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sábado, 23 de fevereiro de 2013

25 de Julho de 1982

Dia desses recebi um telegrama do Vilsom Barbosa, com os seguintes dizeres:

"Sanco: todo bobo, que nem guri que foi de a cavalo pela primeira vez ao bolicho, vi que ficaste uma semana inteira publicando fotos do "Lambe-Lambe". Fico contente por um lado e chateado por outro. Aí é que vejo que tô velho...

Só para provocar mais ainda, estou enviando duas fotos de 25 de julho de 1982, Curva 1 de Tarumã. Na primeira são quatro tauras entrando lado a lado na 1, coisa de louco... Na segunda foto, uma ou duas voltas depois, com o pelotão acomodado. Os pilotos, tu sabes quem são.

Esclarece ao distinto público que a qualidade das fotos não é nenhuma Brastemp, porque são reproduções de "cópias-contato", coisa que os modernosos nem sabem o que é.

Se não andasse sempre abaixo de mau tempo em termos de tempo (o trocadilhista infame ressurge - ainda trabalho com fotos aéreas), passaria mais fotos automobilísticas, inclusive umas das corridas do Freddy Flinstone."

É sempre bom receber notícias do Vilsom, mesmo que seja para puxar minhas orelhas, como de vez em quando acontece, em função de eventualmente não tê-lo citado nos créditos fotográficos, afinal, o cara registrou praticamente toda a história do automobilismo que passou por essas bandas nos anos 80.

A clássica foto da disputa dos Fiat 147 na Curva 1 de Tarumã rodou os blogs e redes sociais após ser publicada aqui. Veio do acervo do Antônio Fornari, após uma ótima tarde de bate papo lá em casa, num sábado à tarde, isso em 2008, neste post.

Aquela era a prova que já havia retratado aqui no blog meses antes (vejam aqui), quando fiz um apanhado da trajetória de outro "bota", o "Janjão" Freire.

Conforme consta, "Janjão" voltava à ativa após alguns meses dedicando-se apenas aos compromissos profissionais na Taurus, mas um convite irrecusável feito pelo piloto Paulo Jacometti e pelo preparador Diógines Pereira, o fez disputar aquela prova. Um segundo carro da equipe Dipal foi preparado especialmente para "Janjão", que após alguns treinos, foi para a prova em iguais condições aos seus adversários.

Bom, conforme disse, a história da corrida já foi contada aqui. Um compacto pelotão composto por nada menos de oito carros ficou boa parte da prova se revezando nas primeiras colocações. A clássica foto mostra os oito na seguinte ordem (da esquerda para a direita): #14 Jackson Lembert, #35 Antônio Fornari, #48 Renato Conill, #2 "Janjão", #99 Paulo Hoerlle, #22 João Campos (o carro está praticamente todo encoberto pelo #99), #37 Luiz Ernani Mello e por último o #1 de Paulo Jacometti. Esses oito carros se utilizavam do vácuo, especialmente na reta e era comum que o carro que apontasse na reta na liderança chegaria na 1 em terceiro ou quarto. O registro enviado pelo Lambe-Lambe mostra a turma mais acomodada, até que, após levar um totó na 2, "Janjão" acabou tirando Lembert da prova.

 
 
Conforme lembrou o "Janjão", "Lembert dirigia o segundo carro da Taurus, aquele mesmo que eu corria antes. A coisa ficou feia na segunda feira na minha volta à empresa mas no final tudo se acertou."
O próprio "Janjão" me presenteou com o vídeo dessa prova que pretendo publicar por aqui em breve. Aguardem.
Ainda sobre o Lambe-Lambe, o próprio aproveitou para enviar um retrato do que andou aprontando recentemente. "Quem aprontou não fui eu, mas o instalador duma adaptação meio nas coxas de sistema de freio. Fez alongamento de ponta de eixo, diminuição do diâmetro, por cima, feita em ângulo seco. Só podia dar merda, e deu com o avião já na minha propriedade. O sétimo quiproquó aviatório que me acontece, felizmente em todos saí praticamente ileso. Teve outro parecido, onde uma cerca me pealou, depois de uma pane de motor e assim por diante. Quem foi piloto de automobilismo, não se assusta por pouco... Aliás, os pouquíssimos cagaços que levei nas corridinhas não são nada em relação aos da aviação. Aqui, em caso de erro, falha, etc., o buraco é mais embaixo..."
 

