quinta-feira, 9 de setembro de 2010

História do kartismo gaúcho

Nosso amigo Paulo Trevisan está trabalhando em mais um novo desafio. Criar um espaço especial para o kartismo em seu magnífico Museu. Seu incrível acervo já conta com alguns exemplares de karts fabricados a partir dos anos 60, além de vários motores e material áudio visual, tendo inclusive um filme da inauguração do Kartódromo de Tarumã em 1966. O Paulo está atrás de informações sobre os primórdios do kartismo no estado e vou ajudá-lo colocando o blog à disposição daqueles que possuem algum registro, mesmo que na memória, sobre as primeiras provas realizadas por aqui, se houve provas disputadas em Porto Alegre, quem eram os principais pilotos, como foram as tratativas para a construção do Kartódromo de Tarumã, etc.

O Ibraim Gonçalves, que começou a se envolver com o kart em 1962, também está envolvido nessa empreitada. Certamente mais nomes se juntarão para ajudar. A tarefa não será fácil, mas como diz o ditado, devagar se vai ao longe.

Para ilustrar o post publico uma imagem de um dos grandes kartistas da história: Clóvis de Moraes.

Como disse, é um desafio. Sendo assim, mãos à obra! Procurem informações em jornais, revistas, com amigos...temos de ajudar o Paulo.


Fonte da imagem: revista Quatro Rodas.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Museu do Automóvel de Brasília

O Luiz Fernando Lapagesse deu o recado, e fui buscar mais informações lá no blog do amigo Jovino, que nos informa o seguinte:

"Semana passada fomos surpreendidos com o pedido de reintegração de posse movido pelo Ministério dos Transportes para que o curador do Museu do Automóvel de Brasilia, José Roberto Nasser, desocupe aquele espaço, já que eles alegam que precisam ocupá-lo com arquivos e documentos daquele Ministério.

Foi criada uma moção pública endereçada ao Presidente da República, solicitando que o Museu permaneça no local onde está e até ontem já havia mais de 2500 assinaturas. Portanto, vamos dar nosso total apoio ao Museu do Automóvel através da Petição Moção de Apoio via Internet.

Para assinar a Petição acesse o link: http://www.peticaopublica.com/?pi=apoiomab.

No acervo encontraremos raridades como o exemplar do Willys Capeta, o Itamaraty Presidencial, o FNM-Onça, o Willys Gavea, primeiro formula 3 dos irmãos Fittipaldi, os Willys que estavam sendo depredados no antigo museu de Caçapava e que hoje estão guardados lá e sendo restaurados em regime de comodato cedidos pela Ford, além de vários outros exemplares, como mostram as fotos abaixo."





Já assinei, mas não sei em quantos já somos. Quem quiser colaborar é só fazer o mesmo. É simples e rápido.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Gostava tanto do meu Passat...

O post do Afonso Iglesias lembrou daquele acidente que envolveu 14 carros em 1972. Dias depois o assunto voltou quando publiquei uma imagem de mais um dos carros envolvidos, o Corcel #52 do Edson Brum. Naquele post o amigo e expert Luiz Borgmann deixou um comentário que reproduzo aqui.

"O saudoso João de Deus Selhane Costa, ou simplesmente João Selhane, ou o "Trovão", que era o administrador de Tarumã na época do acidente, mostrou-me certa vez o espelho traseiro (saia) da saboneteira do Elcio Damião Prolo, que ele tinha guardado de recuerdo. As marcas do bloco do motor, polia, etc, ficaram em alto relevo na peça, tamanha a pancada que levou na traseira. Também acidente similar teve o Passat do Luiz Carlos Paré Rodrigues em uma edição das 12 horas, talvez em 1997. O carro, conduzido pelo parceiro do Paré, apagou na curva 1 com a chave elétrica acidentalmente desligada e o carro ali ficou, no meio da pista, madrugadão. Na sequência da escuridão, veio a patota fazendo a tomada e o primeiro que chegou, deu uma cacetada tão grande na traseira do Passat que o monobloco encolheu meio metro. O Paré até hoje conta, "porra eu gostava tanto do meu Passat..." Alô Paré, aquele abraço!
Luiz Borgmann"


