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sábado, 22 de fevereiro de 2014

Autódromo de Passo Fundo

Vou deixar a resposta de dois Desafios anteriores para falar do último, que a turma acertou em cheio, apesar de eu achar que não seria tão fácil.
 
O Dodge #74 da imagem do último Domingo era do paranaense Juarez Martins, durante a prova inaugural do autódromo de pista de terra de Passo Fundo, no dia 02 de Junho de 1991. Juarez foi o vencedor da categoria Hot-Dodge. A programação ainda contou com provas de Autocross, Opalas, Marcas e 1600 cc. Cerca de 80 carros participaram da festa, presenciada por um excelente público. Os Opalas apresentaram o maior grid, com 20 carros.
 
Os demais vencedores em suas categorias foram Marcos Klein na Autocross, Clóvis Concatto na Opalas, Edson Dalla Valle (Voyage), na Marcas e Alessandro Gonsales (Gol) na 1600 cc.
 
Entre as diversas personalidades presentes, como autoridades e pilotos do passado, uma delas foi responsável por realizar a volta inaugural com sua carretera: Breno Fornari.
 
Meu amigo Paulo Trevisan, que também esteve competindo naquele dia, me contou um pouco mais sobre aquele autódromo.
 
"A pista era muito longa e difícil de manter úmida e com trechos bem arenosos, que dificultavam provas como pista de terra. Os organizadores tinham consciência e o autódromo iria ser asfaltado e com alguns desses dirigentes fortes puxando, com certeza teria acontecido. Mas o grupo de investidores que adquiriram esses aproximadamente 70ha para o autódromo tinha como maior proprietário o antigo piloto, pé pesado, Paulo Tagliari. Vários outros antigos pilotos Passofundenses também se envolveram, como Gilberto Bevegnu ("Perdigão"), Sérgio e Hélio Ughini e outros abnegados. Um dos responsáveis por conseguir trazer aqueles imensos grids foi o João Finardi ("China"), mega campeão no automobilismo de terra de SC/PR. De Passo Fundo tinha pelo menos uns 8 carros na parada; e acho que uns 3 ou 4 Opalas e o jovem Cláudio Ricci num deles."
 
Ele continua, falando agora sobre sua participação na prova e sobre o destino da pista.
 
"Eu havia retornado a Passo Fundo após residir em Porto Alegre por 17 anos em 1989 e não participei do grupo, mas na semana da prova comprei um Gol 85 super novo e peguei o antigo preparador "Zica" para participar da prova, achando que o regulamento iria ser rigoroso. Que nada, tanto a 1600cc (a minha) como a Marcas, mais forte, largaram juntas. Havia mais de 30 carros no grid e como eu havia caído de um barranco na tomada de tempo larguei na 26ª posição! A burrice nossa foi total porque sem acertar o chão e correndo ridiculamente com pneus sem câmara, baixamos muito a calibragem e o pneu traseiro esquerdo murchou porque entrou terra entre o aro e a carcaça, ficando com apenas umas 8 libras. Curvas para o lado esquerdo, pé enfiado e para o lado direito, atravessado. Ainda cheguei em 9º, cheguei a beliscar o 6º, mas com umas duas rodadas e 360º para o lado direito não deu. Eu já vinha de 3 anos em pista de terra na época.

Essa foi a 2ª tentativa de Passo Fundo ter tido seu autódromo, e as divergências no grupo após o evento da inauguração lamentavelmente conduziu para a desintegração do propósito. Mesmo com um público imenso e o resultado positivo, ficou apenas na inauguração. A área virou lavoura e está dentro do município limítrofe de Mato Castelhano."


Abaixo alguns registros da festa, mostrando a vista aérea do autódromo, todos os vencedores, alguns pódios, fechando com o Gol do Trevisan.

 
 



 
 
 
 
 
 
 
Fonte das imagens: arquivo Paulo Trevisan e jornal Esporte Motor.

sábado, 27 de julho de 2013

40 Anos de Automobilismo

No último Desafio publiquei uma das imagens que foram divulgadas quando da lembrança da primeira corrida de kart realizada na cidade de Passo Fundo. O assunto foi tema de uma ótima matéria divulgada na região em novembro do ano passado e que agora, transcrevo aqui. Assim contou o Diário da Manhã:
 
Quatro décadas decorreram desde as primeiras corridas de kart em Passo Fundo. É de comemorar esse feito iniciado com o campeonato citadino de 1972, e, que tem gerado incontáveis campeões, até em nível nacional, para a cidade. E, no mês de novembro, são celebrados os 40 anos do primeiro campeonato, ainda realizado nas ruas.

Passo Fundo é terra de grandes pilotos, e no Kart, também uma das pioneiras no interior do Estado. Suas lideranças e pilotos deflagraram e organizaram as primeiras corridas em cidades como Cruz Alta, Lages, Vacaria, Erexim, Getulio Vargas e outras da região.




(Em 1972, provas eram realizadas nas ruas da cidade / FOTOS ARQUIVO PESSOAL/ PAULO TREVISAN E MARCO DAMIAN)

No Brasil o Kart surgiu em 1959/60 originário de uma ideia dos norte-americanos que estavam usando motores de cortadores de grama e de motosserras. Com a proibição das corridas de carros nas ruas no RS em 1968 (a última prova foi em Passo Fundo, pelo campeonato gaúcho) a única alternativa era correr no Autódromo de Tarumã, inaugurado, em 1970. Portanto, a solução para os pilotos passo-fundenses foi o kart.

Ocorreram reuniões no Bar do Turis Hotel, e os boatos insistentes de que, em 1972, teria corridas na cidade. Aonde, ninguém sabia. A primeira compra foi de dois chassis Mini (apelidados de banheiras) usados por Moacir Cabeda e Hercules Borges em 1971. Em seguida, Paulo Afonso Trevisan e João Carlos Klaus trouxeram os Maxi Mini, juntamente com Mauro Machado, Roberto Tasca, Sergio e Hélio Ughini, Paulo Tagliari, e logo após, tantos outros.