Valeu, Lambe-Lambe!

Fonte das imagens: arquivo Antônio Fornari e Vilsom Barbosa.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Olhar do Lambe Lambe, 1983


Fonte da imagem: arquivo Cezar Pegoraro - foto Vilsom Barbosa.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Olhar do Lambe Lambe, 1983

Já que o post de sábado falava sobre 1983, separei alguns registros daquele ano feitos pelo querido Vilsom Barbosa, o Lambe Lambe. De hoje até sexta, um por dia para vocês relembrarem.
 

Fonte da imagem: arquivo Aldo Mates - foto Vilsom Barbosa.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Bota com B maiúsculo

O retratista, escriba e piloto de aparelho, Vilsom Lambe-Lambe Barbosa, deixou um comentário sobre o Ronaldo Nique no post no qual citei o seu falecimento. O comentário é tão bacana e tão verdadeiro que é mais do que justo dar um destaque maior a ele. Vai Vilsom.

"Tive o prazer e a honra de fotografar e conviver com o Nique. Bota com B maiúsculo, bem grande, em negrito. Acelerava de moto, de carro, de repente, até "de a pé". Nunca esqueço dos tempos em que ele era propagandista do Laboratório Aché e foi para Tarumã treinar, no horário de trabalho. Como acelerava um monte, acho que fez o melhor tempo ou algo semelhante. Não deu outra: saiu no jornal o seu feito. O chefe viu, não gostou e mandou o homem para a rua, se não estou enganado. Este retratista também trabalhou no ramo, por isso nunca esqueci.

Muita gente não sabe, mas enfrentou um seríssimo problema pessoal, com a esposa. Posso não estar contando direito, mas, em resumo, ela ficou anos a fio em estado de coma e ele, ao contrário do que muitos fariam, sempre ficou a seu lado. Informaram-me que costumava, a cada aniversário dela, contratar maquiadora, cabeleireira, manicure, para que a deixassem o mais bonita possível, para comemorar. Depois de anos, infelizmente acabou falecendo.
Eu, que já o admirava como piloto, ao saber disso, tornei-me seu admirador como pessoa, como homem de bem, uma raridade.

Há poucos meses o encontrei nas Ferramentas Gerais, acompanhado da filha adolescente, sinal de que também era excelente pai. A grande maioria vai viver a vida e esquece esposa, filhos,o que é mais cômodo.

A gente fica triste ao ver tanto corrupto, ladrão, gente da pior espécie esbanjando vida e morrendo de velho, ao passo que as pessoas boas são chamadas antes da hora, deixando um vazio em nossas vidas.

Agora, lá pelo Céu, deve estar havendo um baita reboliço. É até capaz de haver gente cometendo o pecado da inveja, porque, na primeira corrida que houver por lá, podem estar certos de que ele vai incomodar os outros botas que também já se foram. Só que a gente aqui não sabe em que canal transmitem as corridas de lá.

Como consolo, só nos resta espichar o olho, na Curva Um de Tarumã, esperando o 53 aparecer na liderança ou colado no líder, quem sabe até tentando uma ultrapassagem por fora, coisa que na Um, só tenta quem tem aquilo roxo. E coração e alma do tamanho do Universo".






