sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Agora, as motocas.

Na última semana, o Mário Estivalét nos presenteou com algumas imagens do autódromo de Tarumã nos anos 70 e 80. Um dos posts foi todo preparado com o material da primeira apresentação da Fórmula 2 Sul-Americana em solo brasileiro em 1982. Na programação correram ainda a turma da Turismo 5000 e as motos. Só faltava um registro das motocas. Agora não falta mais, pois o próprio Mário conseguiu e enviou, junto com outros clicks feitos provavelmente no mesmo dia. Fala, Mário.

"Leandro, Viva!!!!
Realmente eu tinha uma, só uma, só umazinha foto da prova de motos. Está anexa. Não tenho a menor ideia de quem estava correndo.


Só como curiosidade estou mandando duas fotos de carros em Tarumã. Uma é de uma Puma 68/69, uma das primeiras (quatro cantos do para-brisas quadrados, sinaleira de Fissore), já modificada. Eu sabia de quem era este carro, mas com o passar das décadas, realmente esqueci. O outro é um Interlagos todo modificado, em 1982, provavelmente no mesmo dia da prova do Sul-Americano. Mecânica VW. O dono deste carro morava na rua Fernando Abbott, no Passo D´Areia, e acredite: tinha mais uns dois ou três carros modificados igual, só sem a tomada de ar. Me lembro de um azul e de um verde, todos com mecânica VW, hoje um crime!!!!!

Um grande abraço,
Mário Estivalét"



Pesquisando nos arquivos, encontrei a lista de inscritos da prova das motos. Era a Copa Lee 125 cc. Vejam os nomes e tentem identificar os pilotos da imagem.


Aproveitando o assunto, já que o pessoal comentou do carro do "Pimentinha" da Fórmula 2, que parecia uma Ligier, segue aí uma imagem dele, ao lado do Polar do Ronaldo Ely em Guaporé, que não sei se já tinha publicado antes. Se já, não é problema, pois é sempre legal ver esses carros de novo.


Valeu, Mário!

Fonte das imagens: arquivo Mário Estivalét, revista Pódium Graphic e arquivo Luiz Fernando Tróglio Jr.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Arquivos de Cascavel VI

O inesgotável acervo do Pietro Tebaldi não para de nos surpreender. Hoje o assunto é Fórmula Ford e Fórmula 2 Sulamericana. Vejam as imagens abaixo.

Primeiro aparece o Clóvis de Moraes (vejam a cabeleira dele. Como é que isso tudo cabia dentro do capacete?) recebendo um troféu, provavelmente por um dos seus títulos. Esse deve ser de 1974, pois aparece a marca da Hollywood na sua vestimenta.


Aqui "Chico" Feoli, se preparando para entrar na pista. Isso deve ser 1974 ou 75.

Agora passamos para a F2. Aqui Pedro Muffato...

e Guillermo Maldonado (Yoyo, como é chamado pelos hermanos), provavelmente em 1985.


Encerrando com duas do careca Leonel. A primeira acho que é também de 85 ou 86...


...e a última é com certeza de 87, o ano em que ele foi campeão. Por essas imagens, e outra já publicada, ele deve ter ganho no mínimo umas três provas em Cascavel.


Belas imagens.

Fonte das imagens: arquivo Pietro Tebaldi.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A fácil vitória de Pedro Victor

Mais uma preciosidade vinda do sebo de Floripa, pelas mãos do amigo Júlio Cordeiro. De uma revista Auto Esporte saiu essa reportagem das 12 Horas de Porto Alegre de 1971, a primeira realizada em Tarumã, mas que ainda mantinha o nome original.



Reparem que as imagens da reportagem parecem ser de uma prova em Curitiba. Certamente não são de Tarumã, mas vale o registro.

Valeu, Júlio! Tomara que ainda tenha mais.

Fonte das imagens: revista Auto Esporte - arquivo Júlio Cordeiro.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Teve gente que nem largou

O Roberto Freire, filho do Breno Job Freire, que foi tema do blog há alguns meses, achou mais um registro sobre a última Antoninho Burlamaque, disputada em 1968. É provavelmente da Folha da Tarde e mostra a largada da prova. Acho que lá ao fundo é a ponte de madeira que dividia Cachoeirinha e Porto Alegre. Dá para ver também a igreja e a entrada do "posto de gasolina", se não estou enganado, no lado esquerdo. Engraçado, até hoje o posto é Ipiranga.


