Não tive a chance de conhecê-lo pessoalmente, mas mantínhamos contato por e-mail há algum tempo, desde o dia em que ele conheceu o blog e mandou alguns registros, além de boas histórias. A última que chegou ao meu conhecimento foi enviada há poucas semanas e ele me cobrou se seria publicada, já que pretendia enviar mais algumas. Tudo começou com uma conversa entre ele e o Roberto Giordani, que assim, foi repassada aos demais.
"Roberto.
Que saudades!......Nunca corri em nenhum dos dois circuitos (se não estou enganado, eles falavam sobre os circuitos clandestinos localizados em Porto Alegre). Mas, uma vez, num pega à noite, que eram frequentes em 1963, 64,..... a turma que vinha na frente entrou à esquerda. Era a Curva da Juca Batista. Uns querendo passar pelos outros pelo acostamento de terra e levantou aquele poeirão. Eu errei o ponto de freada e segui reto. Fechando o nosso pelotão, vinha a gloriosa Brigada Miltar, cujas " viaturas" (VW 1.200c.c.) já tinham rádio. Pois bem, o carro dos hoje 190 não fez a curva e saiu ao meu encalço. Pelo retrovisor eu vi que eles, por não terem dobrado à esquerda, estavam atrás de mim a uma boa distância. Dava para escapar e segui reto em direção a Belém para me esconder, esperando passar a poeira e a polícia. Para minha surpresa, me esperava, na "chegada", bem na entradinha de Belém, uma multidão..., não de espectadores, mas de policiais. Levaram-me para uma DP que existia em Belém, deve existir até hoje e lá fui ovacionado pela minha performance. Fui hospedado pelo gentis policiais, ofereceram-me pouso e café da manhã. Eu não tinha habilitação, (17 anos). Pergutaram o endereço do meu pai e eu dei, Praça Daltro Filho, S/N, Vacaria-RS. Meu pai se chama Joel Onofrio, a quem, injustamente, chamaram de irresponsável. Me deram uma multa e me largaram à pé, às 9:00 HS da manhã, de um sábado na primavera de Porto Alegre. Me mandaram de busão para Porto Alegre e meu tio, já falecido, Abelard Jacques Noronha, foi buscar a "viatura" que ficou nos boxes da polícia para "vistoria". Que saudades....
Quando contares de Vila Nova-Cavalhada-Vila Nova, tenho outra história.
Um grande abraço,
Fernando."
Logo depois questionei o Fernando se haveria algum problema em publicar, já que revelava as aventuras daquela época, envolvendo a polícia, coisa e tal e ele respondeu, bem humorado como sempre, da seguinte forma:
"Meu caro, Sanco.
Podes publicar, mas não esqueça que aqui em Goiás temos uma PM, com a qual não arrumei nenhum problema ainda....
Fernando"
Não pude saber mais das suas histórias, mas seus amigos aqui no Sul certamente lembrarão dele para sempre e ainda terão muitas a contar.
Um resumo da trajetória dele nas pistas pode ser visto clicando aqui.

Vai em paz, Fernando e obrigado por tudo.