Todas as imagens abaixo, que mostram o Nique em ação nas duas ou quatro rodas, ou no lugar mais alto do pódio, foram feitas pelo Vilsom. Elas estão nos arquivos do Nique e me foram emprestadas para digitalização em 2008.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Olhar de fotógrafo

Olhando os arquivos, vi três registros feitos pelo Lambe-Lambe Vilsom Barbosa, de uma mesma prova, no mesmo ponto. Foi no dia 03 de Outubro de 1982, na Copa Chevette e mostra Luiz Fernando Costa, Itacir Gasparotto e o Ronaldo Nique.






O Lambe-Lambe tem todas as fotos de todos os carros em todas as provas disputadas nos anos 80. Tudo isso daria um belo livro. E aí, Vilsom? Que tal a ideia?

Fonte das imagens: arquivos Luiz Fernando Costa, Família Gasparotto e Ronaldo Nique - fotos Vilsom Barbosa.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Passo Doble

A propósito dos posts sobre o folclórico piloto Ervino Einsfeld, o retratista, escriba, colunista, e piloto de "apareio" Vilsom Lambe-Lambe Barbosa entrou em contato via telex com mais um relato sobre o piloto do #96.

"Leandro:

Estou anexando uma foto do "Alemão" no seu Voyage 96.


Como não tinha as datas das corridas dele, foi um trabalhão até achar a foto, mas gostaria que a publicasses, como homenagem à grande figura.

O Erwino, infelizmente, anda com sérios problemas de saúde e, se conseguir ver a foto do seu Voyage, certamente ficará muito satisfeito.

Deves te lembrar que, no tempo em que eu escrevia no jornal Esportemotor, me arriava no Alemão. Tinha gente que pensava haver uma baita inimizade entre nós e que, no momento em que nos encontrássemos, ia fechar o tempo.

Um dia, quando entrei no box do carro 96, outros pilotos e mecânicos também estavam por lá e, ao me verem chegando ficaram em silêncio, constrangidos, achando que a briga era certa, uma vez que tinha me arriado na pilotagem do Alemão, dizendo que o último lugar era cativo e reservado para ele, que fazia traçado quadrado, etc.

Qual não foi a surpresa deles ao me verem sendo recebido com abraço e alegria pelo "garoto propaganda dos sapatos "Passo Doble" e camisas "Volta ao Mundo".

Até hoje ninguém conseguiu descobrir como ele ainda conseguia tais pisantes e camisas em pleno final da década de oitenta e início de noventa. "Temo véio!......."

Na época, este fotógrafo e escrevinhador tinha um sítio na Faixa de Taquara e, adivinhem quem eram um assíduo freqüentador dos churrasquinhos de gato? Ele mesmo.

Alguns poucos sabiam, a maioria não, mas o Alemão era abonado e jamais ostentou grana ou aparência, muito pelo contrário, parecia o mais pelado de todos e fazia questão de cultivar o tipo.

Já que falamos em "Passo Doble", duvido adivinharem quem era o fotógrafo que tinha a exclusividade de uso de galochas naquele tempo, quando os mais novos nem sabiam o que era aquilo? Talvez fosse este o elo de amizade entre nós dois ... O gosto pelo uso de coisas práticas e úteis, cagando para a tal de moda ...

Torço para que o Alemão consiga ver a foto e, talvez um pouco do que escrevi sobre ele, pois segundo consta está em Santa Catarina, sob cuidados médicos e da família.

Alemão, alegria das solteironas do Alegrete, junto com o Deoclécio: um baita abraço e vê se pelo menos dá uma lavada na camisa "Volta ao Mundo", engraxa o sapato "Passo Doble" e frisa a calça de "Nycron" . Pode ser que alguma solteirona encare!!!!!!!!!!!!! (Perco o amigo mas não a piada .....)

ALBATROZ FOTOS LTDA.
Vilsom Jair Barbosa - gerente
(55)9997-6269 - S. Vicente do Sul - RS"


Bacana, Vilsom. A turma que passa por aqui tem uma missão: encontrar o Ervino (mas agora não sei mais: é Ervino ou Erwino?) e passar a mensagem do Lambe-Lambe a ele. Será que conseguimos?