Os treinos começaram em pistas e locais improvisados no trevo da TransBrasiliana, no pequeno trecho de asfalto em direção à Xangri-lá, mas especialmente na pátio fechado da CESA que era cedido por Alberto Tagliari, então diretor, para uso dos kartistas nos finais de semana. Juntava-se a juventude no local e o número de karts não baixava de 10, treinando até detonar os pneus e seus motores. O conhecimento técnico era mínimo. Um detalhe que desconheciam era que para o motor pegar e funcionar, se deveria correr com a traseira levantada e não arrastando as rodas no chão. Detalhes primários e para os quais os mecânicos e ajudantes ignoravam no inicio. Muitos já eram acostumados a empurrar DKW, que, com motor envenenado, exigia muita força para pegar. O grid chegaria a mais de 20 unidades no primeiro campeonato, em 1972. Vários correriam em duplas porque as provas eram categoria única e geralmente de 3 a 4 baterias por prova. Importante salientar, que alguns deles eram filhos de pilotos das antigas carreteras e pelo menos oito tinham experiência e disputavam corridas no campeonato Gaúcho com Simca, Gordini, DKW, Opala, ou seja, o kart foi um desaguadouro natural dos pilotos, filhos de pilotos e jovens aspirantes.


 



























(Paulo Trevisan à esquerda, Mauro Machado no centro e João Carlos Klaus à direita / FOTOS ARQUIVO PESSOAL/ PAULO TREVISAN E MARCO DAMIAN)
 
Primeira prova cheia de atrações
Na primeira prova em 05/06/1972, após transferirem data anterior, porque estava sendo comprados novos chassis, uma surpresa, a chuva! Ninguém era acostumado com isso e nem existiam pneus de chuva. Então nas “ensaboadas” Avenida General Neto e Rua Independência aconteceu a prova inicial, com largada lançada dos 15 karts, na frente do bar Oásis. Após, dobrava a direita na Rua Independência e fazia um retorno de volta a General Neto e, assim, contornava os canteiros dos coqueiros, defronte a Catedral. Ocorreram acidentes, e, nem os sacos de areia improvisados, evitaram algumas lesões. Na soma das quatro baterias, com 12 minutos cada, o vitorioso foi Hercules Borges com 22 pontos. Após, Paulo Tagliari que disputou a ponta ferozmente, Ison Iaione, Paulo Trevisan e João Carlos Klaus, Roberto Tasca, Celso Menegaz. Portanto, o primeiro vencedor em corridas de kart em Passo Fundo foi Hércules Borges. A melhor volta, indicada pela cronometragem registrada pela equipe de Paulo Roberto Magro, foi feita pelo piloto Paulo Tagliari. Por uma questão histórica é importante registrar os pilotos que participaram dessa prova inaugural: Paulo Tagliari, Mauro Machado, Ivanio Bernardon, Ernani Rigon, Sergio e Helio Ughini, Paulo Trevisan, João Carlos Klaus, Joaquim Albuquerque (de Carazinho), José Schroeder, Antonio Carlos Oltramari, Caetano Borella, Moacir Cabeda, Hercules Borges, Roberto Tasca, Nilton Bertão, Ison Iaione, Nereu Grazziotin, Edson Bertão, Guilherme Wolff (os três últimos receberam os karts na semana anterior). Grande destaque era a junção e formação de excelentes preparadores, como Carlos “Aio” Ortiz, João Finardi, Alexandre Tagliari que também viriam a ser grandes pilotos, e a quem o nosso Kartismo muito deve. Outros se integrariam em seguida, como Fernando e Gilberto Cogo, Busato, Arnaldo Fontanella, Neri Lago, Cesar Ghighi, Job Iaione Filho, Luiz Carlos Tizatto, Nilson Grazziotin e Ivan Tissot. E agregados nesse entusiasmo, MoscaTissot, Canfield, DalPont, Marson, Helbling, Carlos Martins e tantos outros.

Paulo Trevisan levou a segunda prova
A segunda prova no trevo da perimetral para Porto Alegre, com largada dada por Italo Bertão, foi vencida por Paulo Trevisan e João Carlos Klaus e em segundo lugar Mauro Machado que formara uma equipe bem estruturada com saudoso preparador Alexandre Tagliari. Mauro já usava capacete personalizado e macacão de piloto de verdade, já que a maioria dos macacões era de postos de combustível e até fardamento de frigorífico.

Terceira prova: Hélio Ughini vencedor
A terceira prova foi no mesmo trevo e Paulo Trevisan e João Carlos Klaus, mesmo tendo vencido duas das quatro baterias, ficaram em segundo na geral, perdendo para Hélio Ughini, que viria a se tornar um grande expoente do kartismo de Passo Fundo até os inicio dos anos 90. Aliás, desses pilotos pioneiros vários seriam campeões gaúchos nos anos 70/80. O destaque foi Roberto Tasca, bicampeão gaúcho pela famosa equipe Semag de Porto Alegre. Hélio Ughini e João Carlos Klaus também viriam a ser campeões estaduais.
 
Sérgio Ughini venceu a quarta prova
A quarta prova, datada do mês de novembro, retornou para o centro da cidade, com largada na Avenida General Neto, em frente da Garagem São José. Passava defronte a antiga Ford, hoje Banco Sicredi, e contornava o posto de combustível, na esquina com Rua General Osório. Corriam para retorno no meio da quadra e faziam em alta velocidade a esquina da antiga Casa Rayon. Foram pegas sensacionais entre Sergio Ughini, Hercules Borges e Paulo Trevisan, cada um vencendo uma bateria, ficando como fita azul final, Sergio Ughini. O público era imenso e significava realmente um acontecimento na cidade. A imprensa noticiava os preparativos e fartamente os resultados, e o radialista Meirelles Duarte sempre esteve presente e apoiando, como até hoje, faz por gosto pelo kartismo.




(Momento da largada de uma das provas de quatro décadas atrás / FOTOS ARQUIVO PESSOAL/ PAULO TREVISAN E MARCO DAMIAN)

Sem campeão
As oito corridas, do primeiro campeonato não definiram o campeão, pois o regulamento não era claro e houve muitos vencedores, em cada prova e em cada bateria. Mas, uma coisa importante aconteceu. A Associação Automobilística de Passo Fundo-AAPF (hoje Kart Clube de Passo Fundo e voto na FGA) já começava a falar e discutir a necessidade de construir um kartódromo. A primeira reunião oficial, conforme Paulo Trevisan, que guardou todo o material de época, aconteceu no Bar dos Bresolin (o famoso Roda Viva) ao lado do Clube Caixeiral.