E vasculhando o baú do blog achei o tal do Passat, citado pelo Borg. A primeira imagem abaixo mostra ele em 1996, na prova 500 km de Tarumã, eu acho. Foi a prova de estreia do Tubarão I da Família Andrade, pilotado na prova pelo "Carlinhos" e pelo Vicente Daudt. Junto ao Passat aparece o Márcio Pimentel. É provável que eles tenham feito uma dupla. Aqui, como percebem, o carro ainda estava inteiro. Esse, mais o do Marcelo Vieira, pilotado naquela prova pelo Steyer e o Bresolin, eram os dois únicos Passats no estado, sobreviventes das provas da Hot Car, nos anos 80.


Agora, falando sobre as 12 Horas de 1997, vejam como ficou o que sobrou da barata do Paré. Que pancada. Me lembro que o piloto que guiava no momento do acidente também corria na Speed 1600. Lembrei do "Choka" ou do André da Silveira, mas não tenho certeza se realmente foi um deles. Foi difícil até colocar no reboque para levar ao ferro velho.


Mas o Paré era insistente e preparou outro Passat seguindo o bom e velho regulamento da Hot Car. Esse carro aí correu nas 12 Horas de 1999. Conseguem identificar a inscrição na tampa do cabeçote? Já dá uma ideia da força da caranga.


O Paré é uma figura folclórica do automobilismo gaúcho. Tem muitas histórias e pretendo um dia trazê-lo aqui no blog para dividir algumas com a turma. Não tenho muitas informações sobre sua trajetória nas pistas, mas ao que consta iniciou nos anos 80 na categoria Hot Car correndo com Fusca e Passat. Depois passou para a Speed 1600, onde foi um dos líderes da categoria. Correu também algumas provas do Regional de Turismo. Quando, já em meados dos anos 90, as provas de Força Livre/Endurance foram reeditadas, Paré tratou de alinhar suas relíquias para a alegria do público.

Abaixo vemos ele em disputa com o Paulo "Sabiá". Para quem não percebeu, essa pintura do Passat do Sabiá está hoje no Passatão da Classic dos amigos Niltão Amaral e Leo Tumelero.


Antes de encerrar o post, fiquei olhando a primeira imagem, do Passat do Paré e percebi grandes semelhanças com outro carro, pilotado pelo Cláudio Mueller e Odoaldo Aldado, nos 500 km de Tarumã de 1983. Vejam os detalhes da carroceria, a entrada de ar na dianteira ao centro, os ângulos do paralamas traseiro, tudo muito parecido. Seria o mesmo carro? Grandes chances.


Fonte das imagens: arquivo pessoal, arquivo Paulo Schoenardie - foto Vilsom Barbosa, arquivo Roberto Schmitz - jornal Zero Hora.

sábado, 4 de setembro de 2010

Ênio Sandler

E acertou quem respondeu Ênio Sandler em Tarumã, 1974, durante prova do Brasileiro de Fórmula Ford. Ele guiava o #21 da poderosa equipe Hollywood, que ainda tinha Clóvis de Moraes no #22 e José Moraes no #20. A prova, segunda do campeonato, teve um passeio dos carros da equipe e só não foi completo, pois Amedeo Ferri se infiltrou em terceiro lugar com seu tradicional #13. Clóvis foi o primeiro, Sandler o segundo e José Moraes o quarto.



Tenho poucos dados sobre a trajetória de Ênio Sandler nas pistas, mas o suficiente para deixar registrado aqui. Ao que consta, sua estreia foi em 1968 e na prova "50 Milhas de Cachoeira do Sul", reservada para estreantes, obteve o primeiro lugar na Classe B, com um Fusca. A partir daí o piloto teve assídua participação nas provas de rua até a inauguração do autódromo de Tarumã.

