quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O fim do Dojão amarelo

Depois que publiquei um post sobre o Bruno Picollo, alguns lembraram do acidente no qual ele destruiu o Dodge na curva do Laço em Tarumã em 1982 e o próprio esclareceu o ocorrido: "realmente o Dojão se estatelou no Laço, após regulagem de freios pelo Nelson Rolla. De tão bem feita, acabou por não funcionar, indo parar na viela atrás da curva, depois de capotar"

Vejam aí o antes e depois. Vocês sabem que para amassar aquela lata a pancada tinha que ser forte.

Fonte das imagens: arquivo Bruno Picollo.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

500 km de Tarumã - 1982

Em meio ao material que me foi gentilmente emprestado pelo Luiz Fernando Tróglio Júnior, encontrei algumas relíquias, tais como o registro dos 500 km de Tarumã de 1982, evento que marcou o retorno das provas de longa duração ao estado. A última fora em Outubro de 1976, as 12 Horas de Tarumã. A restrição na utilização de combustível era a justificativa. Brasília já havia dado o exemplo com os 1000 km em 1980, utilizando álcool, e desde então os dirigentes gaúchos estudavam a possibilidade da realização de uma prova semelhante.

Assim foi feito e no dia 26 de Setembro de 1982 cerca de 30 carros das categorias Turismo 5000, Hot Car, Fiat 147 e Chevette alinharam para a disputa. Encontrei o registro de boa parte dos inscritos.

Categoria Turismo 5000:
#07 José Renato De Léo/Walter Soldan - Óticas Léo - Maverick;
#12 Clóvis Gralha/Fernando Bertoja - Volk 1200 - Dodge;
#14 Luiz e Edson Tróglio - Expresso Industrial - Maverick;
#18 Bruno Picollo/Nei Luiz Biehl - Conte/Brasmonta - Dodge;
#20 Paulo Schoenardie/Luiz Macedo - Sabiá/CTE - Dodge;
#23 Leocardo Baum/Heitor Jorge Eloi - KF/NEF - Maverick;
#24 Cláudio Duarte/José Delmar da Rosa - Carinha - Maverick;
#33 Nerovi de Oliveira/Edamir Peres - Chaveco - Maverick;
#91 João Simão/Ricardo Flores -Vladimir Dias - Maverick;
#98 Wilson da Silva/Benoni de Carvalho - Hennemann - Maverick.

Categoria Hot Car:
#01 Aroldo Bauermann/Vitor Mottin - Orloff/Farol - Passat;
#07 Arnaldo Fossá/Lárcio Silveira - Monzacar - Fusca;
#08 Luiz C. Rodrigues/Vinetou Zambon - Paré - Passat;
#09 Luiz Dias/Paulo Wendt - Gaúchão - Gol;
#10 Cláudio Ely/Antônio Ody - Fila - Gol;
#26 Pedro Grendene/Henrique Bertolucci - Grendene - Passat;
#28 Roberto Martini/Herachides S. Fº - RTS - Passat;
#34 - Fusca.

Categoria Fiat 147:
#08 Jackson Lembert/Darci Benini/Luiz C. Ribas - Pozza/Vasp;
#15 Vandernei Simões/Paulo Jacometti - Ritmo;
#35 Antônio e Carlos Fornari - Dipneus/Ritmo/Selenium.

Categoria Chevette:
#05 José Bresolin/João Andrade - Ritter;
#13 Itacir Gasparotto/Joã Alfredo Ferreira - GP/Gaúcha;
#46 Hélio Neves/Fernando Amaro - Mercúrio;
#53 Ronaldo Nique/Tadeu Matuzalém - Mauro Motos Car/Dipal;
#54 João Farneda/João Sant'Anna - Guzzi;
#70 Henrique Damo/Gilberto Laste - Churr. Moinhos de Vento;
#81 Gerson Morchbarcher/Pedro Almeida/Gervásio Horácio - Borquímica;
#114 Jorge Weddigen/Paulo Zanatta - Central Audio Som.

A pole-position ficou com o Passat #1 de Bauermann e Mottin e o domínio da dupla ocorreu também na corrida. O Passat #1 liderou desde a primeira volta e parecia que a dupla repetiria o feito de 1975 quando venceram a mesma prova com um Fusca. Os 500 km foram disputados em 166 voltas e ao faltarem sete para o término ninguém tinha dúvidas de que eles venceriam, pois naquele momento a vantagem era de oito voltas para o segundo colocado. Mas um simples rolamento de roda acabaria com as chances da equipe. O rolamento da roda dianteira direita derreteu e não houve jeito de consertar. A vitória assim caia no colo da dupla do Maverick #23, Leocardo Baum e Heitor Jorge Elói que já se contentava com o segundo lugar no geral.