O Kartódromo da Roselândia
A doação da área, na Roselândia, foi feita pelo proprietário, senhor Irady Laimer. As máquinas que aplainaram o terreno pertenciam ao senhor Lander Machado, e o combustível das máquinas, fornecido gratuitamente pelo piloto de carretera e entusiasta do kart, Ítalo Bertão. Assim, o empenho de apaixonados pelo automobilismo fez nascer a primeira pista, ainda de forma precária, lá pelos anos de 1975/1976.

Mas as maiores exigências do esporte só possibilitaram a inauguração oficial do atual kartódromo, em 1979. Nas décadas seguintes o kartódromo teve grandes apoiadores, como o prefeito Fernando Machado Carrion, com o asfaltamento, e, antes, do Prefeito Edu Villa de Azambuja. Nas décadas seguintes, das empresas Stédile, Bertol e outras, entusiastas do esporte.

O kartismo, como outros esportes, segue convivendo com momentos de grandeza e de crise. No geral, nunca mais recebeu apoio do poder público, mesmo que o kartódromo seja um patrimônio valioso para a comunidade. Este esporte é um formador de caráter e personalidade sadia e competitiva dos jovens, como os frequentadores o sabem. Muita água rolou na pista e fora dela, mas aí são outras inúmeras histórias.

Tudo nasceu lá em 1972 e por essa razão na prova final do Campeonato Gaúcho que acontecerá em novembro/2012, serão exibidos os velhos e valorosos karts dos primórdios desse esporte em Passo Fundo, pertencentes ao Museu do Automobilismo Brasileiro. Quem sabe para algumas voltas na pista? Com chuva ou sem chuva? O mais importante será o registro da memória daqueles que participaram desse feito.
 
Grande registro da história do kartismo em Passo Fundo. Com certeza muitas dessas informações foram provenientes dos arquivos do guardião da memória do automobilismo brasileiro, o meu amigo, Paulo Trevisan.
 
Fonte das imagens: Diário da Manhã - Passo Fundo, acervo Paulo Trevisan e Marco Damian.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Paixão pela velocidade

O amigo aí abaixo foi tema de uma ótima reportagem do site Autoestrada. Para conferir, cliquem aqui.


Toda essa movimentação em prol da preservação e valorização da memória do automobilismo gaúcho e brasileiro deve muito a ele. Muito mesmo...

Fonte da imagem: site Autoestrada.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

De volta ao Tarumã


A imagem acima era um indício do que estava para acontecer, poucos dias depois. Tal registro foi feito na garagem do Teodoro, no dia 25/11, durante o último encontro oficial dos Jurássicos em 2010. Acabei falando pouco sobre aquele encontro, que teve na pilotagem da grelha o "bota" Jorge Fleck, preparando uma excelente ovelha para a alegria de todos os presentes. A reunião foi ótima e contou com a presença de vários convidados como o "Castrinho", o Baldino, o Sérgio Pegoraro, entre outros, além de boa parte dos membros efetivos, é claro.


Pois bem, aquela conversa, na qual aparecem o "Carlinhos" e o "Né" Andrade, mais o Soldan, o "Nico" Monteiro e o Giordani, era parte dos acertos que uma experiência muito bacana na qual eles estariam envolvidos dias depois, mais precisamente no último dia 28/11.

Ao longo dos dois últimos anos que tive o prazer de integrar a Confraria, ficou claro o desejo do capo Giordani em pilotar um "auto" novamente. Fosse nas reuniões ou nos e-mails ele sempre era o primeiro a sugerir atividades em pista, algo que pudesse ser feito com segurança, mas com alegria e diversão. Assim surgiu a oportunidade de alguns dos "Jurássicos" pilotarem os Volvos C30 da Eurobike, preparados pela MC Competições, da Família Andrade. Esses carros são utilizados na escola de pilotagem e tem como instrutores, além dos Andrade, o também Jurássico Victor Steyer e o amigo Airton Diehl.

Cinco Jurássicos toparam participar da experiência no Tarumã: Giordani, "Nico" Monteiro, "Chico" Feoli, Paulo Trevisan e Walter Soldan. Infelizmente não pude acompanhá-los, mas na última semana a movimentação de e-mails e fotos foi intensa e muito bacana. A turma ficou super empolgada e certamente uma experiência semelhante deve ocorrer novamente.



O texto com o relato completo do Giordani sobre o evento, além de algumas ótimas fotos, está lá no blog Pilotos Jurássicos Gaúchos. É só clicar no link e conferir.

Pelos comentários dos Jurássicos que pesquei nos e-mails(faltou só o do "Chico")dá para sentir um pouco do que foi aquele dia.

Giordani: "fazia tempo que eu nutria o desejo de voltar a pilotar, ficando a convidar meus amigos a fazerem o mesmo, até que esta oportunidade surgiu e não deixamos fugir; sonhava, me vendo a bordo do meu DKW 88 ou no Corcel 30 com quem partilhei com o Décio Michel diversas corridas, ou ainda Opala 12 e um Maverick, últimas viaturas que pilotei, no final dos anos 70. A pista está muito modificada e muito melhor do aquela que andei a mais de trinta anos passados; tem mais grip, curvas foram alargadas permitindo melhor performance nas mesmas, " as latas" estão mais longe do asfalto, enfim, muito boa mesmo."

Trevisan: "foi divertido, e com certeza cada um de nós estava DESAFIANDO A SÍ PRÓPRIO. Esses quatro outros pilotos estão na minha lista de ídolos e cada um a seu tempo e categoria...Como é bom observar o traçado e pontos de frenagem desse gênio da pilotagem que é um Soldan! Como é bom ficar algumas voltas na sua frente(ele saia depois de mim do box, é claro) e ver onde ele vai dar o bote. Como é bom até ser ultrapassado pelo Soldan! Como é bom a gente fazer tempos finais na pista com diferenças de centésimos dele e do Feoli, que para mim foi a maior surpresa do dia pelo tempo de inatividade.Tenho certeza que nesses carros e com grande nºde voltas tirariam um boqueirão pela absurda regularidade."