Ênio sempre levava o #29 em seu Fusca e abaixo é possível vê-lo em ação em dois momentos: o primeiro durante disputa de posição com "Chico" Feoli nas 12 Horas de Porto Alegre, quando correu em dupla com Wilson Drago e mais abaixo, durante as 4 Horas de Florianópolis, também em dupla com Drago. Na imagem pode-se ver também o #47 de Antônio "Janjão" Freire dando uma escapada na frente do público.



O #29 também fez algumas provas no Tarumã, como na prova principal do dia 8 de Novembro, dia da inauguração do autódromo. Mais tarde, com a criação da Fórmula Ford, passou a integrar a equipe Cinzano que tinha quatro carros: #1 do Fernando Esbroglio, #2 Ênio Sandler, #3 Leonel Friedrich e #43 Raffaele Rosito.




A segunda imagem acima é de 1972 e se observada com atenção, pode-se ver uma curiosidade, o patrocínio da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. Não sabia que ela já havia patrocinado um carro de corrida.

Sandler permaneceu na Fórmula Ford até o final da temporada de 1974. O último registro que tenho sobre sua participação nas competições é dos 500 km de Tarumã de 1975, quando correu ao lado de Raffaele Rosito na Brasilia #43.

Fonte das imagens: revista Quatro Rodas, arquivos Antônio Freire e Francisco Feoli.

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Mais faceiro que pinto no lixo

Foi o que falei (comigo mesmo) ao ver o retrato do amigo Joaquim, embarcado no protótipo do Formula Vee que está sendo construído em Piracicaba, interior de São Paulo. Já falei aqui algumas vezes sobre o projeto e o "Joca", junto com o Zullino e toda a turma lá de riba, estão trabalhando nos ajustes do projeto que em breve deve ser "congelado" e ter as primeiras unidades fabricadas e vendidas. Alguém aí está na lista de interessados? O carro promete ser barato. Querem mais detalhes? Entrem no blog oficial do projeto que vão encontrar.


Legal ver o "Joca" dentro da barata. Está ficando bacana.

Fonte da imagem: http://www.mestrejoca.blogspot.com/

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Tava tudo dando errado, e de repente tudo deu certo....

Faz tempo que eu esperava por essa história, que ouvi pelo rádio, há muitos anos, contada pelo próprio protagonista, Carlos Alberto Petry.

Vai que é tua, Petry!

"O ano era 1976, eu corria com um Passat 1.500 cc com 78 HP, disputava o título gaúcho com o Fico Barros de Júlio de Castilhos, que corria com um Dodge Polara, de 1800 cc e 93 HP. Em todo o Brasil os Polara reinavam absolutos, aqui no RS as coisas eram diferentes, além de termos ganho várias corridas com os 1.500, a vantagem que os Polara tinham nas retas e retomadas eram compensadas pela maior estabilidade dos Passat, especialmente nas curvas de alta, assim como a um a dois e a nove de Tarumã. A penúltima etapa do Campeonato Gaúcho iria valer também pelo Campeonato Brasileiro, seriam as 12 Horas de Tarumã daquele ano.

Primeira surpresa, um ilustre General, Osiel de Almeida, resolveu reduzir as 12 Horas para 4. O motivo alegado era a economia de combustíveis derivados do petróleo. Assim pensado, assim feito em democrática canetada.

A Volkswagen havia feito uma alteração na taxa de compressão dos motores 1.500, de 7 por 1 para 7,4 por 1, introduzindo um novo pistão nestes motores. Com a participação e empenho da turma do Escritório Regional da VW conseguimos três jogos destes pistões diretamente da fábrica. O Ivan Hoerlle montou dois motores, um para o meu carro o 18 da Avanço HP, e outro para o carro 20 do Aiser Hehn.

