terça-feira, 12 de julho de 2011

4 anos hoje

Pensei, pensei e pensei... Mas o que escrever? Esse dia não pode passar em branco, afinal foram tantos ótimos momentos até chegar aqui!

Desde o dia 12 de Julho de 2007 até hoje, o bloguesinho só tem me dado alegrias. Ouvir uma grande história, reencontrar pilotos da antiga, estar entre eles, descobrir que há outras tantas pessoas - assim como este que vos escreve - que também se importam com a preservação da memória das carreras, acelerar uma barata nas pistas! Nada disso fazia parte do propósito inicial desse espaço, mas foi acontecendo naturalmente ao longo de cada nova postagem.

De vez em quando dou uma olhada na coluna dos marcadores e lembro de cada bate-papo e cada mensagem trocada com essa turma toda que está alí. Que trabalhão, mas ao mesmo tempo, que orgulho de ver que aquela ideia do blog, lá atrás, não era assim tão inútil.

Tudo isso, é claro, não iria para a frente sem a ajuda e o interesse de cada um dos personagens dessas histórias em compartilhar preciosas informações, que muitas vezes estavam intactas há décadas, na memória de poucos, sujeitas ao esquecimento. E que bacana ver a turma - os blogueiros - vindo aqui e prestigiando o resgate dessa história. Não poderia deixar de agradecer a todos.

O blog segue em frente, com a mesma cara, procurando sempre uma nova história, uma nova emoção, uma nova alegria. Até quando? Não sei, mas até lá muita coisa boa ainda vai aparecer por aqui.

Meu amigo Maurano nos traz, pela quarta vez, um bolinho especial para dividir com todos. Peguem uma fatia e aproveitem.

Obrigado mais uma vez! Vocês também são responsáveis por tudo isso.

Valeu!

Leandro Sanco

domingo, 10 de julho de 2011

Desafio da Semana

O piloto talvez a turma identifique, mas o que quero saber é quem é o "bigode" ao lado da barata.


Mãos à obra!

sábado, 9 de julho de 2011

Waldir Buneder

Ao longo desse período em que o blog está em atividade muitos foram os pilotos retratados aqui. Pilotos da antiga, da atualidade, os "botas", os bons e os nem tanto. O espaço, como sempre disse, é democrático. O objetivo é preservar e divulgar a história do automobilismo gaúcho.

Dia desses, revendo os nomes, me dei conta que ainda não tinha falado de um dos grandes pilotos que o Rio Grande e o Brasil já viu. Mas como? exclamei. Pois é, essa terra já produziu tantos ótimos pilotos que esquecer de um ou outro até que não é uma falha tão grave.

O negócio era colocar a mão na massa e preparar uma rápida pesquisa sobre a trajetória do personagem. Selecionar e publicar uma imagem para o Desafio da Semana e pronto: poucas horas depois a turma já tinha o nome dele desvendado: Waldir Buneder.

Com a ajuda de um outro "bota", o "Castrinho", consegui um contato com o Buneder que foi muito gentil e me confirmou algumas informações, Tudo isso feito, era hora de contar para vocês um pouco da história dele nas pistas.

Buneder, começou muito cedo, mais cedo do que eu imaginava, no kart, no distante 1973. Com um kart que era do Jorge Fleck, ele fazia as provas do Campeonato Gaúcho na categoria Estreantes e Novatos: ao final do campeonato, o primeiro título. Foi Campeão, deixando Carlos Krug em segundo e Erbert Frischmann em terceiro.

Entre 1973 e 1979, Buneder participou de várias provas, porém, me disse ele, de forma esporádica. Falando com o amigo Paulo Trevisan, este me enviou um registro de uma lista de inscritos para uma prova do Campeonato Gaúcho de 1977 em Tarumã. Por coincidência, Paulo e Buneder corriam na mesma categoria, a 125 cc B, que era standard. Outros nomes que destaco daquela listagem são o Cícero Santoro, Itamar Bianchesi, Marcos Ribeiro, Paulo Wendt, todos esses tendo passado mais tarde para as categorias de Turismo ou Monopostos.

Ainda em 1979, Buneder participou do Torneio Carro do Povo de kart, disputado em duas etapas, na praia de Torres. Se não estou enganado foi no Parque da Guarita. Na soma de pontos ele acabou conquistando o título.