Soldan: "a pista está ótima e os carros excelentes. A técnica de limitar as rotações permitiu aos velhos pilotos uma adaptação gradual e constante. O Bob Giordani se estabeleceu como o piloto mais velho até o momento que participou do projeto. Todos estranharam muito a tração dianteira e, principalmente, o tempo de “desuso”. Explico melhor. Todos andaram no passado em carros com tração traseira, exceção feita ao Bob Giordani que pilotava carros com tração dianteira, um DKW a mais de 30 anos atrás. Quem mais tinha experiência em tração dianteira era eu e, além disto, havia pilotado mais recentemente, coisa de 8 ou 10 anos atrás. Em função disto me adaptei mais rapidamente. Entretanto, exibido que sou, quase amassei o carro no Laço. A rodada foi tão ridícula que o Nério perguntou quem era o “morto” que pilotava o Volvo #6."

"Nico": "quando liguei aquele motorzão parecia que meu coração ia saltar pela boca. Engatei a primeira e sai devagar dos boxes quando vi já estava na curva do Laço. Senti uma grande diferença, pois até Domingo (28/11/2010) eu só havia pilotado carros com tração traseira. Fiz a 9 em quarta marcha, mas logo chegava a 4000 RPM e tinha que colocar a quinta. Cheguei rápido na curva 1 que foi alargada e fiz o mergulho em quinta, mas não estava sentindo o carro na mão...Na terceira bateria eu já estava sentindo o carro mais na mão e consegui então uma pilotagem tranquila sentindo um imenso prazer. Depois de mais de 30 anos sem pilotar estava de volta em Tarumã pilotando um carro maravilhoso, dócil, com as reações previsíveis e fácil de pilotar. A experiência foi maravilhosa que espero repetir em breve."

Muito bacana a ideia. Todos os cinco destacaram o alto grau de profissionalismo da Eurobike, da MC Competições e de seus integrantes ao longo de todas as atividades, fosse nas instruções teóricas ou mesmo na pista, portanto parabéns à Eurobike, MC e aos Jurássicos que pisaram fundo nessa ideia. Que venha a próxima!

Fonte das imagens: arquivo pessoal e arquivo Jurássicos.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Quebrou o reboque

Retomando, aos poucos, depois de um final de semana de muita atividade (fora do blog...).

Recebo entusiasmado e-mail do amigo Jurássico "Nico" Monteiro, após receber outro do também amigo Jurássico Paulo Trevisan: Sanco, estou enviando uma "preciosidade" que o Paulo Trevisan mandou via e-mail. Esta foto é da minha chegada a Tarumã, rodando com o AC, pois o reboque tinha quebrado naquela tarde!!! O Paulo informou que o registro foi feito com uma maquininha Kodak Rio 400. Demais.


Na sequência, veio mais uma mostrando o alinhamento para o desfile de inauguração do Tarumã, com os carros posicionados na curva 8. Lembro de ter visto uma imagem semelhante, que me fora enviada pelo Mário Estivalet. Aparece o AC #41 do "Nico" e muitos outros. Vejam esses carros e tentem identificá-los. Só mesmo vindo do baú do Paulo. Sensacional.


Fonte das imagens: arquivo Paulo Trevisan, cortesia de "Nico" Monteiro.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Fala, Paulo

Há alguns dias o Portal Maxicar publicou uma entrevista com o amigo Paulo Trevisan, ele mesmo que aparece aí embaixo acelerando um kart numa prova em Passo Fundo, 1971.


Paulo respondeu a várias perguntas, dando detalhes sobre o novo Museu que está em construção, falou sobre dificuldades e alegrias vividas ao longo de vários anos dedicados ao resgate e preservação da memória do automobilismo nacional.

Se o Paulo passar por aqui, gostaria de saber dele se o coração dói muito ao ver outras pessoas acelerando seus bólidos na pista. Eu não teria a mesma coragem dele...

Não percam a entrevista. Vale a pena!

Fonte da imagem: arquivo Maxicar.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dois "novos" habitantes

O Paulo Trevisan, que ainda deve estar com um sorrisão por conta do último sábado, enviou registro do Diário da Manhã de Passo Fundo, circulado no dia de hoje.


O Fusca da Gaúcha Car, já conhecíamos. Trabalho impecável. Agora vamos combinar: ficou BALA essa Brasília, hein?

sábado, 21 de agosto de 2010

Novidades no Museu

E acontece hoje, no Museu do Automobilismo Brasileiro em Passo Fundo, a apresentação da réplica de um carro que em 1974 saiu de Porto Alegre para entrar para a história das competições automobilisticas. Por iniciativa do incansável Paulo Trevisan, que estava tratando do assunto já há algum tempo com o protagonista dessa história, o VW Brasília, participante do incrível Rally London/Saara/Munich pelas mãos do piloto Cláudio Mueller, passa a fazer parte do acervo do Museu. A réplica começou a ser preparada há poucos meses, como nos mostram as imagens abaixo enviadas pelo Paulo, em meados de Julho.

O entusiasmo com o qual o Paulo está lidando com esse carro é nítido. Exemplo disso pode ser percebido na primeira imagem abaixo: uma relíquia do Museu, a Maserati 4CM chassis 1555 de 1938 foi preterida em função da Brasília.



E a apresentação do carro não poderia ser em melhor local e momento. Será feita no próprio Museu, com a presença do piloto, patrocinadores da época, a turma dos Jurássicos, a turma do Clube Porto Alegre de Rallye, a Confraria da Gasolina de Passo Fundo entre outros convidados. Além disso, o Fusca da Equipe Gaúcha Car, participante da Volta da América do Sul em 1978, que estava no Museu da Ulbra, também terá seu lugar em Passo Fundo, contando também com a presença de seus pilotos e patrocinadores. O Gol dos irmãos Azambuja de Passo Fundo, campeões sulamericanos em 1996, será outra atração. O evento marca assim a inauguração de um espaço de carros de Rallye dentro do belo Museu.

Como se não bastasse, Paulo preparou aos visitantes outra novidade, a inauguração de um espaço paralelo, de pequeno porte, sobre o Radialismo e Jornalismo esportivo de Passo Fundo.


