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sábado, 14 de fevereiro de 2009

XII Circuito Encosta da Serra

Uma das respostas do último Desafio foi uma surpresa para mim. A bordo da Alfa GTA #23 da equipe Jolly-Gancia, com o patrocínio da Primorosa, ia ninguém menos do que Raffaele Rosito Neto, durante a prova Encosta da Serra em 1969.

Na saboneteira #27 a minha suspeita (e também do Luiz Borgmann) se confirmou: José Luiz de Marchi.

Esta foi uma das duas únicas provas nas quais um piloto gaúcho competiu pela tradicional equipe paulista que fez história nos anos 60 e início dos 70. O carro #23 era tradicionalmente pilotado por Emílio Zambello.

Sobre a participação de Rosito na equipe Jolly-Gancia, encontrei um registro interessante no site do amigo Paulo Peralta, o Bandeira Quadriculada, quando este teve a chance de falar sobre a piloto Graziela Fernandes.

Graziela tinha uma Alfa GTV e tinha também patrocínio. Assim, recebeu um convite para correr na equipe Jolly-Gancia na prova Rodovia Presidente Kennedy, no RS, com um carro deles. Haviam três, o de Emílio Zambello, o de Piero Gancia e mais um. Este último foi oferecido a ela, mas então apareceu Raffaele Rosito, que estava apenas um ponto atrás na disputa pelo Campeonato Gaúcho, e pediu um carro. Naquela prova, disputada entre as cidades de Lajeado e São José do Herval (ida e volta) no dia 27 de Julho de 1969, a Jolly-Gancia conseguiu um primeiro lugar com Zambello, segundo com Rosito e quarto com Graziela, que acabou competindo com seu carro particular. Quem chegou em terceiro foi Aristides Bertuol, com um Opala, que disputava com Rosito o título do Campeonato Gaúcho.

Abaixo três imagens daquela prova.




Sobre a prova Encosta da Serra, o idealizador do Desafio, o amigo Renato Pastro, me passou um verdadeiro dossiê da prova, que reproduzo aqui na íntegra.

Se segurem aí, pois vamos acelerar pelas estradas do Rio Grande!

XII CIRCUITO ENCOSTA DA SERRA
16 de Novembro de 1969
Terceira e ultima etapa do Campeonato Gaúcho de Automobilismo de 1969.
Representou também a última prova em estradas gaúchas.

Originalmente em sua primeira edição 1952 o “circuito” consistia de 280 Km largando de Taquara, passando por São Francisco de Paula, Canela, Gramado, Nova Petrópolis, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Canoas, Gravataí e retornando a Taquara.

Para esta última prova o roteiro foi reduzido para 180 Km largando de São Francisco de Paula indo a Taquara e retornando São Francisco de Paula. A prova foi coordenada pela - Associação Valesinos de Automobilismo - AVA, sob o comando de Paulo Seben e Júlio Scheifler a cronometragem ficou a cargo da Equipe Omega de Normélio Da Poian. A supervisão foi da Federação Gaúcha de Automobilismo contando com 53 carros participantes.

Raffaele Rosito Neto, pilotando a Alfa Romeo GTA (1.900 cm³) N° 23 da Equipe Jolly-Primorosa venceu a prova com a impressionante média de 155,400 Km/h em 1h09min9seg.

Embora entrando em segundo lugar o veterano piloto Aristides Bertuol com o Chevrolet Opala de 6 cilindros de N° 4 garantiu a posição de Campeão Gaúcho na Categoria Força Livre. O “velho” terminou a prova com o tempo de 1h15min7seg.

As 13:00 em São Francisco de Paula foi baixada a bandeirada ao pelotão da Força Livre quando partiu na frente a Alfa de Rosito, o Dodge Dart Sedan de José Madrid (o primeiro Dart a estrear em pistas brasileiras) o Opala de Bertuol, o Karmann Ghia 1800 de Leonel de Alencastro Friedrich e o DKW de dois motores de Pedro Sinibaldi.

Destes cinco carros somente dois conseguiram completar a primeira etapa até Taquara.

O Dodge Dart de Madrid teve um sério acidente, quando na descida da serra foi de encontro a um barranco. Foram adaptados no Dart aros de tala mais larga, e as mesmas não resistiram, tendo uma se partido no exato momento em que o veterano piloto vencia uma curva em alta velocidade. O carro ficou demolido, mas não houve nenhum ferimento no piloto.