Valeu, Vilsom!

Fonte da imagem: arquivo Vilsom Barbosa.

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Utilidades Domésticas

O "Lambe-Lambe" não perdoava...


...e sempre que podia fazia piada do primeiro que passasse na frente. Até do respeitável Dino Di Leone.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Enigma Estigmatizante

O piloto de Farroupilha, João Clênio de Campos, era outro alvo das constantes piadas do "Lambe-Lambe". João, como todos sabem, acelerava muito e as piadas eram sempre por causa da sua baixa estatura.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Dicas do Vestibular

De hoje até sexta vou publicar algumas pérolas do tempo da coluna "Mão-de-Pau", escrita pelo "Lambe-Lambe" no jornal Esporte Motor.

O piloto Ervino Einsfeld era seguidamente "homenageado" pelo escriba, mas não por ser um "Mão-de-Pau", mas pela amizade que havia entre eles.

Como sabem, Ervino sempre correu com o #96 nos seus carros. Talvez o mais famoso deles tenha sido o Corcel I.


sábado, 21 de fevereiro de 2009

O piloto-escriba-retratista

Há pouco tempo descobri que um cara, que é, entre outras coisas, fonte de inspiração para este blog, também deu lá suas aceleradas. Estou falando de Vilsom Jair Barbosa, o inesquecível "Lambe-Lambe", fotógrafo que registrou toda a história do automobilismo gaúcho nos anos 80 e início dos 90. Vilsom é a resposta para o último Desafio, conforme o Paulo Schutz já informou. Por sinal, o próprio Paulo também participou daquela prova de kart, e venceu, mas não levou. A prova era reservada para jornalistas. Não sei o que ele estava fazendo metido no meio dos outros... Explique-se, Mestre Schutz.

Buenas, o "Lambe-Lambe", além de fazer ótimas fotos, escreveu durante um tempo, no saudoso Jornal Esporte Motor, uma coluna muito bem humorada e que tinha como tema, é claro, o automobilismo. A coluna denominada Mão-de-Pau fez sucesso e abordava de uma maneira descontraida os principais acontecimentos desde as competições regionais até a Fórmula 1. O nome da coluna era uma, digamos, "homenagem" aqueles pilotos desprovidos de talento e que não aceleravam uma batata frita, como ele mesmo dizia. A, até hoje lembrada, Oração de São Jimo era um sarro e sintetizava a opinião dele sobre os tais pilotos.

Foi durante a pesquisa sobre o Campeonato Regional de Turismo de 1989, que descobri o nome dele em meio à pilotada que participou naquele ano. Fiquei muito surpreso e imediatamente enviei uma mensagem a ele que logo me respondeu com alguns dizeres que reproduzo a partir de agora.

É com muita satisfação que passo a palavra (ou seria teclado?) ao "Lambe-Lambe".

"Tchê, Leandro:

Pois, por incrível que pareça, o fotógrafo também tinha lá suas veleidades, como piloto. Na verdade, estreei em 1976, num fusquinha 1300, na mesma data em que estreou o Evaldo Quadrado, o Moacir Ughini, o Itamar Bianchesi, o Bagulho. Sei que éramos oito carros ao todo e, para variar, choveu. Eu, que sempre gostei dágua, com um motorzinho 1300 consegui passar da saboneteira 1600 preparada pelos irmãos Reginatto, pilotada por alguém apelidado de Cibié. Passou a chuva, ele voltou a me passar e cheguei em último ... Mas o maior elogio que recebi até hoje, como piloto, foi do Lino, ou Dennis, quando fui pedir uma ajudinha deles, para me fazerem um motorzinho mais forte. Claro que negaram, pois sua retificadora tinha filas de pilotos duros pedindo a mesma ajuda. Tentei argumentar que, caso me ajudassem, obteriam maior retorno publicitário, pois, se com um motor mil e trica, tinha andado na frente do motorão deles, que se poderiam esperar se eu tivesse o mesmo equipamento da ultrapassada saboneteira? Ao que respondeu: - E tu achas que eu engulo essa de que teu motor era 1300 original? Como eu sabia que era, tomei aquilo como o, talvez, único elogio de minha carreira pilotística.