O índice de quebras da prova foi muito alto, reflexo da falta de provas longas no estado. O Maverick #14 dos Irmãos Tróglio quase foi mais um que ficou de fora. Ao completar a curva 9, já na parte final da prova, o motor apagou. Luiz Fernando abriu o capô do carro e constatou que haviam caído os rebites do platinado. O piloto teve de correr até os boxes para buscar outro platinado e instalá-lo sem auxílio dos mecânicos. Apesar dos problemas, terminaram na nona posição no geral e em quinto na categoria.

O resultado final da prova foi o seguinte:
1º #23 Baum/Elói em 4h09min, média de 120,315 km/h - T5000;
2º #07 De Léo/Soldan - T5000;
3º #98 Silva/Carvalho - T5000;
4º #05 Andrade/Bresolin -Chevette;
5º #01 Bauermann/Mottin - Hot Car;
6º #24 Duarte/Rosa - T5000;
7º #54 Farneda/Sant'Anna - Chevette;
8º #46 Neves/Amaro - Chevette;
9º #14 Irmãos Tróglio - T5000;
10º #13 Gasparotto/Ferreira - Chevette

A prova teve também alguns acidentes. O de maior proporções envolveu o Chevette #70 de Henrique Damo e o Chevette #13 de João Alfredo Ferreira. Ao subirem a reta, Damo buscou a ultrapassagem sobre "Baguncinha", puxando para o lado esquerdo, mas acabou invadindo a área de boxes, acertando em cheio a tribuna de honra onde estavam algumas pessoas, entre elas a esposa do piloto Bruno Picollo que teve ferimentos nas pernas. O próprio Bruno me contou dia desses como soube do acidente: "poucas voltas depois da largada, percebi que havia muita movimentação junto à tribuna de honra e sua cobertura estava caída para frente. Na volta seguinte, recebi ordem da minha equipe para entrar. Ao parar no box, fui informado que um carro havia passado por cima da tribuna, atropelando várias pessoas, entre as quais a minha esposa, que teve algumas fraturas. Não é preciso dizer que minha prova acabou por aí."

Damo disse que não havia espaço. Ou acertaria o muro de frente a 150 km/h (muro que divide a entrada dos boxes da pista) ou subia os boxes. Optou pela segunda alternativa, mas os freios não funcionaram.

Abaixo uma série de imagens daquela prova:
Na sequência: duas da largada com o Passat #1 já disparando na ponta, depois algumas do Maverick #14 em ação. Mais abaixo imagens do acidente envolvendo o Chevette #70 e o #13. Depois o Fiat #8, o único de sua categoria a concluir a prova (na 13ª posição). Encerrando com o azar de Aroldo e Mottin e a sorte de Baum e Elói.
Fonte das imagens: arquivo Família Tróglio, livro Loucos por Velocidade.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Aluno nota 10!

Continuando com a retrospectiva do Jorge Fleck, agora no asfalto.

Em 1985, em paralelo com o Rallye, Fleck fez a estréia no Regional de Turismo com um Gol em parceria com Waldir Buneder. No ano seguinte uniu-se com outro campeão do Rallye, Gilberto Hoff, com um Passat, para formar uma forte dupla no mesmo campeonato. A dupla correu até o final de 1987 e obteve uma vitória em Guaporé naquele ano. Em 1988 Fleck competiu com o irmão Sérgio e também com Ronaldo Nique ainda com o mesmo Passat, tendo obtido vários bons resultados. Em 1989 fez dupla com Luiz Carlos Ribas e na metade do campeonato o velho Passat foi substituído por um Voyage que começava a mostrar ser mais competitivo que o antigo modelo da VW. Em 1990, no agora então chamado Gaúcho de Marcas, dividiu o volante com Ribas e com Amadeo Moeller. Nos anos seguintes teve como parceiros Luiz Carlos Kuenzer, o "Chico Bala", Cláudio Rossi, Victor Steyer, Vicente Daudt, entre outros. Além do Marcas, competiu também em outras categorias do automobilismo regional, sempre obtendo bons resultados e sempre mostrando sua competitividade e habilidade.