O Karmann Ghia de Friedrich vinha muito bem nos primeiros quilômetros, mas teve o motor engripado, o mesmo aconteceu com o DKW bimotor de Sinibaldi.

Rosito atingiu a incrível média de 161,300 Km/h, chegando seis minutos na frente de Bertuol, que fez também uma ótima prova.

O segundo pelotão composto de carros pertencentes à Classe de 1.601 cm³ a 3.000 cm³ largou as 13:05.

Foi o Simca de Francisco Antônio Ventre que pegou a ponta, mas já no Belvedere que fica a cinco quilômetros da largada o FNM JK N° 25 de Lauro Maurmann Junior ultrapassou-o, ficando na ponta até o final da primeira etapa.

José Antônio Madri, também de Simca, foi o segundo a chegar, seguido pelas máquinas de Carlos Alberto Kuenzer, Francisco Ventre e Afonso Iglesias com o Simca N° 84.

As 13:20 os carros de maior cilindrada (1.601 cm³ a 3.000 cm³) da Estreantes e Novatos largaram.

Fazendo uma ótima estréia, Valter Schunck foi o vencedor da primeira etapa seguido de João Simão Costa, ambos com Simca.

A Classe até 1.600 cm³ era a mais aguardada e teve sua largada as 13:25.

Quem pulou na frente foi o Volkswagen quatro portas N° 3 de Aldo Costa, que por pouco tempo liderou, pois, devido a um cabo de vela solto, foi ultrapassado, tomando a ponta, então, o Volkswagen Sedan N° 30 de Giliat Cairolo de Oliveira, que de maneira espetacular venceu a primeira etapa.

José Luiz de Marchi, o Zaico teve o pára-brisa dianteiro quebrado do seu Volkswagen quatro portas N° 27 o que prejudicou a sua média final.

Aristides Bertuol Filho, que também estava fazendo uma ótima prova, teve o motor do seu Volkswagen fundido.

Esta Classe foi a mais disputada, devido a paridade das máquinas. A primeira colocação só era definida no final do percurso, pois vários foram os ponteiros.

A seguir, largaram os Estreantes e Novatos da Classe até 1.600 cm³.

Na largada, Vladimir Oliveira Soares se distanciou bastante e deixou seus adversários a perder de vista. Apesar de um “motor muito afinado” a temperatura do mesmo começou a subir, sendo obrigado a parar.

O vencedor da primeira etapa foi Nelson Noschang com Volkswagen. Cinco minutos depois, largou a Classe até 1.300 cm³.

Foi a briga entre o Ford Corcel e o DKW. José Luis Madrid, o caçula da família Madrid, saiu vencedor da primeira etapa com o Ford Corcel N° 5.

Francisco Antônio Feoli, que deu várias entortadas entrou em segundo com o DKW N° 99, enquanto Paulo Dinarte Marques Nienaber, com o Ford Corcel N° 31 totalmente “Standard” chegou em terceiro.

Finalmente, César Augusto Ramos foi o vencedor da Classe até 1.200 cm³, para Estreantes, com o DKW N° 200 e em segundo ficou Marcos Vinicius Bossle.

O DKW N° 123 de Ricardo Albuquerque Trein deu a capotada mais espetacular da prova. Deu uma volta no ar e caiu com as quatro rodas no asfalto, em posição normal, como se estivesse prosseguindo a prova. Danos materiais impediram que o piloto prosseguisse na descida da Serra.

Na segunda etapa, Taquara / São Francisco de Paula, o Opala de Bertuol saiu na frente, mais alguns quilômetros adiante já era ultrapassado pela Alfa de Rosito, que chegou com dois minutos de vantagem.

Na Classe de 1.601 cm³ a 3.000 cm³ , José Antônio Madrid tomou a ponta com o Simca N° 21 para em seguida ser ultrapassado pelo FNM JK N° 25 de Lauro Murmann que confirmando sua categoria, foi o ponteiro e se tornou Campeão em sua Classe.

Nos Estreantes e Novatos a vitória ficou novamente com Valter Schuck com o Simca N° 120.

Nova vitória agora na segunda etapa de Giliat Oliveira na Classe 1.301 cm³ até 1.600 cm³ seguido de Aldo Costa, Zaico e Lauro Arnizant no Volkswagen N° 16.