Comigo correria o Paulinho Hoerlle e com o Aiser o Toninho Luft. Terça feira da semana da prova 18 horas, saímos eu e o Paulinho rumo à Floripa, com a finalidade de amaciar e avaliar a obra do Ivan. Fizemos POA/Floripa, ida e volta, duas vezes naquela noite/madrugada, e ao final da aventura de amaciar o motor (prática comum na época) estávamos cansados, mas satisfeitos, pois o motor prometia.

Quinta feira, treinos livres, sem novidades. Segunda surpresa, sexta feira chegam os paulistas, com uns poucos Polaras e um batalhão de Passats, todos TS o qual havia sido homologado naquela semana pela CBA. Dessa homologação, nós aqui no RS só tivemos notícias quando os TS paulistas chegaram a Tarumã. Para quem não sabe o Passat TS tinha 1.600 CC e 96 HP. Resultado das tomadas de tempo, estávamos nós e o carro do Aiser em 9º e 10º.

Saí do autódromo e da telefônica de Viamão liguei para casa de um amigo, que era proprietário do único TS que havia em Taquara, pedi o carro dele emprestado para tirar o motor e os “etceteras”, que o diferenciavam de um 1500 para colocar no meu carro. Loucura imaginada, loucura realizada.

Sábado, nove da matina estava eu encostando na oficina do Ivan na Edmundo Bastian, com um TS praticamente zero KM. Foi o tal de desmancha um e “mancha” outro que nem o diabo acredita. À noite chagamos a Tarumã, com um Passat TS. Por falar em diabo, o próprio resolveu dar as caras. Primeiro o meu carro apresentou um pequeno vazamento de óleo do câmbio, que resultava em fumaça, pois pingava sobre a descarga. Mandamos buscar na Gaúcha Car uma “rabeta” de caixa completa e montada. Esclareça-se que assim como a Carro do Povo, a Gaúcha Car, trabalhava em regime de 24 horas. Em seguida o motor do Aiser foi pro espaço, e nós, que fomos para Tarumã com dois carros, estávamos sem nenhum e a corrida não tinha sequer começado.

O Aiser, então foi até a oficina do Ivan e buscou o meu motor 1500 que sobrara, para montar no carro dele. Enquanto isto o Paulinho Hoerlle foi dando uma mãozinha pro Ivan e foi tirar o motor fundido do carro do Aiser. Ao soltar a mangueira inferior do radiador o diabo entrou em ação, a mangueira arrebentou e o Paulinho foi lavado, rosto e braços com água fervendo, foi um quadro muito feio. Atendido e medicado o Paulinho mais parecia uma múmia de macacão, restava a dúvida se ele poderia correr. Pelo sim e pelo não, conversando com outros pilotos ,entre os quais estava o Aroldo Bauermann, perguntei-lhe com quem ia correr e ele me disse que não ia. Chamei ele pra lado e disse: vai buscar teu macacão, capacete, luvas etc, e ele se mandou. Fui à torre e o inscrevi como piloto reserva. Falei isto só para o Ivan, pois a hora da largada estava chegando (03:00 da madrugada) e eu iria largar sem saber quem iria finalizar a prova.

Larguei em 9º. E com menos de 10 voltas, estava em segundo, onde tive uma disputa acirradíssima com um dos maiores pilotos brasileiros que eu conheci, o Atila Sippos, que durou aproximadamente duas horas, ora um ora outro levando vantagem, nós estávamos virando em 1’ 27”, foi então que o Atila foi pro box, para troca de piloto, abastecimento e troca dos pneus dianteiros. Três voltas depois entrei e então vi que quem ia me substituir era o Aroldo. Sai do carro e estava ajudando ele a colocar o cinto, quando ele me lascou a seguinte pergunta: onde se acende os faróis? Gente, o “carinha” não tinha guiado um Passat nem na rua, e o medo tomou conta. Em quatro voltas ele já virava abaixo de 1’29” dando a tranqüilidade que, eu acho por todo o esforço, nós merecíamos. E não deu outra, o Aroldo levou o “TS” até a bandeirada, sem qualquer percalço, e nós fomos os vencedores da primeira corrida de um Passat TS no Brasil.