Também andei correndo no Campeonato Brasileiro de 1976, onde corri ao lado de Toninho da Matta, Paternostro, Sipos, etc. E até houve uma corrida em que, com chuva torrencial, consegui classificar um Passatinho normal, queimando óleo, na frente de vários TS, o sonho de todo o piloto da época.

Corri no Campeonato Gaúcho de Fiat de 1978, até a terceira etapa, quando terminaram os pilas e larguei as pencas. Na segunda etapa de Guaporé, consegui deixar para trás, inclusive, sabes quem, nas classificatórias? O Nêne Fornari. Fiquei em sétimo no grid e ele em 14º. Mesmo assim foi o único que me quebrou o galho, vendendo pneus, pois o duro aqui fora com pneus já baleados e um estourou nos treinos. Era no tempo dos pneus lixados e um cara do Paraná, com pilhas de pneus nos boxes, sabendo dos tempos que eu, sem patrocínio e sem equipe, andara fazendo, negou-se a me vender um único, alegando que poderia precisar durante a corrida ... Oito pneus numa corrida só ... Como o Nêne só tinha pneus sem lixar, tive que largar perdendo quase dois segundos por volta. E note o cavalheirismo do cara: me deu o pneu e disse que eu somente fosse pagar lá na loja do seu Breno, na sertório com Farrapos, durante a semana. Tempos bons aqueles ... Claro que paguei. Na corrida caí para penúltimo por causa dos pneus sem aderência. Quando o desgaste permitiu tempos melhores, ultrapassei dois carros e, frustrado, por ver que carros de corrida somente andam a poder de muito pila, cheguei nos boxes vendendo a bagulhada toda e larguei tudo, somente voltando a correr em 1987, se não me engano, em parceria com amigos que aceitavam ceder um lugar no volante, em troca de fotos. Outra vez a amizade, permitindo a realização das pretensões pilotísticas ...

Corri com a equipe do Joca (João Camargo Jr) e do Anildo Sukatinha e também com o Délcio Dornelles. Com este, poderíamos ter chegado em sexto, nas Seis Horas de Guaporé de 1989, não fosse a imensa sede com que foi ao pote um primo do Tadeu Matuzalém, que detonou a barata no terço final da corrida, quando estávamos louco de bem, mais por mérito do Délcio, é claro. O cara (esse Matuzalém) chegou fazendo em corrida de endurance, tempos melhores do que os da classificação. Só podia dar merda ... Saliento que nessas provas, como os carros me eram cedidos a preço de foto, eu pilotava na ponta dos dedos, com a maior preocupação de não estourar o equipamento ou dar um estampaço.

Era por ver gente que, de fato era pior do que eu, que apelidei minha coluna de "Mão-de-Pau". Para conseguir ser pior do que eu, só sendo muito mão-de-pau ... Também corri no saudoso Autódromo Eduardo Cabrera, em Rivera, onde fui até terceiro colocado no campeonato deles. E tinha mais do que três carros, ih, ih, ih .... As folias que a gente fazia lá, duvido que se consiga fazer agora. A corrida era apenas uma parte da diversão ...

Quanto aos braços de madeira, sabes que em alguma edição do Mão-de-Pau, desci a lenha nalguns pilotos que ficaram falando "mal" de mim, que não acelerava, que era uma lesma paralítica, etc? Ali eu esclareci que corria de favor, tremendo de medo para não bater as baratas, sem grana para pagar o conserto, no caso dum tronchaço, que , de fato, não era piloto e, sim, fotógrafo, que fazia boas fotos, tanto que eles compravam, que era escritor-humorista, tanto que me liam. Agora, queriam o que? Que eu fosse, também, melhor piloto do que eles? Só faltava quererem que eu fosse bonito e gostoso, roubando também o mulherio para mim ...

