí para colocar na hora, pois, ninguém poderia ver o carro pronto antes.

Medí tudo dentro do carro mas na torção dos tubos os tamanhos não fecharam. Tinha umas pernas mais curtas do que outras...mas com um pouco de arame e alguns parafusos auto atarrachantes lá me fui.

O carro, como já disse, era um VW 1300 com motor da Kombi 1500. E o mecânico era o lendário Wilson Drago. Aliás, meu e de mais meia dúzia que foram lá correr em várias categorias.

Para correr em Curitiba, deixei uma carta contando a travessura para meus pais, e minha irmã a entregou APÓS a hora da corrida. Ao chegar, me apoiaram e o resto é história conhecida.

Eu estava fazendo as contas para passar de Novato para Estreante e daí para Piloto de Competição, o ambicionado PC, de olho que eu estava nas 12 Horas que foi a última na Cavalhada-Vila Nova. Fiz as contas e correr em Curitiba me garantiria a pontuação para Piloto de Competição até a data da 12 Horas, e deu certo.

Corrí a 12 Horas com o Raymundo Castro, então sócio do Zé Guedes, meu mecânico naquela ocasião. Raymundo me deu enormes ensinamentos de corrida e dos segredos daquele circuito, cheio de manhas. Cada bosque, árvore, córrego, ponte, Igreja, casa azul (ou verde...ou...ou...) era a referencia para pisar ou frear...ou seguir de pé no fundo. Larguei as 12 Horas e fui bem - acho que íamos em 3° ou 4º. na classe até 1600 - até fundir uma biela...Não conhecíamos o separador de cárter para manter a pressão do óleo em curvas que fosse regulamentar...isto o Vilmar Azevedo me ensinou no ano seguinte.

Logo após Curitiba, veio a prova de Cachoeira do Sul e a tal história do cachecol pink (o Giordani me relembrou, dia destes). Ocorreu que quebrou o meu parabrisas na volta para alinhar. Parei e pedí à minha namorada na torcida, o cachecol dela, amarrei como lenço de mocinho de filme, com um papelão por dentro para me proteger. Era rosa pink e macho naquela época não podia usar estas cores, digamos, mais femininas.

Foi uma corrida inesquecível.

Largamos e logo os cacos de vidro foram para trás dos pedais, e numa freada um caco manteve o pedal meio freado o que consegui destrancar depois de perder posições (de novo as desculpas de piloto...). Meu motor era 1500 cc, os do Enio Sandler e Gilliat Coirollo de Almeida eram 1600 cc, eles em 1° e 2º e eu em 3º... Eles se enroscaram e cheguei, emparelhei com o Gilliat e na curva seguinte rodamos os TRÊS ao final do calçamento úmido, no início da terra...hahahahaha... Retomamos eu e o Gilliat primeiro, ele um pouco à frente e na reta de terra tomei a maior metralha de pedras da vida. Quebrou até o vidro traseiro e o espelho retrovisor interno pelas pedradas no lado do metal dos espelhos. Uma loucura. Foi assim, com toques e encostões até a bandeirada, ele em 1° e eu em 2°. Foi um show, porque o cara era muito rápido e dominava bem a saída de traseira dos Fuscas. O cara era professor de biologia no Colégio São Judas e patrocinado pela escola, andava muito bem. Não obstante, fechava a porta e jogava o carro para cima de mim sem piedade. Morreu num acidente de rua anos depois.

E assim foi meu início de carreira...lembro de cada pedra voando daquele dia."

Caramba, o Esbroglio se superou nessa. Primeiro com a ideia do post e depois com esse texto ótimo. Sensacional!!!

Valeu, Esbroglio!

E agora, quem será o próximo?

P.S.: O Esbroglio disse que não tinha nenhum registro daquela prova. Revirando o baú encontrei algo revelador, vejam.


Que sacanagem...

sábado, 14 de fevereiro de 2009

XII Circuito Encosta da Serra

Uma das respostas do último Desafio foi uma surpresa para mim. A bordo da Alfa GTA #23 da equipe Jolly-Gancia, com o patrocínio da Primorosa, ia ninguém menos do que Raffaele Rosito Neto, durante a prova Encosta da Serra em 1969.

Na saboneteira #27 a minha suspeita (e também do Luiz Borgmann) se confirmou: José Luiz de Marchi.

Esta foi uma das duas únicas provas nas quais um piloto gaúcho competiu pela tradicional equipe paulista que fez história nos anos 60 e início dos 70. O carro #23 era tradicionalmente pilotado por Emílio Zambello.

Sobre a participação de Rosito na equipe Jolly-Gancia, encontrei um registro interessante no site do amigo Paulo Peralta, o Bandeira Quadriculada, quando este teve a chance de falar sobre a piloto Graziela Fernandes.