1981 se tornaria um ano inesquecível na história do kartismo por conta de suas disputas e pelo nível dos pilotos participantes. E lá estava Waldir Buneder, com seu já tradicional kart #12. Competindo na classe 125 cc Preparada, enfrentou nomes de peso como Gerson Morschbarcher, "Neco" Fornari, Luiz Fernando Cruz, os irmãos Friedrich, "Beto Pareci", entre outros para conquistar o Campeonato Citadino. No Gaúcho também teve bom desempenho, concluindo as provas sempre entre os ponteiros. Para fechar o ano, Buneder fez dupla com Vitor Hugo Castro para juntos vencerem os "200 km de Tarumã" no dia 13 de Dezembro. Buneder lembrou que o prêmio para a dupla vencedora foi uma televisão, que acabou ficando com Vitor, "pois ele casaria primeiro", disse Buneder.

Consolidado como um dos grandes talentos do kart, Waldir Buneder participou da modalidade até 1985. Um ano antes ainda conquistou mais um título, o de Campeão Gaúcho.

A passagem para os carros era questão de tempo e a estreia ocorreu no dia 16 de Novembro de 1985, na prova "500 km de Guaporé", penúltima etapa daquela temporada do Campeonato Regional de Turismo. Buneder correu com um Gol fazendo dupla com um antigo parceiro, Jorge Fleck. A prova foi noturna, o que aumentava o grau de dificuldade para o estreante. Largando da sétima posição, a dupla só cresceu na prova, chegando a andar na liderança, o que deixou Buneder eufórico enquanto estava nos boxes. Com muita regularidade, o ex-kartista guiou na parte final da prova, chegando na terceira posição, na mesma volta dos vencedores, a dupla Luiz Carlos Ribas e Walter Soldan, com um Fiat 147. O pódio já na primeira prova era um indício do que estava por vir.

Saberemos mais sobre os anos seguintes no próximo post.

Abaixo algumas imagens dos primeiros anos de Waldir Buneder no kart e no automobilismo. Iniciamos com um registro de 1973, na categoria Estreantes, depois a folha de inscritos de 1977 (enviada pelo Trevisan), alguns lances de 81 e por fim uma imagem da prova de Guaporé em 85, quando Buneder fez sua estreia nos carros. O seu carro (Gol) aparece bem à direita.








Fonte das imagens: jornal Folha da Tarde - arquivo Roberto Schmitz, arquivo Paulo Trevisan, revista Kartbox - arquivo André Pasquale, jornal Zero Hora, arquivo Roberto Lacombe e jornal Esporte Motor.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Navegando pela web...

...encontrei dois registros de uma época, não muito distante, em que ainda tínhamos uma boa disputa e um bom grid para a principal categoria do continente, a Fórmula 3 Sulamericana. O primeiro é do Constantino Júnior, em Tarumã 1992 e o segundo do Nestor Furlan em Guaporé, 1995.



Fonte das imagens: www.gabrielfurlan.com e www.amirnasr.com.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Finalmente Campeão

Hoje o Ayrton Brum nos conta a história de sua primeira vitória nas tão sonhadas 12 Horas. Foi em 1996. Confiram.

"Neste ano, novamente, por disputar somente as provas em Tarumã, foi um ano de poucos fatos relevantes dentro do Campeonato Gaúcho.

Sempre senti um gosto especial pelas provas longas, as 12 Horas de Tarumã. Já estava em destaque como a que mais me dava prazer em pilotar, especialmente pela parte noturna. Depois, pela manhã, ver o dia amanhecer, o “pau comendo”, e ainda ter um carro inteiro, depois de atravessar a madrugada, é uma sensação que somente quem já disputou pode sentir, descrever, é muito vago.

Para essa prova fiz uma parceria com os Pilotos Gelson Zauer e o Dr. Hugo Vargas. Iríamos correr no carro do Gelson com o numero 21, pois não queria colocar o meu Speed 11 em uma prova de 12 horas.

Foi uma parceria perfeita, onde desde a preparação do carro, com peças novas e revisão do carro, até a estratégia de pilotagem, foi feita em comum acordo, com responsabilidade de três pessoas que queriam somente uma coisa, a vitória. Sem estrelismo e sem um querer ser melhor que o outro e baixar o tempo que tínhamos estipulado em virar volta a volta.