Valeu, Betinho!

domingo, 9 de agosto de 2009

Desafio da Semana

Fazia tempo que eu procurava alguma coisa sobre esse cara aí embaixo no Dodge. Vocês devem saber quem é ele.


Mãos à obra!

sábado, 8 de agosto de 2009

4 Horas de Tarumã - 1971

O amigo lá de Floripa, Júlio Cordeiro, aquele que correu de cinquentinhas nos anos 70, enviou uma preciosidade encontrada num sebo lá na ilha. A imagem da capa dessa reportagem, publicada na revista Auto Esporte em Junho de 1971, era tão bonita que não pensei duas vezes na hora de colocar ela no último Desafio. Ao dar o seu palpite o Paulo Schutz praticamente contou toda a história da corrida, que abriu a temporada daquele ano do Campeonato Brasileiro de Viaturas Turismo - Divisão 3, em Tarumã.

Não preciso dizer nada. Cliquem logo nas imagens abaixo para abrí-las e leiam tudo, vejam todos os carros, raridades como o Fusca #2 de Vitório Andreatta e Maurício Rosemberg, o Opala #77 da dupla caxiense Walter Dal Zotto e Juvenal Martini, vencedora das 12 Horas de Porto Alegre em 1963, entre outros.




Vamos combinar: essa atravessada do Rosito é espetacular.

Valeu, Júlio! Espero por mais.

Fonte das imagens: revista Auto Esporte - arquivo Júlio Cordeiro.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A primeira da F2 Codasur

Conforme publiquei na última Quarta, o Mário Estivalét enviou um e-mail com algumas imagens da Inauguração de Tarumã, da Copa Brasil de 71 e outras que ele não lembrava muito bem quando tinha sido. Pois vou ajudar o Mário a identificar os achados dele. O Mário tinha em seu baú - e não sabia - imagens do primeiro confronto entre brasileiros e argentinos em uma prova da Fórmula 2, disputada em Tarumã no dia 17 de Outubro de 1982. Vejam que barato. Nas imagens é possível identificar alguns carros. Vamos ver o que consigo:


A primeira aí em cima mostra provavelmente a volta de apresentação. Consegui identificar, na sequência, o #1 do pole Alberto Scarazzini, encoberto por ele está o #70 do Luis Di Palma. Depois aparece o #7 do Ronaldo Ely, o #3 do Leonel Friedrich e o #23 do Juan Manuel Fangio II, o carro que parecia uma McLaren. Dá para ver também alguns outros como o azulzinho do #25 do Josué de Mello Pimenta, tendo ao seu lado o #12 do "Chico" Feoli. Mais atrás, lá em cima, aparecem também o amarelo do Adu Celdo e o preto do Dárcio dos Santos. Na fila de trás dá para ver, fazendo um esforço o branco e vermelho do Cézar Pegoraro.


Aqui já parece ser a largada e parece que Scarazzini disparava na ponta.


Aqui vemos alguns carros mais de perto. O amarelo #72 é o vencedor, Miguel Angel Guerra. O #22 é Guillermo Maldonado. Aparecem também o #17 de Pedro Passadore e o #11 de Dárcio dos Santos.

Ops, olhem o "Chico" Feoli escapando no meio do Tala!


Encerro com uma da Turismo 5000 que correu no mesmo dia. Se vocês lembram, essa foi a prova na qual alguns pilotos do Campeonato Paulista vieram correr com os gaúchos. É possível ver o #24 do Cláudio Duarte, o #7 do José De Léo, o #14 do Edison Tróglio e o #13 do Luiz Fernando Tróglio. O último lá atrás é o Maverick #86 do paulista Alberto Takashira.

Demais esses achados. Vejam o que tinha de gente no Tarumã. Eu também estava lá. Tomara que venham mais imagens lá do baú do Mário.

Valeu, Mário!

Fonte das imagens: arquivo Mário Estivalét.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Lorena do Mário

Transcrevo aqui o e-mail recebido do amigo Mário Estivalét (que para quem não lembra é o cara dos Lorenas e da Fórmula Vê) há poucos dias.

"Leandro, Viva!!!!!!!!!

