O último Desafio foi mesmo interessante. Primeiro pelo carro, um Fórmula Vê, dos idos dos anos 60 que poucos aqui no sul tiveram a oportunidade de ver. Alguns deles chegaram a ser utilizados na escola de pilotagem do Cláudio Muelller, após a inauguração do Tarumã e houve até uma prova em 1973, como tentativa de realização de um Campeonato Gaúcho, que acabou não se concretizando.
Boa parte das respostas ao Desafio, lembraram o nome do Raffaele Rosito, afinal ele fora o único gaúcho a competir na Fórmula Vê nas provas disputadas no Rio de Janeiro e São Paulo. Mas se não era ele dentro daquele Aranae, afinal quem era?
O "piloto" em questão era Wilson Drago de Oliveira, o preparador da barata. O grande achado me foi enviado pelo filho dele, o Felipe, com quem não falava há 12 anos. Eu já contei isso aqui. Em 1997, quando estava atrás de patrocínio para o projeto Baja, do qual fazia parte na universidade, fui até a Rikes Rolamentos aqui na Avenida Farrapos e apresentei o projeto a um cara, que "comprou" a ideia e nos forneceu vários rolamentos e mancais. Era o Felipe, que naquela oportunidade falou muito sobre seu pai. Mundo pequeno esse. 12 anos depois aqui estou eu falando sobre o pai dele.
Mas vamos tentar esclarecer o que o Drago fazia dentro do carro.

Ele realmente pertencia ao Raffaele Rosito e o #110 leva a crer que era o chassi que pertencera ao piloto carioca Bob Sharp, pois Rosito fez sua estreia na terceira prova do Campeonato Brasileiro de 1967, disputada em Interlagos, no dia 13 de Agosto, mesma prova na qual Bob deixou de competir com aquele Aranae e passou a guiar um chassi Fitti-Vê. A imagem abaixo ainda mostra Bob com o Aranae que mais tarde seria de Rosito.

Falando no Bob Sharp, Felipe me contou um fato interessante sobre ele e seu pai. Foi em uma prova na qual estavam descarregando os carros feitos pelos Fittipaldi do caminhão e deixaram cair o do Bob, que ficou bastante avariado. O Seu Drago encontrou com Bob em um bar e este estava chorando pelo acontecido, pois os Fittipaldi não haviam trazido os gabaritos para poder consertar. Drago disse a ele que podia consertar e o fez. Ele passou duas noites cortando e soldando o chassi e conseguiu deixar tudo pronto a tempo.
Depois dessas informações, acredito que no momento da foto, ainda não tinham pintado o #43 naquele carro, onde estava sentado o Drago.
Na prova de Interlagos, Rosito terminou em nono, após a disputa de três baterias. Na seguinte, no Rio de Janeiro, no dia 21 de Agosto, terminou em décimo.
Na imagem abaixo é possível ver Rosito ao fundo, no pelotão liderado por Emerson Fittipaldi.

Drago foi o preparador de muitos pilotos. Esteve com Alex Dias Ribeiro na Inglaterra, também esteve com Aldo Costa, Solon Radin, Chico Serra, Walter Travaglini, Renato Conill, Maria Cristina Rosito, Aroldo Bauermann, entre outros tantos.
Além da preparação, também participou como piloto em algumas provas nos anos 60. Estou aguardando mais material que o Felipe vai enviar.
Wilson Drago, hoje com 81 anos, ainda está na ativa, trabalhando em sua oficina em São Paulo.
Agradeço ao Felipe que mandou as informações, ao Júlio Cordeiro, que deu a dica dos resultados das provas e ao Mário Estivalet, que mantém o incrível acervo de todas as informações possíveis sobre a história da Fórmula Vê no seu
site.