Ainda sobre o Rally de 1974, denominado WORLD CUP RALLY, já falamos aqui antes, mas sempre vale lembrar: foram 19.000 Km, atravessando 19 países, Inglaterra, França, Espanha, Marrocos, Algéria, Niger, Nigéria, volta para Niger, Nigéria e Algéria, Tunísia, Cecília, Itália, Turkia, Grécia, Yugoslávia, Austria e Alemanha. 63ºC acima de zero no SAARA para 15ºC negativos nos álpes Austríacos. Tudo isto, com uma simples BRASÍLIA Volkswagen. O fato é, que ainda hoje este fato causa espanto, pela ousadia de seus protagonistas Carlos Guido Weck, navegador e Cláudio Mueller, piloto. É uma HISTÓRIA muito interessante e que vale ser relembrada.

Sem dúvida, quem lá estiver vai prestigiar um grande momento. O Paulo já mandou um pedido ao Cláudio: que o quebra-sol com as assinaturas dos participantes daquela grande prova seja instalado no carro durante a apresentação no Museu!!!



Infelizmente não estarei presente, mas assim que receber notícias de lá, repasso.

Ah, sim. O Cláudio Mueller é a resposta para o último Desafio, que mostrava um Bino transformado em Super Vê para o campeonato daquele mesmo ano, 1974. Mas eu falo mais sobre isso em breve. Ou quem sabe nosso querido Cláudio nos conte.

Fonte das imagens: arquivo Cláudio Mueller e Paulo Trevisan.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Tudo o que é bom dura pouco

Demorei para finalizar meu relato sobre o Blog Speed Day. Os blogs parceiros já estão a mil em outros temas, mas mesmo assim, para fins de registro, queria encerrar meus escritos sobre aquele final de semana.

Acordei no Domingo em Passo Fundo anestesiado pelas emoções de Guaporé. No café da manhã no hotel todos pareciam crianças no primeiro dia de férias. Cada um com uma marca daquele dia fantástico. O Vicente apareceu com os braços queimados do sol, dizendo que estava fantasiado de Jornal dos Esportes. Claro que eu não entendi nada, mas ele explicou que no Rio havia o tal jornal que tinha uma parte rosa, a capa e contracapa, e outra branca, assim como ele, um sarro. Foi ali que descobri que o Regi Nat Rock havia sido "mordido" pelo Kaimann, no sábado, quando ele estava empurrando a barata nos boxes. Ele mostrava orgulhoso a "mordida" no calcanhar. O Jan Balder era só alegria por ter pilotado novamente aquele carro que foi seu há 35 anos. E assim eram todos ali presentes. Cada um com uma lembrança, uma história daquele sábado mágico.

Check-out no hotel, não sem antes aproveitar o papo para pegar o autógrafo do Jan e mostrar a ele a foto que naquele exato momento estava indo ao ar como o Desafio daquela semana aqui do blog, aquela foto em que ele está em Tarumã, de capacete, ao lado do Fusca. Ele contou detalhes de sua participação, do carro, quanta coisa legal.

A programação daquele último dia incluia duas visitas que em muito me surpreenderam. O Paulo Trevisan passou no hotel por volta das 08:45 e seguimos uns 10 minutos de carro até chegar na garagem da Família Azambuja. Olhando de fora eu não tinha noção do que veria. Fomos recebidos pelo Sr. Wilson e depois pelo Roberson Azambuja e ao entrar pela porta, um sem número de carros apareceram na nossa frente, de várias décadas, de várias marcas e com muita história em cada um deles.


Carros que eu nunca tinha visto, como VW SP1, Uirapuru, Democrata, Simca Jangada entre tantos outros, todos alí, brilhando, prontos para uma volta. Bem que gostaríamos, mas seria pouco provável. Uma coleção incrível e o mais incrível é que eu não sabia da sua existência, alí, tão perto. Uma rápida olhada na oficina e num outro depósito, onde estão mais outros inúmeros carros prontos para serem restaurados. Já falta espaço para tantos carros. Era engraçado quando eu fazia uma pergunta, sobre algum exemplar. Rapidamente já havia uns três ou quatro blogueiros ajudando. Fiz uma sobre as diferenças entre o SP1 e o SP2 e o Ceregatti, o Eric e o Belair deram as respostas na hora. Mais rápido que o Google. Essa turma sabe muito. Era uma seleção de craques. Observamos que haviam vários exemplares do Simca Jangada. O Roberson explicou que no início dos anos 60, quando houve o grande "boom" do trigo na região, ter uma Simca Jangada era sinônimo de status, pois era um dos carros mais caros daquela época. Quantas histórias.






O tempo foi pouco para apreciar tudo. Alí precisavamos de um dia inteiro, no mínimo, mas o Blog Speed Day já estava por terminar e ainda havia mais uma última parada antes da despedida de Passo Fundo: um churrasco na Fazenda dos Graeff, onde repousam verdadeiras raridades. A turma dos Graeff é conhecida por sua coleção de Opalas, mas vários outros modelos Ford e Chevrolet fazem parte do acervo dessa incrível família. Quando da chegada do Sr. Oscar Graeff, o mesmo foi praticamente cercado para que fosse possível ouvir suas histórias e explicações. Demais.




O churrasco de ovelha estava perfeito. A churrasqueira, pilotada com muita habilidade pelo Piti e o Luis Fernando Graeff, estava em sua capacidade máxima. O acompanhamento era cuca, que o pessoal do sudeste chamava de panetone. Daí, no meio daquela festa toda, um pirralho começa a me puxar e dizer alguma coisa. Era o João, filho do Francis com apenas 2 anos e 4 meses. Ele dizia: gol, gol, um gol e apontava para a rua. Eu pensei: esse piá deve estar querendo uma bola, algo assim. Daí, surpreso, ou melhor, completamente abobado, entendi que ele estava me mostrando um VW GOL!!!!!!! PARA TUDO!!! Oh, Francis, olha o que o teu piá está dizendo! O papai, todo orgulhoso me disse apenas: tu não viste nada. Pergunta para ele qual o carro que ele mais gosta. E aí, guri, qual o carro que tu mais gosta: OPALA, respondeu o fedelho. E o Francis: agora diz para ele qual o que a mamãe mais gosta: MAVERICK. Virei fã do guri na hora.