Para finalizar, algumas considerações sobre a prova. Fosse o Paulinho Hoerlle e não o Aroldo, com certeza teríamos vencido da mesma forma. Mas o certo é que se não fosse o Ivan Hoerlle, nada teríamos conseguido. O Aiser e o Toninho Luft, com o meu motor de 1500 cc ficaram em quarto lugar. O motor do Aiser que fundiu não foi amaciado. Na troca de pilotos, ganhamos um substancial tempo, pois não trocamos os pneus dianteiros como foi feito no carro do Atila. Pelo Campeonato Gaúcho eu me sagrei campeão e o Aiser vice, sendo em 1976 o único título nacional não conquistado por um Dodge Polara e também foi o primeiro título conquistado pelo preparador Ivan Hoerlle. Finalmente o Aroldo Bauermann é um dos pilotos mais versáteis com quem eu convivi nas pistas. E ainda, o amigo que me emprestou o TS chama-se Rubem Behs. Comprei um TS zero direto da fábrica e entreguei a ele e fiquei com o “desmanchado”.

Não preciso dizer mais nada. Sensacional o relato, Petry! Muito obrigado por dividir conosco essa tua aventura.

Fonte da imagem: revista Quatro Rodas.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Há 35 anos

Tarumã, curva 8. Campeonato Brasileiro de Divisão 1, exatamente há 35 anos. Roberto "Pareci" Schmitz vai liderando um pelotão com seu Maverick #40. E 40 é justo a idade que o autódromo completará daqui a pouco mais de dois meses, no dia 8 de Novembro. Ainda não vi nenhuma movimentação em torno do assunto.

Haverá alguma prova festiva? Alguém sabe de alguma coisa? Tomara que haja uma grande festa e eu que não esteja sabendo. Espero poder ver acelerando novamente vários pilotos que marcaram a história desse querido lugar nesses 40 anos, com carros da época (alô Guardião!), homenagens, discursos, etc. Essa data não deve passar em vão. Ao menos eu acho que não deveria.


Fonte da imagem: arquivo Roberto Schmitz.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Tchéia

E já que na semana passada o "Ratão" inaugurou a seção Ferro Velho e no sábado falamos do acidente que envolveu 14 carros na chamada "maior carambola que o Tarumã já viu", publico hoje um registro de um dos carros que participou do enrosco, o Corcel #52 do Edson Brum, o "Tchéia".

Ele é mais um integrante da turma dos Jurássicos e é sempre o mais animado do grupo, fazendo brincadeira com tudo e com todos. Vou reunir algumas histórias dele para contar aqui em breve.


Fonte da imagem: arquivo Francisco Feoli.

domingo, 29 de agosto de 2010

Desafio da Semana

Mais Fórmula Ford aqui no Desafio da Semana. Quem, onde, quando... aquelas perguntinhas básicas.


Mãos à obra!

sábado, 28 de agosto de 2010

Ação no Velopark

E amanhã tem velocidade o dia todo no Velopark, com as provas do Marcas, Fórmula 1.6 e Fórmula Fusca. A programação e todas as informações podem ser obtidas no próprio site do autódromo.


Os irmãos Iglesias

Acertou em cheio quem disse que era o Afonso Iglesias no último Desafio. A pista era Curitiba, durante a disputa da segunda etapa do Campeonato Brasileiro de Fórmula Ford, no dia 21 de Maio de 1972.

Afonso estava dando uma desgarrada, a exemplo dos outros aí abaixo. Desta vez ele aparece na pista, liderando o pelotão.