Graziela tinha uma Alfa GTV e tinha também patrocínio. Assim, recebeu um convite para correr na equipe Jolly-Gancia na prova Rodovia Presidente Kennedy, no RS, com um carro deles. Haviam três, o de Emílio Zambello, o de Piero Gancia e mais um. Este último foi oferecido a ela, mas então apareceu Raffaele Rosito, que estava apenas um ponto atrás na disputa pelo Campeonato Gaúcho, e pediu um carro. Naquela prova, disputada entre as cidades de Lajeado e São José do Herval (ida e volta) no dia 27 de Julho de 1969, a Jolly-Gancia conseguiu um primeiro lugar com Zambello, segundo com Rosito e quarto com Graziela, que acabou competindo com seu carro particular. Quem chegou em terceiro foi Aristides Bertuol, com um Opala, que disputava com Rosito o título do Campeonato Gaúcho.

Abaixo três imagens daquela prova.




Sobre a prova Encosta da Serra, o idealizador do Desafio, o amigo Renato Pastro, me passou um verdadeiro dossiê da prova, que reproduzo aqui na íntegra.

Se segurem aí, pois vamos acelerar pelas estradas do Rio Grande!

XII CIRCUITO ENCOSTA DA SERRA
16 de Novembro de 1969
Terceira e ultima etapa do Campeonato Gaúcho de Automobilismo de 1969.
Representou também a última prova em estradas gaúchas.

Originalmente em sua primeira edição 1952 o “circuito” consistia de 280 Km largando de Taquara, passando por São Francisco de Paula, Canela, Gramado, Nova Petrópolis, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Canoas, Gravataí e retornando a Taquara.

Para esta última prova o roteiro foi reduzido para 180 Km largando de São Francisco de Paula indo a Taquara e retornando São Francisco de Paula. A prova foi coordenada pela - Associação Valesinos de Automobilismo - AVA, sob o comando de Paulo Seben e Júlio Scheifler a cronometragem ficou a cargo da Equipe Omega de Normélio Da Poian. A supervisão foi da Federação Gaúcha de Automobilismo contando com 53 carros participantes.

Raffaele Rosito Neto, pilotando a Alfa Romeo GTA (1.900 cm³) N° 23 da Equipe Jolly-Primorosa venceu a prova com a impressionante média de 155,400 Km/h em 1h09min9seg.

Embora entrando em segundo lugar o veterano piloto Aristides Bertuol com o Chevrolet Opala de 6 cilindros de N° 4 garantiu a posição de Campeão Gaúcho na Categoria Força Livre. O “velho” terminou a prova com o tempo de 1h15min7seg.

As 13:00 em São Francisco de Paula foi baixada a bandeirada ao pelotão da Força Livre quando partiu na frente a Alfa de Rosito, o Dodge Dart Sedan de José Madrid (o primeiro Dart a estrear em pistas brasileiras) o Opala de Bertuol, o Karmann Ghia 1800 de Leonel de Alencastro Friedrich e o DKW de dois motores de Pedro Sinibaldi.

Destes cinco carros somente dois conseguiram completar a primeira etapa até Taquara.

O Dodge Dart de Madrid teve um sério acidente, quando na descida da serra foi de encontro a um barranco. Foram adaptados no Dart aros de tala mais larga, e as mesmas não resistiram, tendo uma se partido no exato momento em que o veterano piloto vencia uma curva em alta velocidade. O carro ficou demolido, mas não houve nenhum ferimento no piloto.

O Karmann Ghia de Friedrich vinha muito bem nos primeiros quilômetros, mas teve o motor engripado, o mesmo aconteceu com o DKW bimotor de Sinibaldi.

Rosito atingiu a incrível média de 161,300 Km/h, chegando seis minutos na frente de Bertuol, que fez também uma ótima prova.

O segundo pelotão composto de carros pertencentes à Classe de 1.601 cm³ a 3.000 cm³ largou as 13:05.

Foi o Simca de Francisco Antônio Ventre que pegou a ponta, mas já no Belvedere que fica a cinco quilômetros da largada o FNM JK N° 25 de Lauro Maurmann Junior ultrapassou-o, ficando na ponta até o final da primeira etapa.

José Antônio Madri, também de Simca, foi o segundo a chegar, seguido pelas máquinas de Carlos Alberto Kuenzer, Francisco Ventre e Afonso Iglesias com o Simca N° 84.

As 13:20 os carros de maior cilindrada (1.601 cm³ a 3.000 cm³) da Estreantes e Novatos largaram.

Fazendo uma ótima estréia, Valter Schunck foi o vencedor da primeira etapa seguido de João Simão Costa, ambos com Simca.

A Classe até 1.600 cm³ era a mais aguardada e teve sua largada as 13:25.