O preparador do carro na época era o Amilton de Viamão e eu, como sendo convidado, fui para a equipe, levando meu patrocinador e fiquei responsável pelo pagamento do preparador.

Ele decidiu que iria mexer no carro para as 12 Horas. Iria deixar a suspensão traseira mais em pé, para economizar pneus, embora eu não concordasse, pois o carro além de ficar mais arisco, ia desgastar igualmente os pneus, pois entraríamos mais atravessado nas curvas. Mas como eu era convidado, tinha que me adaptar ao carro e a equipe.

O Amilton preparou outro carro igualzinho ao nosso, que era o do Piccini. O Gelson largou, por ser o dono do carro, depois assumiu o Dr. Hugo e eu fui o último a assumir a pilotagem, às 3hs da madrugada.

Os dois carros foram sempre andando parelho. O nosso com poucas voltas de vantagem sobre o outro.

No início da manhã recebi o carro do Dr. Hugo e ele, com muita responsabilidade, disse que tinha pego uma "lavadeira" na saída da curva do Laço, e que olhassem rápido o carro por baixo, enquanto abastecíamos.

O pessoal da equipe me avisou, enquanto eu amarrava o cinto, que estava tudo bem com o carro, que apenas tinha marcas do contato com a lavadeira, e ainda disseram: pode pisar Brum, não aconteceu nada com o carro.

Assim fui, por volta das 8hs da manhã. Éramos líderes na nossa categoria, mas faltava muita corrida.

Fazia a curva 8 em direção a curva 9 quando o carro se envolve todo em fumaça, de uma hora para outra, sem sequer ter havido qualquer motivo. Primeira coisa que me veio à cabeça foi: Meu Deus, não faz isso comigo, estamos liderando, preciso desse titulo. Passei os olhos nos relógios, e com exceção da pressão do óleo ter caído, os outros todos estavam normais e a luz do óleo não chegou a acender. Pisei para ver se o motor respondia e ele respondeu de imediato. Mesmo assim, tirei o carro do traçado e continuei acelerando na mesma velocidade que vinha. Tomei rumo aos boxes. Lembrei do Dr. Hugo ter pego a lavadeira, pois era única explicação, e o óleo escorrendo no motor quente, fazia a fumaça. Na entrada dos boxes, olhei pelo retrovisor e vi o rastro de óleo no asfalto, bati na chave, desliguei o motor e entrei no embalo.

Cheguei aos boxes gritando: TAMPÃO DE ÓLEO...TAMPÃO DE ÓLEO! Enquanto a equipe recolocava o tampão, bati no cinto e fizemos a troca de piloto. O Amilton me perguntou se a luz do óleo tinha acendido e respondi que não chegou a acender. Olhei para o motor reserva em um canto do box, e vi o óleo escorrendo, aí vi de onde eles tinham tirado um outro tampão.
Voltamos ainda na liderança, com quatro voltas de vantagem sobre o outro carro da equipe.

Por volta das 11hs o Dr. Hugo passa na reta com o carro lento, acelerando e desligando o motor, acelerava e novamente desligava. Ao entrar no box descobrimos que tinha rebentado a correia, trocamos e voltamos para a corrida ainda com duas voltas de vantagem sobre o segundo colocado.

Às 11:45 da manhã minhas pernas tremiam parado junto a mureta e o Gelson estava na pilotagem. Ele passou mais lento que o normal, fazendo sinal para traz, sinalizando que o motor não estava legal. Depois vim a saber que um prisioneiro do motor estava solto.

Ganhamos as 12 Horas na nossa categoria, com apenas duas voltas de vantagem, e chegamos em oitavo lugar na Geral.

Era o topo e, claro, o objetivo final de todo piloto, seja em que categoria for, vencer as 12 Horas de Tarumã. Estava realizado com chave de ouro o sonho que aquele garotinho vinha sonhando desde os sete anos de idade, e melhor do que ele esperava."

Abaixo alguns registros daquela prova. De cima para baixo, pela manhã, contornando a curva 1, o detalhe da suspensão traseira em pé, a comemoração na pista e no pódio.