Pouco sei sobre a trajetória de Afonso Iglesias no automobilismo. Ele tinha mais dois irmãos que também pilotavam. Nelson já havia competido no início dos anos 60. Ivan, começara mais ou menos na mesma época que Afonso.

Afonso teve poucos resultados expressivos na carreira, iniciada no final dos anos 60. Alguns registros encontrados mostram alguns bons resultados nas provas "200 km de Porto Alegre" com um 1093 em dupla com Luiz Fernando Andreatta em 1968, "300 km de Passo Fundo" também com mesmo carro no mesmo ano. Nas provas Vale do Rio das Antas e no Circuito Encosta da Serra, ambas em 1969, já aparecia com um Simca, sempre trazendo o número 84.

Com a inauguração do Tarumã, a Simca passou a competir no asfalto perfeito, como mostra a imagem abaixo, seguindo o Fusca de Rejany Franzen em 1971.

No ano seguinte, o #84 seria substituído pelo #85, tanto no Simca, quanto no Bino de Fórmula Ford. Abaixo Afonso aparece na saída do Tala, sendo seguido por Ricardo Trein.

O Simca seria aposentado logo após a prova de abertura do Campeonato Gaúcho de Divisão 3, quando Afonso se envolveu num dos maiores acidentes que Tarumã já viu. Logo após a largada da segunda bateria, a "Saboneteira" #13 do Élcio Prolo rodou entre as curvas 1 e 2 e ficou atravessada na pista. Afonso não conseguiu desviar e acertou o carro em cheio. Na sequência vieram mais 12 carros que também bateram.


O novo carro dos Iglesias foi um Opala, que foi preparado por ninguém menos do que Orestes Berta, na Argentina. Com o novo equipamento os Iglesias começaram a obter bons resultados. O carro era muito rápido. Não encontrei nenhum registro melhor do que esse aí abaixo, onde o #85 aparece em meio a outros competidores. Coincidência ou não, todos eles já foram retratados aqui, o Fusca #36 dos irmãos Echel, o #14 do "Sapinho", o Corcel #68 do Breno Job Freire e o Fusca #7 do Arnaldo Fossá. Se alguém tiver algum registro melhor do Opala, me envie que publico.


Mas infelizmente a história dos Iglesias ficou marcada pela tragédia, quando o inesquecível acidente em 21 de Outubro de 1973 vitimou Ivan e o "Pedrinho" Pereira. Afonso era o piloto titular, mas uma hepatite o colocou no lado de dentro do box, cedendo a vaga ao irmão. Os Iglesias nunca mais voltaram a competir e o #85 entrava para a história do automobilismo gaúcho.

Fonte das imagens: arquivos Roger Franzen, Roberto Freire, Ricardo Trein e revista Quatro Rodas.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Pereirinha

O post de hoje é especial para a Adriana e o Matheus, viúva e filho do Luiz Fernando Weber Pereira, o "Pereirinha", que vim a saber ontem, nos deixou ainda jovem, há 15 anos.

A Adriana ficou emocionada com a lembrança feita aqui há algum tempo, por isso gostaria que aqueles que o conheceram e que eventualmente passam por aqui, falassem um pouco sobre ele.



Obrigado pela visita, Adriana!

Fonte da imagem: revista Pódium Graphic.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Arquivos do "Ratão" III

Mais demolição de Chevettes aqui no blog. Cortesia do nosso amigo "Ratão". Começamos em 1989, 6ª etapa do Regional de Turismo em Tarumã. O #80 era pilotado pela dupla Rogério e Rommel Pretto que bateu na curva do Laço. Como se não bastasse, o Passat #27 do José Roque Bresolin e do Victor Steyer encheu a traseira do carrinho para completar o estrago.


Mais um Chevette de Encantado que voltou direto para a sucata. 2ª etapa do Gaúcho de Marcas, Tarumã, 1990. O #57 do Luciano Mottin e do Artur Casara levou um "toquinho" de outro Chevette no final da reta e deu no que deu.