Nas 12 Horas de Tarumã venceu em 1994 na categoria Força Livre com um Voyage tendo como parceiros o Pierre Kleinubing e o Carlos Augusto de Souza, o "Guto Furst". Obteve também um segundo lugar na categoria Regional de Turismo em 1989 em dupla com Luiz Carlos Ribas, também com um Voyage, além é claro do vice de 1973 que já falei no último Sábado.

Fora das pistas atuou como dirigente e também como professor na escola de pilotagem Monogram, de sua propriedade, no início dos anos 90.

Mas foi na Fórmula Truck que o nome de Jorge Fleck voltou a se destacar no automobilismo brasileiro. Conseguiu dois títulos nacionais consecutivos nos anos de 1999 e 2000, derrotando outros pilotos com mais experiência no volante dos "brutos".

Hoje, Fleck continua na ativa e encara um novo desafio no cockpit de um dragster com um motor de 1000 HP, como piloto oficial do Velopark. É a valorização e o reconhecimento de um piloto técnico e arrojado que sempre deu o melhor de sí por onde passou. No último Sábado, durante entrevista do Professor Cláudio Mueller ao programa de rádio Bate Roda na Band AM 640, o mestre disse que Jorge Fleck foi o melhor piloto de sua escola, entre mais de 400 formados na década de 70. Mueller disse ainda que levava seus alunos para assistir Fleck contornando o Tala Larga no Tarumã durante as provas. Comentário oportuno e que vem a somar a esse post especial sobre esse grande "bota" que levou com orgulho o nome do Rio Grande do Sul em todas as provas que competiu.

Abaixo mais uma sequência de imagens da carreira dele.
Começando com os carros de turismo. Em 1986 e 87 com o amigo Gilberto Hoff. Em 88 com o irmão Sérgio Fleck, em 89 com Ribas, em 90 com Amadeo Moeller, em 91 com "Chico Bala", em 94 com Cláudio Rossi e em 96 com Vicente Daudt. Encerrando com a trajetória nos caminhões e agora no dragster do Velopark.

Valeu, Jorge!

Fonte das imagens: site inema - arquivo Ayrton Mitczuck (Recorte Notícias), jornal Esporte Motor, revista Esporte Motor, jornal Zero Hora, site Autodynamics.

domingo, 3 de agosto de 2008

Desafio da Semana

Apreciem essa linda imagem...

...e tentem descobrir quem é o "bota" acelerando a barata. Em que ano foi isso? Sem dicas desta vez, pois qualquer coisa que eu diga, tenho certeza que vou me empolgar e acabar entregando a resposta. Duro vai ser esperar até a próxima semana para publicar uma sequência de lindas imagens que recebi essa semana.

sábado, 2 de agosto de 2008

Jorge Fleck

Não houve muita dificuldade para acertar o piloto do Passat #89, personagem do último Desafio aqui do Blog. O piloto em questão é Jorge Raimundo Fleck, que na ocasião fazia dupla com o Gilberto Hoff durante o Campeonato Regional de Turismo de 1986.

O nome do Fleck já apareceu por aqui algumas vezes, mas agora tive a chance de fazer aquela habitual retrospectiva da carreira dele, recheada de imagens (e de títulos!).

O meu trabalho de pesquisa ficou muito facilitado depois que encontrei no site Inema uma entrevista com o piloto nascido na cidade de Três Passos. De lá vieram algumas boas imagens bem como um completo histórico dele no automobilismo.

Fleck iniciou a carreira em 1971 no kart em uma prova na cidade de Bagé. Nesta modalidade obteve seu primeiro título em 1973 na categoria Sênior. Ainda naquele ano competiu na Divisão 3 com um Fusca e nas 12 Horas de Tarumã viveu um dos momentos mais dramáticos e inesquecíveis da carreira. Fleck fazia dupla com Raul Machado no #34 e lideraram a prova durante muitas voltas. A vitória era quase certa, porém quando faltavam apenas 15 minutos o carro foi atingido na traseira por um adversário que acabou quebrando os dois escapamentos. A queda no desempenho foi visível e o motor trabalhava apenas em três cilindros. Os gases que agora eram também expelidos para dentro do carro dificultavam o trabalho de Fleck que não desistia e se mantinha na pista, mesmo tendo sua vantagem diminuída volta a volta. Na última delas, a 462ª, foi alcançado e ultrapassado pelo carro dos Irmãos Reginatto e acabou ficando na segunda posição. A vantagem? Foi de apenas 0s057!!!