Fonte das imagens: arquivo Ayrton Brum.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Paixão pela velocidade

O amigo aí abaixo foi tema de uma ótima reportagem do site Autoestrada. Para conferir, cliquem aqui.


Toda essa movimentação em prol da preservação e valorização da memória do automobilismo gaúcho e brasileiro deve muito a ele. Muito mesmo...

Fonte da imagem: site Autoestrada.

O capô voador

Hoje o Victor Steyer continua nos contando a história da sua trajetória nas pistas. Vamos de 1986 até 1991.

"Em 1986 participei do Campeonato Regional de Turismo com o Carlinhos Andrade no Chevette #5. Ficamos com o vice campeonato. No ano seguinte participei com um Uno em dupla com o Renato Conill em algumas provas e nas 6 Horas de Guaporé participei com o Waldir Buneder e o José Bammann com um Passat. Nas 12 Horas daquele ano corri com um Opala com os pilotos Sergio Konarzewski e José Ferrari. Fizemos a pole, lideramos a prova até faltarem uns 20 minutos para o término quando nosso motor quebrou. Vitória certa que escapou das nossas mãos.

Em 1988, voltei à equipe do Carlinhos. Novamente ficamos com o vice campeonato, já que nos tiraram o campeonato no tribunal... Aliás, foi algo que eu nunca consegui engolir, mas deixa para lá, coisas de automobilismo... No ano seguinte participei com um Passat patrocinado pelo Curtume Ritter com o piloto José Roque Bresolin. Continuamos com esse carro em 1990. Mais tarde ele seria substituído por um Voyage. Foi neste mesmo ano que participei com o mesmo carro alterado para o Brasileiro de Marcas em uma pova em Interlagos, junto com Walter Soldan, apenas para conheçer o novo traçado da pista de Interlagos, onde eu ainda não havia pilotado...somente na pista antiga!!! Nas 12 Horas de 1990, corri com o Carlinhos e o Baguncinha e terminamos na segunda colocação com o Chevette.

Segui correndo com o Bresolin e o Voyage no Gaúcho de Marcas de 1991. Nas 12 Horas daquele ano corri mais uma vez com o Carlinhos Andrade e o Roque Bresolin. Chegamos em quarto lugar na geral. Foi aquele ano em que em plena reta perdi o capô do motor. O capô voou tão alto que foi atingir um carro estacionado na curva um!!! Dias após a prova recebemos uma notificação para indenizar os estragos no carro do espectador.... e a prova que ele tinha... era o nosso capô... hehehe... Lógico, para evitar transtornos ao Automóvel Clube, eu, o Carlinhos e o Bresolin dividimos o custo do conserto do carro do espectador.

Dai em diante começei a ficar desmotivado. Os resultados não vinham e começei a pensar em parar. Queria correr sozinho, lutando por meus próprios méritos. Sonhava com o Brasileiro de Stock Car, mas nunca consegui verba suficiente para encarar os orçamentos deles..."


Não seria dessa vez que Steyer penduraria o capacete. Vocês saberão que prova motivou a permanência dele nas pistas no próximo post.

Abaixo uma sequência de imagens do período entre 86 e 91, começando com a dupla com Carlinhos no Chevette #5, depois o Uno com Conill em 87, o retorno da dupla Carlinhos/Steyer no belo #5 de 88, o Passat #27 de 89 e 90 com o Bresolin, o Voyage #10 com o qual correu em Interlagos com o Soldan, fechando com o que sobrou do Opala #5 ao final das 12 Horas de 91.









Fonte das imagens: arquivos Victor Steyer, Paulo Trevisan, fotos Vilsom Barbosa, jornal Pit Stop, jornal Esporte Motor e jornal Zero Hora.

Aproveitando o assunto...

...lembrei que esses tempos o Eurico Estima me enviou essa aí que mostra o Christiano Nygaard (direita) e o Luiz Milano, quando da participação deles nesse inesquecível Rallye.


Fonte da imagem: arquivo Eurico Estima.

Quarenta anos atrás...

Recado enviado pelo Comandante Pastro, lembrando do aniversário de 40 anos do maior Rallye da história do país.

"Na data de 04 de Julho de 1971 teve inicio o I RALLYE DA INTEGRACAO NACIONAL.
Com a largada em Fortaleza – CE a prova se desenrolou por oito dias em 5.200 km até a chegada na Vila do Chuí – RS.