Alguns dias atrás (08/julho) você "postou" algumas fotos da prova extra da Copa Brasil, realizada em Tarumã. Lembrei que tinha em algum lugar umas fotos e fui "caçá-las". Achei! São algumas fotos dos treinos, no dia anterior à prova, onde eu fui com minha Lorena. Estou te mandando as oito fotos que eu tenho dos carros, Lolinha com Emerson, Lola T70, Royale, Porsches, etc. Os carros estão pequenininhos nas fotos, mas interessante mesmo é ver o cenário do autódromo, ainda mais vazio durante os treinos (se não me engano esta foi a terceira prova realizada em Tarumã). Claro, junto está uma foto da minha Lorena tirada naquele dia, logo à direita dos boxes!!!!! Um grande abraço e muitos anos de sucesso.

Mário Estivalét"







Agora uma observação, que me dei conta depois de responder e agradecer ao Mário. Essas duas aí embaixo são do dia 08 de Novembro de 1970. Repararam? Olhem que interessante essa primeira.


Agora vejam essas duas que encontrei aqui nos meus achados: vejam o Bentley, com o então governador Walter Peracchi Barcellos, rompendo a fita inaugural do autódromo e os carros na sequência.



Ou seja, aquela imagem deve ser a preparação dos carros para cruzar a linha de chegada e inaugurar a pista. Esse local parece ser o trecho entre as curvas do Tala e 8, ou mesmo 8 e 9. Alguém que esteve lá deve saber. Definitivamente, o Mário estava na inauguração do Tarumã. Vejam o Porsche #65 do Mário Olivetti nos boxes abaixo.


Valeu, Mário!

Ainda tenho mais alguns "achados" que ele me enviou. Publicarei na sexta.

Fonte das imagens: arquivo Mário Estivalét e jornal Esporte Motor.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

O nascimento do MCR

Após a saída da Swift UK, Luiz Fernando Cruz, mudou totalmente seu rumo. Se mudou para os Estados Unidos e passou a se dedicar a outros negócios que não o automobilismo. Entretanto, em 1994 encontrou o amigo Oswaldo Negri Júnior que competia na Fórmula 3 Mexicana. Este o convidou para dar o suporte técnico durante toda aquela temporada e lá foi Cruz para o México, mas apenas nos finais de semana.

A equipe era a Prometeo que tinha além de Negri, o irlandês Derek Higgins na pilotagem dos carros. Curiosamente, Higgins havia sido concorrente de Cruz na Fórmula Ford 1600 em 1987. O time acabou sendo o vice campeão da temporada 94. Cruz também deu suporte ao piloto da equipe na Fórmula Renault, o mexicano Horacio Richards, que acabou campeão.



Mais cinco anos afastaram Cruz das corridas até que o velho amigo Michel Ligonnet, piloto da Fórmula Renault em 88, que correu com o primeiro carro totalmente projetado pelo gaúcho, o convidou para acompanhar as 24 Horas de Le Mans, em Junho de 1999, onde Michel correria com um Porsche 911 GT2.


A experiência de Le Mans trouxe à tona uma ideia antiga de construir um protótipo. Cruz já estava morando novamente no Brasil (desde 1997) e num encontro casual com o construtor Ademar Moro, veio a proposta de uma parceiria. Cruz entraria com o know how e Moro com a estrutura para fazer o protótipo. Isso foi em Julho de 99. O objetivo era estrear o carro nas 12 Horas de Tarumã, que seriam realizadas cinco meses depois.

Cruz ainda lembra que não conseguiu ficar sem meter a mão na massa, pois queria ver o protótipo nascer, e acabou, ele e Moro, ficando noites e fins de semana construindo o primeiro MCR. Depois de muito serra-e-solda-ferro, o carro ficou pronto no final de Novembro, uma semana antes das 12 Horas. O carro foi para a oficina do Luciano Mottin, que desde então participa ativamente dessa história. A equipe foi para a pista testar e o carro se comportou muito bem. Viraram tempos de ponta já de cara. Fazia sete anos que Cruz não pilotava, desde sua saída da Swift. Mas como ele diz, pilotar é como andar de bicicleta ou esquiar, uma vez aprendido, não se esquece mais. Porém ocorreu a quebra de um rolamento de roda o que fez o carro sair reto na curva do Laço. Uma pancada na barreira de pneus acabou com a carenagem. Cruz teve de virar sete dias e sete noites para fazer uma carenagem nova, sem molde nem nada, tudo na mão, poliuretano, fibra e lixa.


O carro ficou pronto na véspera. Cruz preferiu não correr e cedeu seu lugar a João Sant'Anna, ficando concentrado no trabalho de box. O carro venceu a prova com 11 voltas de vantagem. A esta altura Cruz já trabalhava na montagem do MCR grande, que inicialmente teria um motor BMW M3 e mais tarde o Chevrolet V8.