Lembro que fui entregar umas fotos ao Jorge Fleck justamente no dia em que recebeu o Esportemotor. Aí ele falou: "Não esquenta , Lambe-Lambe. Tu tá com a razão. O que esses caras queriam, que tu parasses de fotografar, pusesse o macacão e ganhasse a corrida?" E era exatamente o que acontecia. Lembro da vez em que cheguei no box e o Anildo estava uma arara comigo: "Pô , Lambe-Lambe, faltam apenas cinco minutos pro nosso carro entrar no box e tu sumido?"- Ué, se eu não fotografo o pessoal, além de ser mau piloto, também viro mau "retratista". Sou Mão-de-Pau, mas profissional responsável. Terminei de colocar o macacão, na verdade um abrigo com o nome e grupo sanguíneo, esperei o Joca entrar nos boxes e saí acelerando o Chevettinho verde. Fiz as minhas duas horas, passei a mão nas câmaras e segui, dê-lhe foto ... Dentre os 38 carros, chegamos em 16º ... Com um retratista na equipe ... E uns que outros, aqueles que aprontavam e nos quais eu descia a lenha, tentavam se vingar me chamando de mau piloto. Claro que era, mas consciente e me divertindo para mais de metro ... Ih, isso rende histórias ..."

Perguntei ao "Lambe-Lambe" sobre o fotógrafo Pé-Friu (ou Frio), que fez muitas fotos nos anos 70:

"O Pé-Frio ou (Friu) foi sucedido por minha humilde pessoa, pois havia se mudado para SP. Lamentavelmente veio a falecer com apenas 51 anos, até falei no Mão-de-Pau, que devia ser pela incomodaçáo de tanto levar cano de certos pilotos ..."

Sabendo que ele tinha coberto todas as provas dos anos 80, fiquei em dúvida sobre quem havia registrado seus momentos na carreira pilotística. Ele me respondeu...

"E sabes quem fazia algumas fotos para mim? O Chico Feoli. Eu, um Mão-de- Pau, era fotografado, isto mesmo, por um bota da Fórmula 3 Sul-Americana. Gente fina é outra coisa. O Ayrton Mitzuck e o Walter Boor também colaboraram com a documentação de minha meteórica carreira. Na prova do kart, o fotógrafo foi provavelmente o Arlindo Schunck Filho."
Bom, falando em fotos, vamos a elas:









Na sequencia, com os dizeres do próprio: "a estréia em 24 de julho de 1976, século passado, portanto; depois o bom desempenho na chuva, com o Passat, foi em 19 de junho de 1977. Dei um estampaço na dois, que fiquei com a suspensão toda fora de esquadro e não me deixaram largar na segunda bateria; a prova que liderei em Rivera, com o Passat 77 foi também em 77; a classificação ao lado do Renato Conill foi em 28 de maio de 1978. Acho que eu larguei em sétimo. A outra é da mesma prova; a vitória no Kart foi em 13 de dezembro de 1981. O kart era uma bala; na foto do Regional de Turismo, fui fotografado pelo Feoli em 1987 (dez anos depois de haver interrompido a "carreira"); a última é das 6 Horas de Guaporé de 89. Um baita abraço."

Antes de se despedir, o "Lambe-Lambe" deixou um recado, informando que também havia entrado na blogosfera: "o meu é voltado ao aerodesporto, especialmente ultraleve, onde participo ativamente, tendo uma pandorguinha e, morando aqui em São Vicente, onde tenho uma chacrinha com pista e tudo. Para variar, por falta de pilas (ainda sou fotógrafo) o hangar é uma cobertura de lona." Para acessar o blog clique aqui. Lá vocês poderão ler as histórias do Deoclécio (sempre acompanhado da égua Xuxa e do cusco Ventania) que agora está tentando virar piloto de avião.