Passando pelos Estados do Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul foi o mais longo Rallye disputado no Brasil até a data de hoje.

Dos 106 concorrentes inscritos, 97 largaram tendo entre eles 19 carros representado o Rio Grande do Sul.

Dentro desta prova de regularidade e precisão foram disputadas provas especiais contra o relógio (velocidade) na Serra de Itaipava –RJ, Autódromo de Interlagos- São Paulo, Autódromo Paulo Pimentel – Curitiba e Autódromo de Tarumã em Viamão. As provas nos autódromos foram efetuadas no sentido oposto ao oficial.



Chegada ao final da quarta etapa em Porto Alegre no Monumento do Laçador da dupla gaúcha Adolfo Erwin Gerhard Goldberg / Francisco Ricardo Roemmler no Ford Corcel N21. Eles terminaram a prova em primeiro lugar empatados em pontos perdidos (regularidade) com Jan Johannes Hendrik Balder / Alfred Karl Maslowski representando São Paulo com um Puma GTE Volkswagen 1.600. O desempate a favor dos paulistas foi efetuado através dos tempos registrados nas provas especiais (velocidade)."

Fonte da imagem: arquivo Renato Pastro.

sábado, 2 de julho de 2011

Castro venceu a briga pelo vice

O último desafio não foi tão difícil. Aquela sequência de curvas é inconfundível e inesquecível, a entrada da Ferradura do antigo traçado de Interlagos. Os carros do Brasileiro de Fórmula Ford faziam sua última etapa do campeonato de 1979. Na ponta ia o campeão por antecipação Artur Bragantini seguido por Luis Alberto Ribeiro de Castro, Maurizio Sandro Sala, Alexandre Negrão, Fábio Bertolucci e outros mais.

A briga daquela prova seria pelo vice-campeonato. "Castrinho" tinha 54 pontos contra 48 de Aloísio Andrade Filho, 43 de Eduardo Cardoso, 42 de Alexandre Negrão e 35 de Maurizio Sala.

Na primeira bateria "Castrinho" largou mal, passando em quinto na primeira volta, mas logo subindo para segundo, ficando atrás apenas de Bragantini. Negrão acabou por ultrapassar ambos, mantendo a ponta até o final da bateria. "Castrinho" seguiu lutando pelo segundo lugar e na última volta foi várias vezes fechado por Bragantini, ficando em terceiro. Na bateria final Negrão liderou até a quarta volta, quando acabou rodando. Bragantini voltava a liderar, seguido por Sala e "Castrinho". Bragantini seguiu com as fechadas, contrariando a orientação da equipe que era para fazer de Sala o vice-campeão. Numa das vezes, "Castrinho" quase o passou na curva 3, mas teve de travar as rodas após mais uma fechada do já campeão, perdendo contato com os líderes. Mesmo assim, na soma dos pontos, o gaúcho saiu com o vice.

Bragantini foi muito criticado por suas fechadas, mas, ao contrário do que todos esperavam, não sofreu nenhuma punição por parte dos comissários.

"Castrinho" fez uma boa temporada, inclusive vencendo em Tarumã. Na penúltima etapa do campeonato em Goiânia, vinha dominando amplamente o final de semana, tendo feito a pole e vencido com tranquilidade a primeira bateria. O Bino preparado por Dino Di Leone estava perfeito e a segunda bateria parecia uma reprise da primeira, porém, para tristeza da equipe gaúcha, o diferencial quebrou quando faltava pouco mais de uma volta para o final da prova. O vencedor acabou sendo Cláudio Mueller e os pontos do segundo lugar, acabaram dando o título antecipado à Bragantini.

Abaixo alguns momentos de "Castrinho" naquela temporada.




Outros gaúchos que participaram daquela temporada, além dos já citados "Castrinho", Mueller e Bertolucci foram Voltaire Moog, Flávio Martinewski, Egon Herzfeldt, Amedeo Ferri, João Alfredo Ferreira, Leo Lanzini entre outros.

Fonte das imagens: revista Quatro Rodas.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Não posso errar...

O ano de 1984 começaria com uma corrida marcante na carreira de Victor Steyer. A história dessa corrida, a temporada do Brasileiro de Marcas daquele ano e a participação dentro e fora das pistas de um dos melhores campeonatos de turismo que o Rio Grande do Sul já viu, vocês saberão agora. Acelera, Victor!

