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sábado, 26 de outubro de 2013

Homero Zani

A imagem do último Desafio me foi enviada pelo amigo Luiz Borgmann. A turma não teve dificuldades e acertou rápido a resposta. Admirando aquele V8 de tripla carburação estavam o piloto José Asmuz e o mecânico Homero Zani.
 
Homero Zani foi por muitos anos mecânico da famosa equipe Galgos Brancos, mas na metade dos anos 60 foi contratado por Asmuz para preparar a carretera #32. Essa contratação acabou gerando boas histórias. Escolhi um ótimo texto do Bird Clemente, dirigido ao Asmuz e publicado na revista Racing no ano passado para dividir com vocês. É sensacional!
 
"Na essência da história do automobilismo brasileiro os pilotos da nossa geração viveram intensamente as primeiras edições das Mil Milhas. Transporto-me e me vejo pilotando fantásticos DKWs com Ciro Cayres, Eugenio Martins, Flavio Del Mese e Mario Cesar de Camargo Filho, sempre sob o comando de Jorge Lettry, e do outro lado nossos principais adversários, as carreteras daquela época, que eram especialmente os bonitos cupês Ford 1940 e Chevrolet 1939. Com um motor Ford Thunderbird, você era o principal adversário da marca contra os Chevrolet Corvette, com os ídolos Camilo Christófaro, Chico Landi, Luiz Américo Margarido e o gaúcho Catarino Andreatta. Você deve se sentir um privilegiado por ter sido um dos protagonistas destes tempos incríveis. O bate papo entre os pilotos de Porto Alegre rolava nos encontros noturnos na Confeitaria Matheus, na Praça da Alfândega, tempo em que o futuro campeão brasileiro Clovis Moraes era mecânico do Ismael Chaves Barcellos, meu dileto amigo e companheiro nas 12 horas de Tarumã de 1973. Lá também sempre estavam os fantásticos Flávio Del Mese, Henrique Mutti, Pedro Pereira, Haroldo Dreux, Aldo Costa, Diogo Elwanger, Gabriel Cuquiarelli, Dino Di Leoni, Henrique Iwers... Que saudades! Jamais vou me esquecer das narrativas do espalhafatoso “Turco Asmuz”, como você era chamado, e do mais discreto “o magro”, Raul Fernandes. Sempre rodeados por admiradores, e eu era um deles, que ouviam as histórias da pitoresca batalha, que era pilotar aquelas carreteras que escorregavam no serpenteado daquelas estradas, levantando poeira do chão batido. Com precisão, vocês descreviam de forma espetacular e minuciosa como se tocava uma carretera, com as dificuldades de aproximação e ultrapassagens, contempladas pelos fanáticos do automobilismo, que se espalhavam ao longo da estrada. Era comum a imagem pitoresca e tradicional de algum gaúcho, orgulhosamente caracterizado com chapéu, lenço amarrado no pescoço, bota e bombacha, costumeiramente assando um churrasco de costela. No reflexo e influência das corridas de turismo carretera na Argentina, foi com os gaúchos que o Wilson Fittipaldi e Elói Gogliano conseguiram formar o grid para a realização da primeira Mil Milhas Brasileiras. Felizmente esta memória está preservada em Passo Fundo, no Museu do Automobilismo Brasileiro, obra do nosso grande amigo Paulo Trevisan. A pitoresca rivalidade entre você e o Catarino Andreatta, por conta da polêmica transferência do famoso mecânico Homero Zani, virou uma novela que amplificou o interesse de todos por vocês. Apesar dos tantos outros ídolos gaúchos, esse disse que me disse do Homero atraia as atenções para vocês. Nunca vou me esquecer de uma prova curta no circuito da Cavalhada, em Porto Alegre, quando você e o Catarino Andreatta se pegaram para valer, as baratas vinham de lado, eu não me lembro de ter visto um racha maior. Em 1968 fui convidado para comentar os 500 km de Porto Alegre no Circuito da Pedra Redonda, pela TV Gaúcha, e contemplei a última participação da barata Ford 1940 numero 32. Triste despedida. Foi difícil para você constatar a diferença de desempenho daquela novíssima BMW Schnitzer, um dos carros de turismo mais desenvolvido do mundo, pilotada pelo jovem Jan Balder. Como um velho guerreiro, com o corpo cheio de cicatrizes, mas o peito coberto de medalhas, você aposentou o heroico companheiro e o Homero, apesar de chateado, a recebeu de você como troféu dos serviços prestados, ao contrario do que escrevi no meu livro. E eu comprei o motor Ford mais potente do Brasil, o Homero o colocou no meu Ford Galaxie e fui para Jacarepaguá onde a Willys me esperava para mais uma corrida. Tempos depois o meu Galaxie era do Luiz Antonio Greco e fez o maior sucesso na prova do quilômetro lançado na marginal do Rio Pinheiros, e aquele motor do Asmuz ficou famoso. Começava uma nova era, e só a teimosia do Camilo Christófaro, que se valendo do regulamento travestiu de protótipo a sua carretera Chevrolet 18 com suspensão traseira de Ferrari e na frente com motor e suspensão da última geração Corvette, sobreviveu por mais algum tempo a era das pitorescas carreteras. Em 1970 eu e meu irmão Nilson construímos o Opala 80, vencemos a 24 horas de Interlagos e em seguida batemos o recorde do Carcará com os 232 km/h. No  dia seguinte você telefona e me diz: “quanto que você quer na barata?”. Eu falei um numero e você não titubeou: “é nossa, minha e do Pedro Pereira”. A única lembrança amarga é que abordo deste carro perdemos o amigo, jornalista e grande piloto Pedro Pereira. Com admiração do amigo de sempre, Bird Clemente."
 