Fleck correu na Divisão 3 por vários anos e obteve dois títulos, um no Uruguai em 1975 e outro Gaúcho (classe Nacional) no ano seguinte.

A partir de 1978 vieram as conquistas na modalidade que o transformou num dos maiores pilotos brasileiros da década de 80, o Rallye. Naquele ano participou da "Volta da América do Sul" na Classe 1300 cc e chegou em segundo lugar com um Fusca. Os demais títulos no Rallye foram:
1979: Campeonato Gaúcho de Regularidade - Classe Graduados;
1980: Campeonato Brasileiro de Regularidade - Classe Graduados;
1980: Campeonato Gaúcho de Regularidade - Classe Graduados;
1981: Campeonato Brasileiro de Regularidade - Classe Graduados;
1981: Campeonato Brasileiro de Velocidade - Classe Graduados;
1981: Campeonato Gaúcho de Regularidade - Classe Graduados;
1982: Vice-campeão "Rallye de Portugal" (Grupo 2 # 10º lugar na geral);
1985: Campeonato Brasileiro de Velocidade - Classe Graduados;
1986: Campeonato Brasileiro de Velocidade - Classe Graduados;
1987: Campeonato Sul-Americano de Velocidade - Classe Graduados;
1987: Campeonato Brasileiro de Velocidade - Classe Graduados;
1988: Campeonato Gaúcho de Velocidade - Classe Graduados;
1988: Campeonato Gaúcho de Regularidade - Classe Graduados.

Na próxima Segunda continuarei com a sequência dessa história vencedora. Voltaremos ao asfalto. Não percam.

Abaixo algumas imagens do início da carreira de Fleck:


Na sequência: o Fusca #34 de Raul Machado com o qual Fleck competiu nas 12 Horas de 1973, depois duas de 74, quando sofreu um acidente com outros pilotos na curva 2 de Tarumã durante etapa do Gaúcho de Divisão 3 (Fusca #81) e quando participou do protesto dos pilotos nos 500 km de Tarumã (o "cabeludo" ao centro de blusa escura). Na imagem seguinte no Fusca #105 durante a Volta da América do Sul em 78 com o navegador Mário Figueiredo. Depois uma sequência no Rallye, sempre em dupla com Sílvio Klein, que aparece em uma delas. Encerrando com uma demonstração do talento do piloto, durante uma especial no Autódromo de Caçapava do Sul, controlando o carro para não capotar.

Fonte das imagens: arquivo Joel Echel, arquivo Ricardo Trein, revista Racing, site inema - arquivo Ayrton Mitczuck (Recorte Notícias), site CPR, jornal Esporte Motor.

Fonte dos dados biográficos: site inema - pesquisa de Paulo Lava.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Movido a Pertônico

Ainda tenho algumas coisas a publicar dos Tróglio, mas está faltando tempo para digitalizar todo o material e ler todas as reportagens. Material precioso e que aos poucos vou explorando e descobrindo partes da história.

Tenho falado da Turismo 5000. Dia desses o Fernando Esbróglio me enviou umas imagens e histórias do Bruno Picollo que também correu na 5000. E há poucos dias o próprio Bruno recheou a minha caixa de e-mail com imagens que reunem tudo isso e mais um pouco em uma série incrível e que será publicada aos poucos. É o que eu costumo dizer: uma história puxa a outra...

Bom, começando pelo começo, mais algumas do Karmann Ghia e outras inéditas do Chevette #67 com o qual ele, o Delegado Ribas e o Gilberto Jaeger competiram nas 12 Horas de Tarumã de 1975. Esse carro era preparado pelo Gessy, um dos melhores preparadores que já existiu, me disse o Ribas. Vejam que barato!

Na sequência: as duas primeiras são da Estreantes, categoria onde o Bruno corria com o Karmann Ghia patrocinado pelo Fernando Esbróglio. Vejam a quantidade de Chevettes disputando a prova! As seguintes são do Chevette que falei. Vejam que ele mantinha até o banco traseiro. Alguém aí sabe o que era Pertônico? Seria algum tônico capilar? Na última um momento nada discreto entre três amigos: Bruno, Ribas e Jaeger. Acho que a idéia era colocar o Delegado no porta-malas para que o carro grudasse mais nas curvas...

Assim que der, continuo a publicação de mais imagens do Bruno e de suas aventuras nas pistas.

Valeu, Bruno!

Fonte das imagens: arquivo Bruno Picollo.