"Em 1984 comecei bem o ano, vencendo a prova preliminar da Fórmula 1 com um Escort XR3 preto com patrocínio da John Player Special, aliás todos os carros eram rigorosamente iguais. Foram 20 pilotos brasileiros escolhidos pela Ford. Foi muito legal participar de uma prova com todo o público da Fórmula 1 já no autódromo!!! A prova em sí não teve nada de especial, mas a vitória com um público presente de 50.000 pessoas me emocionou!!! Inesquecível descer aquele antigo retão do autódromo do Rio de Janeiro sentindo a energia daquela multidão sentada nas arquibancadas. Lembro que pensava o tempo todo: não posso errar...não posso errar...não posso errar...hehe. O belo troféu está na casa da minha mãe, bem cuidado!!!

A vitória me ajudou muito em minhas relações com a equipe oficial da Ford e a partir dalí o Cláudio Mueller já estava escalado para andar no Escort 84 comigo no Brasileiro de Marcas. O outro carro da Ford era pilotado por Tucano Barchi (ex-piloto de motociclismo) e Valdir Florenzo no carro numero 86.

Enfrentamos um ano difícil e com o maior número de pilotos já inscritos em um campeonato de marcas!!! Entre eles ex-pilotos de F1 como Emerson Fittipaldi, Wilson Fittipaldi, Ingo Hoffmann, Chico Serra, Alex Dias Ribeiro e Luiz Pereira Bueno. Outros famosos que participaram: Paulo Gomes, Francisco Lameirão, Jan Balder, Aloysio Andrade Filho, Lian Duarte, Irmãos Giaffone, Antonio Lucio Da Matta, Luiz Otavio Paternostro, Attila Sipos, Alencar Junior, Xandy Negrão, além dos famosos gaúchos: Leonel Friedrich, Anor Friedrich, Cezar Pegoraro, Renato Conil, Janjão Freire, Cristina Rosito, Pedro Grendene, etc. Em uma etapa de Interlagos alinharam 73 carros no grid...por aí dá para ter uma ideia do que era o Campeonato Brasileiro de Marcas de 1984!!! Foi uma batalha do início ao fim!!! Guerra declarada entre as fábricas!!! Ford, Volkswagem, General Motors e Fiat.

No final do ano ficamos em sexto lugar no campeonato, com a melhor colocação sendo um segundo lugar em Goiânia.

Em 1985 a Ford entregou ao Sr. Luiz Antonio Greco toda a equipe Motorsport e os pilotos Cláudio Mueller e Victor Steyer foram substituídos por Fabinho Greco e Lian Duarte, respectivamente filho e grande amigo do Greco. Terminava alí o grande feito dos gaúchos serem pilotos oficiais da montadora Ford. Naquele ano ainda participei de duas provas do Brasileiro de Marcas, uma em Goiânia em dupla com Renato Conill (chegamos em quarto lugar) e outra prova com um Gol de São Paulo, aquele vermelho do Sérgio Louzão na prova de Tarumã.

De volta à Porto Alegre, já que morei dois anos em São Paulo, iniciei juntamente com Beto Ody um campeonato de marcas chamado Regional de Turismo. Para agilizar o regulamento, copiamos o regulamento técnico do Brasileiro de Marcas de 1983 com pequenos ajustes e adaptações. O Beto ainda estava em fase de adaptação em corridas e eu fui contratado por ele para fazer dupla no Escort 27 patrocinado pela FILA e buscar posições na linha de frente. Foi um bom ano!!! Beto, além de meu patrão na Cia de Exportação, que ele comandava, me ajudava muito financeiramente nas corridas. Ao final do campeonato, se bem me lembro, ficamos em terceiro lugar."

As imagens abaixo mostram algumas passagens da carreira de Victor Steyer entre 1984 e 85, começando pela inesquecível prova preliminar da Fórmula 1, em Jacarepaguá. Caso alguém não lembre, foi naquele dia (25 de Março) que Ayrton Senna fez sua estreia na Fórmula 1. Na sequência, aparece o Escort #84 com o qual ele e Cláudio Mueller disputaram o Brasileiro de Marcas daquele ano. Mais abaixo um registro dos pilotos que participaram da primeira prova do Regional de Turismo, onde Victor competiu com o Escort #27 ao lado de Beto Ody. Por fim os carros do Brasileiro de Marcas de 85.