Assim eu percebia a dimensão dessa paixão em comum entre todos que ali estavam. Do Sr. Oscar ao pequeno João. Pessoas de diferentes idades, locais, sotaques, costumes. Pessoas que nunca haviam se visto antes, mas cultivam o gosto pelos automóveis, pelas corridas, pela velocidade, o cheiro da gasolina.

O Blog Speed Day, no fim das contas foi isso. Emoção, conhecimento, adrenalina, velocidade, história, amizade, alegria, abnegação, felicidade.


Sou um privilegiado por ter feito parte desse grupo, por ter sentado e acelerado nas baratas e por conhecer um monte de gente especial. Valeu, Saloma, Jan e Teresa, Vicente e Denise, Eric, Regi (cuidado com os Kaimanns soltos por aí), Vitão, Rodrigo, Francis e família da Poeira (Gol, Gol, Gol!!!), Cerega, Guilherme, Anselmo, Aun, João Cesar, Lucca, Seabra, Joca (parabéns pelos 200k!), Zullino, Belair (feliz aniver atrasado!), ao Sr. Wilson e ao Roberson Azambuja, à Família Graeff, Oscar, Piti, Luis Fernando, Dudu (esqueci o nome das senhoras Graeff), ao Larri, o Mosquetta, o Erlon, o Leonardo, ao Arlindo e Luciano Marx e ao Mestre Marcos, meca das baratas e ao demais mecas do Museu.

Mais alguém? Sim, um agradecimento maior ao incrível Paulo Trevisan, um apaixonado que não mediu esforços para receber a turma no Museu, deixar todos à vontade e ainda por cima não teve medo de emprestar seus "brinquedos" para um grupo de malucos. O Paulo foi um dos maiores incentivadores desse espaço no início, lá em Julho de 2007 e tenho a sorte de tê-lo como um amigo. Ele tem todo o meu respeito e admiração.

Nunca mais esquecerei dele falando no box em Guaporé, enquanto eu ainda me adaptava ao JQ Reynard: vai, Sanco! Vai, vai, vai...


Tudo o que é bom dura pouco? Pode ser, mas na mente daqueles que passaram por essa experiência, isso jamais vai acabar. Ainda me vejo acelerando as baratas e o sorriso no rosto de todos por terem feito o mesmo.

Valeu!

Fonte das imagens: arquivo pessoal e Leonardo Panisson.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Engasgado na própria alegria

Bandeira vermelha em Guaporé, mais ou menos meio dia. O Comandante Paulo Trevisan interrompe as atividades para a turma reabastecer o estômago. Nesse momento, o Jan Balder dá uma entrevista ao próprio Paulo, contando como é a experiência de guiar novamente aquele Divisão 4 que foi seu em 1975. Jan é só felicidade e um cara muito legal. Receptivo, gosta de um papo e de contar suas histórias. Paulo valorizou muito aquele momento. Foi muito bonito. Na sequência o Joaquim, pessoa de extremo conhecimento em se tratando de automobilismo e com uma grande experiência de vida, falou ao Paulo. O Joca é um exemplo de blogueiro que de "comentarista" passou a ter o seu próprio espaço. Mais do que justo, pois o que esse cara sabe não é brincadeira.


Almoço na companhia dos amigos. O papo vai longe. Na mesa estava a turma com a camisa do Speed Channel. O tiozinho do restaurante pergunta se eles são do Curva do S. O Guilherme que veio de Minas (e acelerou também) confirma. O tiozinho fica muito faceiro e diz que assinou a TV a cabo só por causa do canal. Legal aquele encontro. Aquela turma significava muito para o tiozinho e sua família. O que estava acontecendo no autódromo significava muito para todos nós.

Voltamos para o autódromo e os carros já estavam na pista novamente. Na chegada vejo o Joca se divertindo no Espron. Algumas baixas pela manhã diminuíram o número de relíquias. O Ômega teve problemas com o radiador ou as mangueiras, se não estou enganado. O Polar, ainda em fase de acerto, deu poucas voltas com o Jan pela manhã e logo encostou. Se eu pudesse andar nos demais seria ótimo, mas o meu divertimento aquela altura era assistir aos amigos entrando e saindo dos carros como se estivessem cruzando o limite com uma outra dimensão. Era um negócio maluco e o Paulo incansável, dando orientação para todos, com o Marcos e sua turma de fé sempre no apoio.

A adrenalina já tinha baixado, o tempo tinha passado, já estávamos no meio da tarde. A ansiedade há muito tinha ficado para trás. Ali só havia paz, alegria, bons fluidos. Seria ótimo poder fazer isso mais vezes, penso.

Daí o amigo Belair chega para mim e pergunta: "Sanco, cê já andou no Aldee?" Eu não tinha andado e rapidamente me acomodei dentro da barata, com a ajuda do próprio Belair nas instruções. Ligo a geral, bomba #1, ignição. O motor pega fácil, vamos ver o câmbio, VW, então esse vai ser legal.


Naquele momento eu sentava no carro que - sem exagero - foi o responsável pelo retorno dos construtores de protótipos que há tempos estavam inativos no país. Me lembro que quando abri a revista Auto Esporte #300 que trazia a cobertura das Mil Milhas de 1990 e ví a foto daquele carro, não tinha ideia do que estava por vir. O Almir Donato, construtor do carro, participou daquela Mil Milhas e acabou vencendo na categoria até 1600 cc, chegando em quinto na classificação geral. Logo depois veio a ideia de fazer uma evolução do modelo, já com estrutura tubular. O carrinho continuava obtendo sucesso em competições de Endurance e em cerca de quatro anos já tinha conquistado o país. Me lembro também das 12 Horas de Tarumã de 1994, quando dois Aldee foram trazidos de São Paulo. A comprovação do sucesso era evidente. Um deles foi o pole position, o outro venceu a corrida. Os Aldee haviam caído no gosto de pilotos, equipes e público. As provas de longa duração voltavam a incluir uma categoria para Protótipos/ Força Livre, outros construtores começavam a tirar da gaveta projetos há muito guardados. No Rio Grande do Sul, destaque para o protótipo construído por Paulo Barreto (atualmente pertencendo ao acervo do Museu), vencedor de várias provas, o MC Tubarão começava a tomar forma. Mais tarde o MCR entrava nas pistas para concorrer com a nova geração dos Aldee, os Spyders. Hoje são inúmeros protótipos competindo e mais outros tantos sendo construídos. O automobilismo brasileiro mudou, tudo isso graças a esse carro que eu começava a acelerar.