Cruz ficou com o chassis do carro grande e comprou um motor V8, câmbio, freios, etc e tentou por quatro anos fazer um esquema forte. Mas precisava de parceiros. O carro era o protótipo mais veloz do Brasil, mas mesmo fazendo todas as pole positions possíveis, quebrava muito a transmissão e abandonava as provas, sempre na ponta. Foi o carro mais veloz das Mil Milhas em 2003. A equipe, composta por ele, Rodrigo Ribas, Walter Soldan e Fernando Parra, com Egon Herzfeldt na preparação, não fez a tomada de tempos, mas baixou em 1,5s o tempo da pole no warm-up. Na prova, após sensasional recuperação, a equipe abandonou depois de quebrar a fixação da roda. Com esse time o carro teria tido grandes chances se houvesse mais tempo para trabalhar.


Na sequência veio a vitória no Torneio de Verão de Tarumã. Depois disso, Cruz fez a carenagem fechada e andou apenas nos 500 Km de Interlagos e acabou vendendo o carro para uma equipe de Sao Paulo em 2004.




Enquanto isso os chassis MCR menores ganhavam inúmeras provas e campeonatos, principalmente no Sul do país. Foi Tri-Campeão da Brascar (2001, 02 e 03) e Hepta Campeão das 12 Horas de Tarumã (1999, 2001, 02, 03, 04, 07 e 08).

Foi em 2004 que Cruz foi procurado pelo inglês Matt Manderson, que era gerente da BAR-Honda, para fazer um projeto para a categoria Sport 2000 inglesa. Eles assim criaram a MCR UK (Manderson Cruz Racing). O projeto, embora se assemelhe com o MCR brasileiro, possui muitas diferenças técnicas, a suspensão traseira, motor, câmbio e principalmente quanto ao seu peso, cerca de 100 Kg mais leve, pois lá o peso mínimo é de 500kg. Foram enviados aqui do Brasil dois carros no inicio de 2005. Após a montagem do primeiro carro Cruz foi para Silverstone, para a segunda etapa do campeonato.


Eram 40 carros no grid. Matt largou em sétimo e terminou em quinto. Na prova seguinte em Donnington Park, largou em quinto e chegou em terceiro (primeiro podium. Na prova seguinte, enquanto liderava, saiu reto na chicane e estragou bastante o carro. A vitória era certa mas ficou adiada.

Matt ficou algumas etapas sem correr, pois teve que arrumar o carro e um dos patrocinadores retirou o apoio. Matt voltou na última etapa, o Festival de Brands Hatch. Eram 70 incritos, com baterias classificatórias e final. Ele largou a final em terceiro, passou dois na curva Paddock Bend e disparou na frente. Abriu uma boa vantagem sobre os demais, até que o motor quebrou. Mais uma vitória certa e dessa vez na mais importante prova.


Como os planos de patrocínios não deram certo, Matt acabou vendendo tudo para Clive Hayes, que montou uma oficina em St. Davids, País de Gales. Após um par de anos de investimentos em infra-estrutura, em 2009 a equipe veio com mais força.

A equipe esteve expondo nas duas últimas edições do Autosport Racing Car Show em Birmingham. Hoje já são cinco carros prontos. Muitos componentes ainda são enviados do Brasil para lá, mas as carenagens e os quadros, por exemplo, ja são produzidos lá.

A vitória de Chris Yarwood em Silverstone há poucas semanas, com Patrick Sherrington completando o podium em terceiro, colocam a equipe MCR entre as mais fortes da categoria.


Além do MCR, em 2007 Cruz construiu um novo protótipo para competir no Brasil, o LFC Tornado com motor da moto Suzuki Hayabusa. Com ele vem participando de provas até então, ao lado do piloto Cali Crestani, um dos incentivadores do projeto e responsável pela última pole do carro em Tarumã, há poucas semanas.



Termina aqui a história do piloto-engenheiro Luiz Fernando Cruz. Ele ainda se mantém na ativa e muito tem contribuido para a divulgação do automobilismo gaúcho dentro e fora do Brasil.

Agradeço a atenção dele enviando todo esse material fotográfico, bem como todas as informações para compor toda a trajetória dele nas pistas.

Valeu, Cruz!

Fonte das imagens: arquivo Luiz Fernando Cruz.