Fonte das imagens: arquivo Victor Steyer - fotos Vilsom Barbosa, Cláudio Mueller, revista Auto Esporte, jornal Esporte Motor e arquivo pessoal.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Flauta adiada

Como informado na última sexta, o sábado reservava um encontro épico entre a turma dos Jurássicos, num lugar e com uma programação mais do que apropriados para tal: no Velopark, com direito a uma andada nos Veloce, a exemplo do que aconteceu em Dezembro último.

A principal diferença em relação a Dezembro era a participação de boa parte do grupo, já que naquela oportunidade eram pouco mais de 10 os presentes.

Lá estiveram quase todos, como suas famílias, num clima muito bacana. Os dias que antecederam o encontro foram da mais pura tensão com todos os ansiosos pilotos contando as horas para se reencontrarem na pista. Denúncias de treinos secretos eram pratos cheios para a flauta pré-evento. Seria uma brincadeira, uma confraternização, mas o espirito competitivo daqueles grandes pilotos indicava que seria um sábado inesquecível. Haveria duas baterias, uma para os "tartarugas", onde este que vos escreve estava inscrito, e outra para os "botas", ambas sem disputa direta, o que contaria era o tempo de volta.

Tudo estava ótimo, todos chegaram no horário previsto, até o Jan Balder apareceu, os Veloce estavam prontos, o papo de box super animado, mas... pois é, mas São Pedro não quiz que aquele dia fosse perfeito.

Havia chovido torrencialmente na noite de sexta. O sábado amanhecera com tempo bem fechado, mas sem chuvas. Estaria a pista em condições de andar com os Veloce? Depois de alguns minutos resolveu-se fazer algumas voltas de reconhecimento com os carros de rua.

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O reconhecimento não foi nada animador. As retas estavam praticamente secas, mas as aproximações das curvas não. Tentou-se fazer várias passagens procurando por um trilho seco, sem sucesso. Todos aos boxes. Conversas e mais conversas e a expectativa só aumentando. Parecia o GP do Canadá deste ano. Foi aí que decidiu-se por colocar um Veloce na pista para um teste. O Victor Steyer foi escalado para tirar a prova dos nove. E lá foi ele. Todos atentos, de olho no comportamento do carrinho, mas... pois é, não parecia que seria desta vez. O Steyer até disse que andando sozinho talvez seria possível, mas vocês acham que aqueles feras iriam se contentar em andar longe um dos outros? Nem eu...


Foi aí que o Giordani teve de passar a decisão ao grande grupo. A andada teria de ser adiada. Parecia um bando de crianças sem recreio. Só nos restava buscar um conforto saboreando um bom churrasco.


A frustração foi substituída por momentos de grande alegria durante o almoço. Lá decidiu-se transferir a andada para Agosto. Assim, os Veloce permaneceram nos boxes e a flauta que certamente iria rolar depois da andada, especialmente quando tem-se no grupo o sempre inspirado Fernando Esbroglio, teve de ser adiada.


Confiram mais histórias do sábado lá no blog dos Jurássicos.

Fonte das imagens: blog Pilotos Jurássicos Gaúchos e arquivo pessoal.

Coisas de corrida

Continuando com a trajetória do Victor Steyer nas pistas, hoje voltamos a 1982, ano em que ele voltou às competições atráves do Campeonato Brasileiro de Corcel II, que era patrocinado pela Philco. Relatos bacanas sobre a aquisição do carro, o desenvolvimento dele durante o Brasileiro de Marcas do ano seguinte até a devolução do mesmo ao proprietário. Imperdível.

"Iniciei o ano procurando um carro Corcel II para participar do Campeonato Brasileiro. Já tinha o patrocínio garantido do Tênis Campeão Strassburger e da Transbrasil, todos conseguidos e repassados para mim pelo Antônio Gilberto Ody (que foi meu parceiro no Escort do Regional de Turismo em 1985).