Até então eu havia guiado o JQ Reynard, o Fitti-Vê e o Kaimann F-Fiat. Esse era o primeiro carro fechado. O capacete encosta no teto, me acomodo um pouco mais para baixo. O ronco do motor reverbera dentro do habitáculo, o conta giros tem a luz que avisa quando estamos no limite, fixado em 5000 rpm. Pneus slick da Michelin. São bem largos. O carro é bem estável, mesmo com a traseira leve. Motor e tração estão na dianteira. Primeira volta lenta, mas não demora para perceber que a brincadeira será das boas. O câmbio VW sempre foi o meu preferido, testo a terceira, quarta e quinta para ver se entra como espero. Perfeito. A adrenalina volta rápido, a empolgação idem. Esse carro é uma delícia.

Curva da Vitória, a luz do giro acende, estamos em 5000 rpm, a quarta entra rápido, como esperado, no meio da reta, a luz acena de novo, vamos em quarta, sem exigir muito para ver como é o freio. É duro. Lembro do kart e das primeiras recomendações que o Sr. Moretti me dava: "não freia dobrando!!!" Mas estou rápido e tenho de continuar com o pé no pedal ainda duro na entrada da curva. Hmmm, o carro parece melhor que o JQ Reynard nas curvas. Claro que é só impressão, pois o monoposto foi construído exclusivamente para competição. Esse aqui é um Gol modificado. Mas que trabalho bem feito do Almir! Já na segunda volta, a curva 2 passa rápido e a retomada é um tiro, olha só, ainda não tinha passado na zebra de fora, uau!!! Já fiz amizade com o câmbio, com o freio, com as zebras, está tudo em casa. Saída da curva do túnel e mais uma lembrança de Guaporé: na primeira vez que vim aqui, em Novembro de 1990, assisti a três provas de uma mesma programação, a Fórmula Ford regional, a Fórmula 3 Sulamericana (o Barrichello retornava da Europa e correu aquela) e o Gaúcho de Marcas, que fez uma prova noturna. Me lembro direitinho que havia alguns carros com quatro e outros com cinco marchas. Os com quarta (longa) cambiavam no meio da retinha antes do Radiador. Os com quinta, colocavam a quarta logo na saída da zebra e a quinta já na tangência do Radiador. Da posição que eu estava eu conseguia ver exatamente os movimentos dos pilotos dentro dos carros. Era um barato. Agora era eu que estava alí. Não havia ninguém do lado de fora - ainda bem - e eu tentei fazer o mesmo, bem rápido. Saída da zebra, luz do giro, quarta, esse motor é uma bala, luz de novo e lá vai a quinta, e... não, TERCEIRA!!!!!! Putz, que cagada. Olho no espelho, ninguém atrás como testemunha. Passo lento pela reta do box, aguardando a placa dizendo alguma coisa tipo BRAÇO DURO, MÃO-DE-PAU (lembrei do meu amigo Lambe-Lambe), mas tudo estava em ordem. Vamos com mais cuidado dessa vez. Ainda não foi agora que enfiei a quinta na reta e o motor 2.0 já começa a perder a paciência comigo. Frenagem forte, a curva 2 é feita rápido e a zebra de fora é visitada novamente. Esse negócio está ficando sério. Ai ai ai...

Eu não estava ali para testar limites. Ninguém estava. O objetivo era diversão, praticar a história do automobilismo ao lado de pessoas que, sem esperar nada em troca, se dedicam a isso, mas o motor, mesmo em quinta - que entrou direitinho - gritava alto na entrada do Radiador e eu pensando: será que dá para fazer flat? Por algumas voltas eu me fiz essa pergunta. A velocidade era alta, esse carro deve chegar fácil nos 190, 200 km/h no final do retão. Era irresistível, mas uma rápida aliviada no acelerador na entrada da curva me deixou mais seguro. Mesmo assim o contorno é rápido e a freada é forte para entrar no S. As freadas ficaram mais fortes a cada volta. No final da reta, mesmo em quinta marcha, a luz do giro já vinha acesa. Os braços indicavam que aquela experiência não era mais brincadeira. O carro está muito bem acertado, ele poderia facilmente participar das provas da Endurance. Que coisa de louco! Essa é a última volta. Que pena... Acho que encerro aqui a minha participação dentro da pista. As nuvens escuras já estão sobre Guaporé. Já dá para ver uns pingos caindo.

Chego no box realizado e ao descer do carro, o Paulo pede que eu dê um depoimento ao Speed Channel que nos acompanhou o dia todo. O Mosquetta, um gente boa que começou filmando casamentos e agora é O CARA das filmagens do esporte a motor aqui no RS, me diz para falar meu nome e o nome do blog. Foi difícil até dizer meu próprio nome. Eu estava meio que engasgado na própria alegria. Ele perguntou o que significava aquele encontro e aí eu começei a falar.


Quando a gente está emocionado, fala bobagem, exagera, mas não tinha como não ser assim. Lembrei de quando eu era um piá e das corridas daquela época e de como as lembranças mais remotas da minha vida se confundem com os carros, os pilotos, as corridas. Quando é que eu iria imaginar que poderia voltar no tempo e ver uma baratinha daquelas andando comigo ao voltante? Nem em sonho, meu amigo. Nem em sonho.

A chuva vem cumprimentar a todos. Não havia ninguém sem um grande sorriso no rosto. O grupo se reune para uma foto. Continuava chovendo, mas ninguém se importava. O Paulo ganha um merecido e longo aplauso por tudo o que ele faz em prol dessa paixão em comum de todos nós. Voltamos para Passo Fundo, mas antes fui fazer uma visita que em todas as vezes que estive em Guaporé adiei. A gente sempre saia do autódromo cansado, querendo voltar logo e a visita ao Cristo Redentor era sempre adiada. Mas dessa vez, não teve desculpa. O Anselmo me acompanhou. Lá do alto é possível ver a cidade toda. Um agradecimento por tudo que vivemos nesse final de semana é o mínimo que posso fazer. A gente volta conversando, não acreditando no que tinhamos feito. Se desse, a gente não saia mais do autódromo.