Encerrando o lote, agora o #11 do Serge Buchrieser, devendo ser em 1994, quando corria com o "Toni" Martins.


Olha, juntando o capô de um, a porta de outro, talvez desse para montar um outro. Talvez...

Valeu, "Ratão"!

Fonte das imagens: arquivo Carlos Eugênio, enviadas pelo João Cláudio Muller.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Imagens...

...as vezes falam mais do que palavras.

É só olhar a cara de felicidade do Professor.



Fonte das imagens: arquivo Paulo Trevisan.

Arquivos do "Ratão" II

Recebi mais alguns retratos do amigo "Ratão", que parece estar sugerindo a criação de uma seção "Ferro Velho" aqui no blog. Dia desses mostramos o que sobrou do Uno dos irmãos Biazus, durante uma prova do saudoso Regional de Turismo em 1986. Ao que tudo indica o Chevette vermelho abaixo se envolveu no enrosco, pois a data da fotografia é a mesma, de Novembro daquele ano. Pode ser que sim, pode ser que não.

Não me lembro desse Chevette. O #55 sempre foi do Wagner dos Santos, mas se não estou enganado ele começou nas corridas apenas em 1987 e parece que foi com um Passat, portanto não seria esse aí.


Mais abaixo, outro indo para a sucata. A data é de Dezembro de 1988. Naquela ocasião foi disputada a 10º e última etapa do Regional de Turismo, nas 12 Horas de Tarumã. O Chevette abaixo, pelos patrocinadores, devia ser o do Ari Rosário e do Jair Bernardon com mais algum piloto. A não ser que a foto tenha sido revelada bem depois. Aí a minha explicação vai por água abaixo.


Amanhã tem mais.

Fonte das imagens: arquivo Carlos Eugênio, enviadas pelo João Cláudio Muller.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Dois "novos" habitantes

O Paulo Trevisan, que ainda deve estar com um sorrisão por conta do último sábado, enviou registro do Diário da Manhã de Passo Fundo, circulado no dia de hoje.


O Fusca da Gaúcha Car, já conhecíamos. Trabalho impecável. Agora vamos combinar: ficou BALA essa Brasília, hein?

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Relatos do sábado

Confiram os registros do último sábado em Passo Fundo nos blogs dos amigos Niltão Amaral, Leonardo Tumelero e João Cesar Santos. Eles estiveram na festa e pelos comentários foi muito bacana. Muita gente apareceu, a emoção rolou solta, muitas histórias, as novas jóias do Museu brilhando...



Valeu, turma!

Fonte das imagens: Blog do Passatão e Máquinas e Histórias.

Noite de explicações

Hoje continuamos com a trajetória e aventuras do Bruno D'Almeida nas pistas e fora delas, contada pelo próprio. Vai que é tua, Bruno!

"Em 1974 resolvi fazer uma oficina somente para os carros de competição na Rua Vicente da Fontoura. Acertei com o Luiz e o Miguel para fazermos o carro. Na época os dois trabalhavam como mecânicos na Revenda VW IWERS. Consegui o patrocínio da PANVEL para a temporada. Compramos na Ala Zero todos os componentes para fazermos um carro inteiramente novo.

Nossa primeira corrida foi os "500 Km de Tarumã". Convidei o Victor Steyer para ser meu co-piloto. Estava tudo perfeito quando na última volta, já indo para bandeirada da comemoração começou a chover e o Victor bateu na Curva do Laço. Mesmo assim ficamos em segundo lugar. Carreiras são carreiras...

Nesta corrida o Luiz passou a ser conhecido como o "LUIZ TUNNING".