Fiquei sabendo que o piloto Ervino Einsfeld havia adquirido um Corcel II novo, direto da fábrica, mas ele não estava a fim de encarar o Campeonato Brasileiro. Fui conversar com ele e fiz a seguinte proposta: dividiria com ele todos os prêmios que iria receber durante o ano de 82 e garantiria a devolução do carro ao final do ano com possibilidades de renovar para 83. Ele aceitou e nunca se arrependeu! Ganhou vários televisores Philco, rádio toca fitas Philco e sempre a metade do dinheiro dos prêmios de colocação do carro.

Foi um ano bom e que terminou com um Vice Campeonato!!! Teria sido campeão se na etapa de Guaporé não tivesse caído a tampa do respiro de óleo da caixa e acabando por engripar o câmbio. Quando aconteceu o fato eu estava na segunda colocação, exatamente os pontos que me fizeram falta no encerramento do ano ficando assim com o Vice. O Campeão foi o Olício dos Santos.

A Ford do Brasil nos apoiou e nos inscreveram no Brasileiro de Marcas de 83 com o carro que utilizei em 82 e com a promessa de no meio da temporada nos entregarem um Ford Escort novinho para seguirmos competindo pela marca. O aluguel com o Ervino já estava renovado, é claro. Eu e o Olício tínhamos o patrocínio da Fila e da revenda Ford Aeroporto de São Paulo, além de muito apoio em peças da Ford. Iniciamos com dificuldades frente aos carros menores e mais ágeis da Fiat e Volkswagem, mas mesmo assim lideramos durante 10 horas a prova 12 Horas de Goiânia!!! Só não ganhamos a prova por total ineficiência dos freios. Chegou a fundir as pinças no atrito com o disco, já sem pastilhas, que terminavam em pouco tempo. O Corcel andava muito bem, graças ao motor que o Horst Dierks preparava, mas perdia muito em curvas de alta e nas retomadas, mas naquela prova em especial ele andou muito!!! Consegui durante a madrugada inteira manter o Corcelzão na frente do Fiat do Nene Fornari. Mantivemos um duelo das 4 horas da manhã até às 6 e eles somente nos passaram quando já era dia claro e nossos problemas de freio começavam a nos torturar. No final andávamos praticamente sem freios, só ferro com ferro e aí começamos a cair nas colocações. Foi a partir daquela prova que a Ford tomou a iniciativa de equipar todos os carros Corcel, Belina, Del Rey e Pampa com freios ventilados, ou seja, o disco passou a ser mais largo e ventilado. Aprendizado das pistas para o usuário final...

Com o lançamento do Escort no meio do ano de 83, devolvemos o Corcel II para o Ervino Einsfeld revisado, polido e andando uma barbaridade!!! Não demorou dois meses e o Ervino vendeu o Corcel para um fanático de Caxias do Sul que montou o carro para andar na rua...hehehe. Aposentadoria feliz para o vitorioso Corcel!!!

Recebemos um Ford Escort novo em folha da Ford para adaptar para as corridas do Brasileiro de Marcas. O carro veio para Porto Alegre e com várias pessoas trabalhando nele, ficou pronto para participar das provas!!! O Horst continuou preparando os motores.

O Ford Escort preto #1 foi pole position em Tarumã naquele mesmo ano. Ainda em 83 a fábrica me convidou para ser piloto oficial da Ford já visando o Campeonato Brasileiro de Marcas de 1984. Foi neste período que convidei o Cláudio Mueller para ser meu parceiro na última prova do campeonato na pista de Interlagos, já com o carro oficial da Ford (um Escort azul e branco patrocinado pela Ford Motorsport, Motorcraft e Philco). Lideramos 70% desta prova e o terceiro piloto, Valdir Florenzo, bateu na curva 1 de Interlagos acabando com nossa festa!!! Coisas de corrida..."


Abaixo uma sequência de imagens mostrando o Corcel do Steyer durante provas de Interlagos e Tarumã do Torneio Corcel e depois o mesmo carro nas 12 Horas de Goiânia, já no Brasileiro de Marcas. Mais abaixo o Escort #1 com o qual Steyer fez a pole em Tarumã e o #86 que quase venceu em Interlagos, na última prova de 83.






Em breve a continuação dessa história.

Fonte das imagens: arquivo Victor Steyer, Marcelo Vieira, Olício dos Santos e revista Quatro Rodas.