Encerravam-se ali as atividades do sábado, mas o domingo ainda nos reservava mais surpresas. Conto isso em breve.

Fonte das imagens: arquivo pessoal e Francis Trennepohl.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Embrulha esse para levar, por favor.

Entrar e sair do Fitti-Vê foi um exercício de contorcionismo. Cockpit estreito, tive de cuidar para não bater em nada. Já pensaram quebrar alguma coisa naquela relíquia? O carro foi construído em 1966 e pilotado pelo Emerson no ano seguinte. Estava diante do único exemplar ainda vivo do Fitti-Vê. Passei a conhecer e acompanhar mais sobre esse carro e a categoria no site do Mário Estivalet, um expert no assunto, aqui de São Leopoldo. Quando se percebe as formas da barata, os equipamentos utilizados para sua construção, uma certa revolta vem à mente: por que não temos mais uma categoria escola no país? Uma rápida pesquisa dias depois no www e vejo várias categorias de FVê ainda em atividade pelo mundo. Será que um dia teremos novamente uma categoria assim? Um passarinho me contou e acho que teremos sim. O que vocês sabem sobre isso Cerega, Zullino, Lucca, etc?

Pergunto pro Paulo onde está o cinto e ele diz que não tem (!). Uma rápida arranhada na primeira, solto a embreagem rápido para não forçá-la, giro alto e lá vamos nós de novo. Câmbio suave, suspensão e motor idem. Uma belezinha. É claro que a carga emocional é menor, afinal o batismo já tinha acontecido antes e também eu conhecia pouco sobre os Fórmula Vê, ao contrário de uma dezena de experts que passaram o dia falando e andando naquele carrinho. Mesmo assim, aproveito o momento raro, que acaba passando rápido. O Paulo disse para não deixar o motor morrer na entrada do box, chego acelerando para manter o giro alto. Vejo o Tio Zullino com seu capacete vintage e óculos especiais - para enxergar os instrumentos, como disse o Vicente - já pronto para entrar e acelerar. Rápida troca de "pilotos" (na verdade o Zullino pilota mesmo, na Classic em SP), e o Fitti-Vê estava novamente em ação. E o Paulo sempre dizendo "VAI, VAI, VAI!!!"




Um breve descanso. Se o dia terminasse ali eu já estava mais do que satisfeito. A movimentação era intensa. Aquilo parecia festa de confraternização da turma que fez um bolão e acertou na mega sena - se é que isso existe, claro. Mas acho que mesmo na turma da mega, deve haver muita inveja, discórdia, pois sempre tem um que apostou uma grana a mais que o outro, a ganância aflora, dane-se a amizade. O que vimos em Guaporé foi um grande companheirismo. Todos faziam questão de ajudar os demais naquilo que pudessem. Parou um carro, o novo piloto é mais "gordinho"? Já tinham uns três sobre a barata para ajustar o cinto, regular espelhos, alcançar equipamentos de segurança, enquanto os outros iam fazendo fotos e eternizando aqueles simples mortais entrando e saindo maravilhados daqueles carros que mantém viva a história do automobilismo do Brasil de antigamente. Encontrei outros amigos, o Mosquetta, o Erlon e o Arlindo e Luciano Marx. Fui dividir a minha alegria com eles. Os Marx levaram o Escort a convite do Paulo e deram algumas voltas por lá. O Mosquetta estava filmando para o programa do Speed Channel que irá ao ar em breve. O Erlon acabou fazendo fotos bem legais.

Entrou o Fórmula Fiat, carro que me deixou muito feliz ao vê-lo no caminhão em Passo Fundo. Dias antes do evento, o Paulo mandou uma lista com as baratas que estariam à disposição e esta não figurava entre elas. A felicidade se explica: o primeiro ano da Fórmula Fiat no Brasil foi em 1981, quando a VW tirou o patrocínio das categorias de monopostos e dos Passats. A Fiat, que fazia um baita sucesso nas pistas - com a pancadaria entre os 147s - decidiu apoiar os monopostos e assim, os chassis que estavam parados receberam a motorização italiana. Eu lembro dessas provas e o Kaimann, chassi que estava lá em Guaporé, era o meu preferido, por suas linhas agressivas. O chassi de propriedade do Paulo é um 1974 em perfeito estado de conservação. Entro no carro e a posição é super confortável. Muito espaço lateral e para os pés, que inclui ainda um descanso para o esquerdo. Quando me dou conta o Ceregatti está fazendo várias fotos desse momento. Ele percebe a minha alegria. O Ceregatti estava em alfa, era sem dúvida o mais brincalhão entre todos. Estar junto dessa turma foi incrível.




O motor não pega. O Marcos faz de tudo. Cara esforçado, competente, atencioso com todos. Bom vê-lo a mil de novo. Descobri que ele acompanha o Paulo há 18 anos, desde o tempo em que o Paulo corria no Gaúcho de Fórmula Ford. Eram oito carros precisando de atenção quase que o tempo todo e era raro algum ficar estacionado por muito tempo. Tentamos mais uma vez, o motor roncou alto para não apagar mais. A posição de guiar é ótima. A melhor até então. Poderia ficar horas ali curtindo. Uma esticada forte na saída do box (piloto de box, como disse o Mosquetta) e já noto a dianteira meio solta. Não é tão estável quando o JQ Reynard, mas o câmbio é melhor. Mesmo assim, é possível acelerar bastante e se divertir de novo. Mais algumas voltas, o motor meio embrulhado, mas na entrada da reta ele vem cheio, uma delícia. Nas reduções o motor pipoca. Como é legal ouvir isso de dentro do carro. Já me perdi nas voltas. Não tem ninguém na mureta acenando, acho que é a última. Vou devagar, aproveitando cada segundo. Se desse, eu levava esse pra casa.


Em breve a experiência na última barata.

Fonte das imagens: João César, arquivo pessoal (Valeu, Comendador!) e Erlon Radl.