Quem pulou na frente foi o Volkswagen quatro portas N° 3 de Aldo Costa, que por pouco tempo liderou, pois, devido a um cabo de vela solto, foi ultrapassado, tomando a ponta, então, o Volkswagen Sedan N° 30 de Giliat Cairolo de Oliveira, que de maneira espetacular venceu a primeira etapa.

José Luiz de Marchi, o Zaico teve o pára-brisa dianteiro quebrado do seu Volkswagen quatro portas N° 27 o que prejudicou a sua média final.

Aristides Bertuol Filho, que também estava fazendo uma ótima prova, teve o motor do seu Volkswagen fundido.

Esta Classe foi a mais disputada, devido a paridade das máquinas. A primeira colocação só era definida no final do percurso, pois vários foram os ponteiros.

A seguir, largaram os Estreantes e Novatos da Classe até 1.600 cm³.

Na largada, Vladimir Oliveira Soares se distanciou bastante e deixou seus adversários a perder de vista. Apesar de um “motor muito afinado” a temperatura do mesmo começou a subir, sendo obrigado a parar.

O vencedor da primeira etapa foi Nelson Noschang com Volkswagen. Cinco minutos depois, largou a Classe até 1.300 cm³.

Foi a briga entre o Ford Corcel e o DKW. José Luis Madrid, o caçula da família Madrid, saiu vencedor da primeira etapa com o Ford Corcel N° 5.

Francisco Antônio Feoli, que deu várias entortadas entrou em segundo com o DKW N° 99, enquanto Paulo Dinarte Marques Nienaber, com o Ford Corcel N° 31 totalmente “Standard” chegou em terceiro.

Finalmente, César Augusto Ramos foi o vencedor da Classe até 1.200 cm³, para Estreantes, com o DKW N° 200 e em segundo ficou Marcos Vinicius Bossle.

O DKW N° 123 de Ricardo Albuquerque Trein deu a capotada mais espetacular da prova. Deu uma volta no ar e caiu com as quatro rodas no asfalto, em posição normal, como se estivesse prosseguindo a prova. Danos materiais impediram que o piloto prosseguisse na descida da Serra.

Na segunda etapa, Taquara / São Francisco de Paula, o Opala de Bertuol saiu na frente, mais alguns quilômetros adiante já era ultrapassado pela Alfa de Rosito, que chegou com dois minutos de vantagem.

Na Classe de 1.601 cm³ a 3.000 cm³ , José Antônio Madrid tomou a ponta com o Simca N° 21 para em seguida ser ultrapassado pelo FNM JK N° 25 de Lauro Murmann que confirmando sua categoria, foi o ponteiro e se tornou Campeão em sua Classe.

Nos Estreantes e Novatos a vitória ficou novamente com Valter Schuck com o Simca N° 120.

Nova vitória agora na segunda etapa de Giliat Oliveira na Classe 1.301 cm³ até 1.600 cm³ seguido de Aldo Costa, Zaico e Lauro Arnizant no Volkswagen N° 16.

Nos Estreantes de 1.201 cm³ até 1.600 cm³ a disputa foi até o final e ficou a vitória na segunda etapa com Geraldo Andreola no Volkswagen N° 112.

Na Classe até 1.300 cm³ a vitória ficou com José Luis Madrid tendo Fernando Augusto de Carvalho Esbróglio enfrentado problemas de freios desde a primeira etapa finalizou em 4° lugar com o Ford Corcel N° 7 à frente de Nelson Luís Barro com outro Ford Corcel.

Roberto Giordani com o seu DKW que vinha muito bem na prova abandonou a competição com defeito na bomba elétrica.

Finalizando a segunda etapa César Augusto Ramos venceu novamente a Estreantes e Novatos Classe até 1.200 cm³ seguido do DKW N° 109 de Voltaire Moog.

Esta competição teve antecedentes desagradáveis quando várias equipes de São Paulo anunciaram a Federação Gaúcha de Automobilismo a sua intenção de competir. Um grupo de aficionados gaúchos do automobilismo manifestou-se contrário à participação de equipes de outros estados visto que a prova contava pontos para o Campeonato Gaúcho.

Ok, vamos a mais algumas imagens dessa prova.



Na sequencia: a largada da segunda etapa da prova no trecho Taquara - São Francisco de Paula, Aldo Costa na saboneteira #3, Fernando Esbroglio no Corcel #7, Aristides Bertuol no Opala #4 (é a primeira vez que vejo ele num Opala), José Madrid e o que sobrou do Dodge Dart #22, Ricardo Trein no DKW #123 e o vencedor na geral Raffaele Rosito no Alfa #23.

Fonte das imagens: arquivo Ricardo Trein, Paulo Trevisan e Renato Pastro.