Acordei no Domingo em Passo Fundo anestesiado pelas emoções de Guaporé. No café da manhã no hotel todos pareciam crianças no primeiro dia de férias. Cada um com uma marca daquele dia fantástico. O Vicente apareceu com os braços queimados do sol, dizendo que estava fantasiado de Jornal dos Esportes. Claro que eu não entendi nada, mas ele explicou que no Rio havia o tal jornal que tinha uma parte rosa, a capa e contracapa, e outra branca, assim como ele, um sarro. Foi ali que descobri que o Regi Nat Rock havia sido "mordido" pelo Kaimann, no sábado, quando ele estava empurrando a barata nos boxes. Ele mostrava orgulhoso a "mordida" no calcanhar. O Jan Balder era só alegria por ter pilotado novamente aquele carro que foi seu há 35 anos. E assim eram todos ali presentes. Cada um com uma lembrança, uma história daquele sábado mágico.
Check-out no hotel, não sem antes aproveitar o papo para pegar o autógrafo do Jan e mostrar a ele a foto que naquele exato momento estava indo ao ar como o Desafio daquela semana aqui do blog, aquela foto em que ele está em Tarumã, de capacete, ao lado do Fusca. Ele contou detalhes de sua participação, do carro, quanta coisa legal.
A programação daquele último dia incluia duas visitas que em muito me surpreenderam. O Paulo Trevisan passou no hotel por volta das 08:45 e seguimos uns 10 minutos de carro até chegar na garagem da Família Azambuja. Olhando de fora eu não tinha noção do que veria. Fomos recebidos pelo Sr. Wilson e depois pelo Roberson Azambuja e ao entrar pela porta, um sem número de carros apareceram na nossa frente, de várias décadas, de várias marcas e com muita história em cada um deles.

Carros que eu nunca tinha visto, como VW SP1, Uirapuru, Democrata, Simca Jangada entre tantos outros, todos alí, brilhando, prontos para uma volta. Bem que gostaríamos, mas seria pouco provável. Uma coleção incrível e o mais incrível é que eu não sabia da sua existência, alí, tão perto. Uma rápida olhada na oficina e num outro depósito, onde estão mais outros inúmeros carros prontos para serem restaurados. Já falta espaço para tantos carros. Era engraçado quando eu fazia uma pergunta, sobre algum exemplar. Rapidamente já havia uns três ou quatro blogueiros ajudando. Fiz uma sobre as diferenças entre o SP1 e o SP2 e o Ceregatti, o Eric e o Belair deram as respostas na hora. Mais rápido que o Google. Essa turma sabe muito. Era uma seleção de craques. Observamos que haviam vários exemplares do Simca Jangada. O Roberson explicou que no início dos anos 60, quando houve o grande "boom" do trigo na região, ter uma Simca Jangada era sinônimo de status, pois era um dos carros mais caros daquela época. Quantas histórias.





O tempo foi pouco para apreciar tudo. Alí precisavamos de um dia inteiro, no mínimo, mas o Blog Speed Day já estava por terminar e ainda havia mais uma última parada antes da despedida de Passo Fundo: um churrasco na Fazenda dos Graeff, onde repousam verdadeiras raridades. A turma dos Graeff é conhecida por sua coleção de Opalas, mas vários outros modelos Ford e Chevrolet fazem parte do acervo dessa incrível família. Quando da chegada do Sr. Oscar Graeff, o mesmo foi praticamente cercado para que fosse possível ouvir suas histórias e explicações. Demais.



O churrasco de ovelha estava perfeito. A churrasqueira, pilotada com muita habilidade pelo Piti e o Luis Fernando Graeff, estava em sua capacidade máxima. O acompanhamento era cuca, que o pessoal do sudeste chamava de panetone. Daí, no meio daquela festa toda, um pirralho começa a me puxar e dizer alguma coisa. Era o João, filho do Francis com apenas 2 anos e 4 meses. Ele dizia: gol, gol, um gol e apontava para a rua. Eu pensei: esse piá deve estar querendo uma bola, algo assim. Daí, surpreso, ou melhor, completamente abobado, entendi que ele estava me mostrando um VW GOL!!!!!!! PARA TUDO!!! Oh, Francis, olha o que o teu piá está dizendo! O papai, todo orgulhoso me disse apenas: tu não viste nada. Pergunta para ele qual o carro que ele mais gosta. E aí, guri, qual o carro que tu mais gosta: OPALA, respondeu o fedelho. E o Francis: agora diz para ele qual o que a mamãe mais gosta: MAVERICK. Virei fã do guri na hora.

Assim eu percebia a dimensão dessa paixão em comum entre todos que ali estavam. Do Sr. Oscar ao pequeno João. Pessoas de diferentes idades, locais, sotaques, costumes. Pessoas que nunca haviam se visto antes, mas cultivam o gosto pelos automóveis, pelas corridas, pela velocidade, o cheiro da gasolina.
O Blog Speed Day, no fim das contas foi isso. Emoção, conhecimento, adrenalina, velocidade, história, amizade, alegria, abnegação, felicidade.

Sou um privilegiado por ter feito parte desse grupo, por ter sentado e acelerado nas baratas e por conhecer um monte de gente especial. Valeu, Saloma, Jan e Teresa, Vicente e Denise, Eric, Regi (cuidado com os Kaimanns soltos por aí), Vitão, Rodrigo, Francis e família da Poeira (Gol, Gol, Gol!!!), Cerega, Guilherme, Anselmo, Aun, João Cesar, Lucca, Seabra, Joca (parabéns pelos 200k!), Zullino, Belair (feliz aniver atrasado!), ao Sr. Wilson e ao Roberson Azambuja, à Família Graeff, Oscar, Piti, Luis Fernando, Dudu (esqueci o nome das senhoras Graeff), ao Larri, o Mosquetta, o Erlon, o Leonardo, ao Arlindo e Luciano Marx e ao Mestre Marcos, meca das baratas e ao demais mecas do Museu.
Mais alguém? Sim, um agradecimento maior ao incrível Paulo Trevisan, um apaixonado que não mediu esforços para receber a turma no Museu, deixar todos à vontade e ainda por cima não teve medo de emprestar seus "brinquedos" para um grupo de malucos. O Paulo foi um dos maiores incentivadores desse espaço no início, lá em Julho de 2007 e tenho a sorte de tê-lo como um amigo. Ele tem todo o meu respeito e admiração.
Nunca mais esquecerei dele falando no box em Guaporé, enquanto eu ainda me adaptava ao JQ Reynard: vai, Sanco! Vai, vai, vai...

Tudo o que é bom dura pouco? Pode ser, mas na mente daqueles que passaram por essa experiência, isso jamais vai acabar. Ainda me vejo acelerando as baratas e o sorriso no rosto de todos por terem feito o mesmo.
Valeu!
Fonte das imagens: arquivo pessoal e Leonardo Panisson.






















Fonte da imagem: Jornal Zero Hora



A viagem de volta foi um pouco mais "apertada", mas igualmente muito legal. Um outro amigo, o Ernani, que fora de avião, voltou no Fusca 68. O cara tinha quase 2 m de altura e obviamente foi no banco da frente. Éramos cinco, então. Eu voltei no meio, com um pé sobre o freio-de-mão e o outro debaixo do banco do motorista. Tirando um pequeno problema com os fusíveis que insistíam em queimar, deixando a visibilidade "zero" durante a noite(as vezes no meio de uma curva...), o resto foi tranquilo.