Nesse ano houve um Torneio de Velocidade no qual acontecia uma corrida a cada 15 dias. Em quatro corridas fui o Campeão do Torneio com a entrega de prêmios num belo churrasco no restaurante do Tala Larga. Fui também Campeão Gaúcho da Divisão 3. Nessa época o Fernando Moser pediu para fazer o carro na minha oficina junto com o Luiz. Tudo bem, sem problemas. Grande Moser!!! Por onde estiveres vou sempre te admirar como pessoa e piloto e nunca esquecer das inesquecíveis corridas e estórias que juntos curtimos nas corridas de Tarumã, Guaporé, Rio de Janeiro, El Pinar e Rivera.

Em 1975 corri em El Pinar, no Uruguai, ficando em segundo lugar. Fiquei atrás da Mini-Cooper do Pedro Kent e também fiz duas etapas do campeonato brasileiro de D3 em Goiânia e Brasília, tirando quinto e sexto lugar com a preparação do Gessy. Corri também os "500 km de Tarumã" junto com o Brasílio Terra em um Opala #90 chegando em quarto lugar na geral.

Abaixo aparece o Fusca branco #16 em Goiânia.


Só voltei a correr em 1979 com o patrocínio da Shell com o Volks preparado inicialmente pelo Luiz Tunning. Não me recordo a data pois era final de temporada, mas lembro que venci com meu cunhado Julio Renner em segundo lugar. Depois fui convidado pelo Vilmar de Azevedo a fazermos um canhão para vencer a prova da amizade em Rivera onde corriam brasileiros, uruguaios e argentinos. Para mim tinha algo especial para dar chance de dar o troco na Mini Cooper. Colocamos o que tínhamos de melhor no Volks #16: motor 1800 cc, virabrequim roletado spg alemão, Webber 44 manifolds, autos para termos bastante torque nas curvas de baixa, até o escapamento era importado da Scatt, caixa de câmbio de cinco marchas com dentes retos de marca Webster, amortecedores Koni e muito mais coisas... Em resumo, ganhei as duas baterias e fiquei com o recorde da pista por muito tempo.

Na corrida seguinte fomos eu e o Moser para o Rio de Janeiro participar do Campeonato Brasileiro de Divisão 3. Fui de caminhão eu, Vilmar e o Caetano Antinolfi, rebocando junto o carro do Moser. Chegando no autódromo à noite estacionamos no portão que estava fechado e esperamos o Moser chegar. Vimos quando ele fez o retorno para estacionar junto a nós, mas não vimos uma viatura da polícia estacionada atrás do caminhão. O policial veio pedir os documentos pela janela do Caetano mas ele pensou que era o Moser e puxou o seu revólver, brincando, e colocou na cara do policial e perguntou: o que queres vagabundo (e outros adjetivos que não posso colocar aqui)? Resumindo... em 10 minutos haviam cinco viaturas e fomos todos para a cadeia carioca. Que noite de explicações... O resultado desta corrida nem me lembro...rsrssrssssss

Outra do Caetano que nunca esquecerei... quando numa descida da Rua Mostardeiro em frente ao Parcão lotado em uma sexta-feira à noite, enquanto eu fazia um cavalo de pau o Caetano colocou a bunda branca para fora da janela - que meus filhos e netos não vejam estas estórias... rssss

Em 1980 comecei a correr no meio da temporada na TEG (Turismo Especial Gaúcho) com patrocínio da Ipiranga, carro feito também pelo Tunning. Fiz duas corridas, venci a primeira em Guaporé. A segunda em Tarumã na bandeirada o carro parou sem álcool pois um dos mecânicos tinha esquecido de colocar a tampa do tanque e a cada curva para a direita jorrava o combustível para fora. Parei a 10 metros da linha de chegada onde o diretor da prova já estava com os braços erguidos aguardando minha passagem. Quem venceu foi o Claudio Ely e empurando cheguei em segundo lugar.



Este foi o resumo de algumas corridas e estórias como piloto. Após fui para a equipe Orloff em 1982."

Fonte das imagens: revista Quatro Rodas e arquivo Arnaldo Fossá.