Abaixo uma imagem da #32 em ação nos 500 Km de Porto Alegre em 1968 e em 2004, em Tarumã, quando Asmuz foi homenageado nas 12 Horas daquele ano.
 
 

 
Fonte das imagens: arquivo pessoal.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Asmuz e as 12 Horas

No dia da última 12 Horas de Tarumã, o meu amigo Luiz Borgmann nos deu a grata satisfação de assinar uma matéria no jornal Zero Hora, contando um pouco mais sobre a história de José Asmuz. Acabei esquecendo de publicar antes, mas confiram aí.


Valeu, Borg!

sábado, 7 de janeiro de 2012

A primeira da Divisão 1 em Tarumã

O dia 30 de Setembro de 1973 foi muito aguardado pelos amantes da velocidade no Rio Grande do Sul. A primeira apresentação da Divisão 1 em Tarumã trouxe muitas atrações, como o duelo entre o Ford Maverick V8 (4950 cc) e o Opala 250S (4098 cc), os duelos nas categorias menores com Chevette, Brasília, Fusca, Corcel, Polara, etc e a expectativa em relação à possibilidade de vitória de Clóvis de Moraes, que poucas semanas antes havia conquistado a vitória nas 25 Horas de Interlagos a convite da dupla Bird e Nilson Clemente.

Para a prova gaúcha, denominada 6 Horas de Tarumã - resposta do último Desafio, Bird, além de Clóvis, teria Ismael Chaves Barcellos na pilotagem do Maverick verde e amarelo. Outra força local na classe de maior cilindrada era o Opala de Pedro Carneiro Pereira e José Asmuz.

O Maverick do trio Bird/Clóvis/Ismael, como era esperado, liderou parte da prova, mas acabou tendo problemas, sendo ultrapassado por outro Maverick, o da Hollywood, pilotado por Luiz Pereira Bueno e José Renato Catapani, fazendo assim a dobradinha da Ford. O melhor Opala foi o de Asmuz e "Pedrinho", que concluía sua última prova antes de seu acidente fatal, dias depois.

Abaixo alguns registros da prova mostrando também os vencedores das Classes A, Victor Steyer, Cláudio Mueller e Luigi Smaldido, com Chevette (foto do pódio), o segundo na A, Luiz Gustavo Tarragô de Oliveira, Luiz Carlos Ribas e Vandernei Simões (Corcel #14), os vencedores na B, Breno Job Freire, Jorge Truda e Paulo Nienaber (Dodge #71), além dos Opalas #7 de Jan Balder e Bob Sharp (5º na Classe) e o #22 de "Pedrinho" e Asmuz.






Fonte das imagens: arquivos Luiz Oliveira, Roberto Freire e Enciclopédia do Automóvel.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Pedrinho e Asmuz

Aproveitando que ontem falamos no "Pedrinho", lembrei que o Clóvis Irigoyen havia enviado dois registros que mostram os Opalas dele e do José Asmuz. Parece ser 1971, no máximo 72.



Dois pilotos e carros que muito tem a ver com a história do automobilismo gaúcho.

Fonte das imagens: arquivo Clóvis Irigoyen.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Sábado no Bate Roda

Informo a quem interessar possa, que o amigo aqui, escriba deste bloguesinho mequetrefe, vai participar amanhã, às 13:00 do programa Bate Roda na Band AM 640. Vou lá dar o ar da graça e tentar conseguir mais um ou dois leitores.

É claro que haverá atrações muito mais interessantes, como o grande José Asmuz, primeiro convidado de um novo quadro do programa, Automobilismo Histórico que será liderado pelo Ricardo Trein.

Será uma honra enorme estar ao lado desses feras.

Creio que o Ricardo também vai informar sobre os novos carros que estão sendo preparados para a Fórmula Classic, que cada vez mais ganha novos adeptos, entre eles, um Opala #32, semelhante a esse aí embaixo.


Essa imagem aí acima é dos 500 km de Tarumã de 1972, quando Asmuz e o Alfredo Oliveira, o "Carioca", venceram na geral. Fuçando nos arquivos achei mais duas que valem publicar.



A primeira é de 1973, quando correu ao lado de Pedro Carneiro Pereira na prova 6 Horas de Tarumã, chegando em terceiro lugar na geral. A última é das 12 Horas de 2004, quando Asmuz foi o homenageado da noite. Para quem não sabe, a estátua ao lado da barata #32 sou eu.

O programa poderá ser acompanhado pela Internet http://www.bandrs.com.br/ e-mail bateroda@terra.com.br, torpedos pelo 51 9281.6619 e pelo telefone do programa 51 3289.0640

E seja o que Deus quiser...

Fonte das imagens: revista Quatro Rodas, Enciclopédia do Automóvel e arquivo pessoal.