Aproveito para registrar aqui que todas ou quase todas as fotos dos anos 80 que aqui foram publicadas são de autoria do "Lambe-Lambe". Quase sempre coloco como fonte o dono das fotos, mas vou me policiar para, quando aparecer o nome "Vilsom" no canto de baixo dos retratos, divulgar o nome dele também. Outro recado que quero também deixar aqui é que o "Lambe-Lambe" tem todas as fotos que fez guardadas em sua casa. Se algum piloto queira entrar em contato com ele é só ligar ou mandar e-mail para os contatos dele que estão divulgados na coluna da direita aqui do Blog.
Valeu, "Lambe-Lambe"! Fiquei muito contente com teus dizeres e tuas imagens.

Fonte das imagens: arquivo Vilsom Barbosa e arquivo Délcio Dornelles.

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

Momento Histórico

Olhem só o que o Lambe-Lambe me enviou. Uma imagem da primeira prova da Turismo 5000 em Tarumã no distante 1981. Em primeiro plano está um dos carros dos irmãos Tróglio, porém não sei qual. Na sequência os dois Mavericks da Grendene sendo que o segundo está encoberto pelo primeiro. Consegui identificar ainda o Paulo "Sabiá" e o Nerovi de Oliveira, o "Chaveco".

Muito legal, vejam como era a zebra externa da curva 1 até a curva 2 e como o guard-rail era próximo da pista.

Bela imagem. Obrigado, Vilsom!

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Lambe-Lambe

Quem vos escreve é o próprio:

"Eu, Lambe-Lambe, no uso pleno de minhas faculdades mentais, na presença de meus amigos e inimigos, declaro-me vivinho da silva, com paradeiro certo e sabido à rua Amoroso Costa, 76-ap.203 - fones (51)9967-0844/3361-2460 - albatrozfotos@terra.com.br - Declaro ainda que, modéstia à parte, sou um Lambe-Lambe organizado e todas as fotos que fiz quando fotografava corridas estão devidamente organizadas por data e, se alguém quiser resgatar imagens da época, basta referir a data da corrida que, em segundos, cuspo o negativo e em pouco tempo, mediante uma compensadora contribuiçãozinha em euros, posso fazer cópias. Minha conta na Suíça eu não publico aqui... Abraços a quem ainda se lembra daqueles velhos e bons tempos."

Pra quem não lembra, Vilsom Jair Barbosa, o nosso querido "Lambe-Lambe" acompanhou todas as provas gaúchas entre os anos de 1980 e 1991 (até Setembro, ele lembra) e tem todas as fotos daquela época. A lembrança deste ilustre profissional das lentes vai totalmente ao encontro do propósito deste Blog. Imaginem o que ele tem de histórias pra contar...
Abaixo um exemplo das obras produzidas por ele: Copa Itali em Tarumã, 1984, com Paulinho Hoerlle do Fiat #99 a frente, seguido pelo Voyage #56 do Júlio Horn. Vejam o carimbo do Vilsom no canto inferior direito da imagem.


Durante um bom tempo ele escreveu a coluna Mão-de-Pau (na verdade uma página inteira) no jornal Esporte Motor, uma certa "homenagem" aqueles pilotos menos qualificados, desprovidos de um mínimo de talento. Uma das pérolas que até hoje me faz rir muito era a "Oração de São Jimo", que teve vários capítulos. Para aqueles que não sabem, Jimo era uma marca (ainda é) de mata cupins, muito famosa aqui no sul. Abaixo uma amostra da "seriedade" da coluna, lá por 1988.


Bom, aproveitei o feriado para fazer a minha listinha para o Vilsom. A número 1 da lista: os Mavericks da Grendene em 1980. Agora só falta achar a data...