Nos Estreantes de 1.201 cm³ até 1.600 cm³ a disputa foi até o final e ficou a vitória na segunda etapa com Geraldo Andreola no Volkswagen N° 112.

Na Classe até 1.300 cm³ a vitória ficou com José Luis Madrid tendo Fernando Augusto de Carvalho Esbróglio enfrentado problemas de freios desde a primeira etapa finalizou em 4° lugar com o Ford Corcel N° 7 à frente de Nelson Luís Barro com outro Ford Corcel.

Roberto Giordani com o seu DKW que vinha muito bem na prova abandonou a competição com defeito na bomba elétrica.

Finalizando a segunda etapa César Augusto Ramos venceu novamente a Estreantes e Novatos Classe até 1.200 cm³ seguido do DKW N° 109 de Voltaire Moog.

Esta competição teve antecedentes desagradáveis quando várias equipes de São Paulo anunciaram a Federação Gaúcha de Automobilismo a sua intenção de competir. Um grupo de aficionados gaúchos do automobilismo manifestou-se contrário à participação de equipes de outros estados visto que a prova contava pontos para o Campeonato Gaúcho.

Ok, vamos a mais algumas imagens dessa prova.



Na sequencia: a largada da segunda etapa da prova no trecho Taquara - São Francisco de Paula, Aldo Costa na saboneteira #3, Fernando Esbroglio no Corcel #7, Aristides Bertuol no Opala #4 (é a primeira vez que vejo ele num Opala), José Madrid e o que sobrou do Dodge Dart #22, Ricardo Trein no DKW #123 e o vencedor na geral Raffaele Rosito no Alfa #23.

Fonte das imagens: arquivo Ricardo Trein, Paulo Trevisan e Renato Pastro.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Zaíco

Não deu tempo...

Foi em Setembro último que fiquei sabendo do estado de saúde do ex-piloto José Luiz De Marchi, o "Zaíco". Ele tivera um tumor no cérebro e estava se recuperando. Acho que foi o "Janjão" Freire que me comentou isso e pensei que seria legal encontrar o "Zaíco" para tentar prestar uma homenagem a ele. O "Castrinho" me conseguiu o telefone. O Ribas me disse que encontrara ele pouco antes. O Torino também. Coloquei na minha pauta.

O tempo foi passando e o final de ano bastante agitado me impedia de me dedicar ao Blog como gostaria. Tudo bem, afinal o Blog é um hobby e teremos tempo sempre que possível. Mas o "Zaíco" não teve tempo para esperar. Fiquei sabendo que ele faleceu na última semana.

Pouco sabia sobre ele. Mesmo assim vou tentar fazer uma pequena homenagem a ele.
Dizem que ele era muito bem humorado, sempre fazendo piada de tudo. Correu na primeira temporada da Fórmula Ford em 1971 pela equipe da Associação Guaporense de Automobilismo ao lado do Dr. Nelson Barro. Depois passou para a equipe Shelton ao lado de Clóvis de Moraes, onde correu em 1973.

Ainda em 71 correu algumas provas com um Fusca em parceria de Vladimir Soares. Foi neste ano que aconteceu talvez a sua maior conquista, a vitória nas 12 Horas, quando estas foram pela primeira vez disputadas em Tarumã. "Zaíco" competiu ao lado dos pilotos paulistas Carlos Quartin de Moraes e Pedro Victor De Lamare num dos melhores carros daquela época, o inesquecível Opala azul #84.

"Zaíco" viria a repetir uma vitória em prova longa em 1974, nas 6 Horas de Tarumã, com um Maverick ao lado de Roberto Schimidt e "Janjão" Freire, piloto com o qual dividiu o volante nas 12 Horas de 73.

A partir de 1975 competiu com o Opala #27 no Gaúcho de Divisão 1 e nas provas longas correu com Alfredo Oliveira e Francisco Feoli.

Acredito que 1976 tenha sido seu último ano, mas é provável que alguém aqui saiba melhor do que eu.

Abaixo alguns poucos registros que encontrei:

A primeira é do Opala #84 nas 12 Horas de 1971, depois na Fórmula Ford no carro dourado e vermelho. Mais abaixo vencendo as 6 Horas de 1974 com o Maverick #91. Por fim uma do Opala #27 e o piloto, sempre sorridente, assim como será sempre lembrado.

Fonte das imagens: revista Grand Prix, revista Quatro Rodas, revista Auto Esporte e livro 12 Horas.