sábado, 16 de agosto de 2008

Marcelo Aiquel

Me informou o Oscar Moreira que hoje, às 13:00, estará presente no programa Bate Roda da Band AM 640 o advogado e piloto Marcelo Aiquel, várias vezes campeão no Rallye. Olhando os arquivos, encontrei algumas imagens da carreira dele.


Em 1978 em dupla com Sílvio Klein.

Em 1979 em dupla com Alexandre Gutierrez.


Em 1980 em dupla com Carlos Farina.


Em 1986 no Campeonato Regional de Turismo em dupla com Ronaldo Nique.

Em 1993 no Gaúcho de Marcas em dupla com o carioca Andreas Mattheis.

Fonte das imagens: Clube Porto Alegre de Rallye, Anuário Fiat, revista Quatro Rodas e jornal Zero Hora.

Hot Car, 1982

Os blogueiros, mais uma vez, não decepcionaram e acertaram na mosca a resposta do último Desafio. Flávio Pilau no Passat #5 verde e branco (o Paulo Schutz lembrou bem) da Hot Car em 1982. Gostaria muito de poder fazer uma retrospectiva sobre esse piloto que considero mais um da minha lista de "botas", mas infelizmente tenho muito poucos registros sobre ele. Essa imagem da Hot Car é muito boa, vejam como ele vinha "pendurado" na 1 de Tarumã.

Bom, vou tentar então, lembrar um pouco como foi aquele campeonato de 82 da Hot Car, muito disputado e que teve o campeão conhecido apenas na última etapa em Guaporé.

Dia desses, quando publiquei uma imagem do Cláudio Ely no Fusca patrocinado pelo Tênis Campeão, comentei sobre a Turismo Especial Gaúcho (TEG) de 1981 e do que era esperado para o ano seguinte. A TEG estava enfraquecida e com o término do Torneio Passat, muito pilotos migraram para o regulamento da Hot-Car com a intenção de participar do campeonato brasileiro da categoria, assim os Passats e alguns poucos Gols se juntaram a alguns poucos Fuscas que ainda sobreviviam, liderados pelo incansável Arnaldo Fossá.

Alguns dos pilotos que lembro daquele ano e outros que achei algum registro foram:
Cezar Pegoraro - Passat - Cautol/ Predilar/ Mobil Super;
Sérgio Pegoraro - Passat - Cautol/ Predilar/ Mobil Super;
Anor Friedrich - Passat - Carro do Povo/ Ipiranga;
Pedro Grendene - Passat - Grendene;
Henrique Bertolucci - Passat - Grendene;
Aroldo Bauermann - Passat - Orloff/ Farol;
Cláudio Ely - Gol - Tênis Campeão;
Tadeu Matuzalém - Passat;
Arnaldo Fossá - Fusca;
Flávio Pilau - Passat - Ella;
Luis Marcelo Dias - Gol;
Roberto Schmitz - Passat - Pareci;
Vinetou Zambom - Fusca.

Alguém falou também que o Fernando Moser chegou a participar desse campeonato, no outro carro da equipe Ella, preparados pelo Luiz Tuning. Me lembro também do Fusca #21 patrocinado pela Transportadora Cruzeiro do Sul, mas nunca soube quem o pilotava.

Não me lembro ao certo quem foi o campeão. Mas sei que o título e o vice ficaram entre os irmãos Sérgio e Cezar Pegoraro, demonstrando o domínio dos carros preparados pelo Clóvis de Moraes.

Abaixo algumas imagens para relembrar aquele tempo:

Descida da Figueira em Tarumã, mostrando parte do grid de uma das provas daquele ano. Essa foi uma das primeiras imagens que publiquei aqui no Blog. Eu e minha família estávamos lá.

Disputa entre "Bocão" e Anor Friedrich no duelo entre as concessionárias VW Cautol e Carro do Povo.

Sérgio Pegoraro
Aroldo Bauermann
Pedro Grendene

Flávio Pilau

Fonte das imagens: arquivo Família Tróglio.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Registro Histórico

O Fernando Esbróglio, um dos feras no início dos anos 70, e que para minha alegria, visita este modesto Blog com frequência, me enviou três imagens de uma prova que ficará para sempre na memória dos automobilistas daquela época. Fala Fernando:

"Encontrei esta sequência de fotos que ilustram aquele dia triste para o automobilismo: 21 de Outubro de 1973. Na primeira foto, da primeira volta, aparece meu VW #1 liderando o pelotão. Um pouco à frente iam o Pedro Pereira e Ivan Iglésias com os Opala que não aparecem na foto. Podes ver que há vários outros competidores atrás de mim, destacando-se o Joel Echel no VW #36, também o Elcio Prolo no VW "saboneteira" #13. Na segunda foto, é a segunda volta, eu com o VW #1 e Joel Echel com o VW #36 já bem à frente dos demais, mas atrás do Pedro Pereira e Ivan Iglésias. Neste momento, estávamos, eu e "Joca" Echel, na subida dos boxes logo após a curva 9. Possivelmente neste instante, os Opalas de Pedro e Ivan estavam se chocando, o que naturalmente não aparece na foto pois estavam na nossa frente. Na terceira foto, na mesma volta, outro fotógrafo capturou o momento em que eu no VW #1 e o Joel com o VW #36 éramos os primeiros a passar pelo acidente fatal.

Eu vi o acidente em posição privilegiada, uns 50-100 metros atrás. Logo que passei por eles, num átimo de canto de olho, vi o fulgor da explosão mas não vi o fogaréu pois me concentrei em não atropelar o Afonso Iglésias (irmão do Ivan) que pulou o muro na minha frente. Alguém segurou-o.

Apenas como registro e para teus arquivos."


Eu e todos os fãs do automobilismo te agradecem, Fernando.

Fonte das imagens: arquivo Fernando Esbróglio.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Ganhou por um tapete!

Em 1978 "Janjão" Freire, com 30 anos de idade, já planejava parar com as corridas. Porém, exatamente na mesma época, a Fiat estava organizando um campeonato monomarca com o Fiat 147, primeiro carro da montadora italiana fabricado no país. Após a realização de uma prova experimental em Interlagos no final de 1977, um campeonato nacional, bem como vários campeonatos regionais foram disputados em 78, denominados como Divisão 1, Classe A.

A montadora investiu muito naquela categoria. Os pilotos podiam ir a uma revenda Fiat e comprar um carro pela metade do preço. A Fiat ajudava os pilotos e as equipes a conseguir patrocínio nas revendas de cada região. "Janjão" era um piloto já muito conhecido e foi procurado e indicado para integrar a equipe de uma das maiores revendas de Porto Alegre, a Jardim Itália.

A aposentadoria seria então adiada. "Janjão" comprou um dos primeiros Fiats que chegaram à Jardim Itália. A equipe, chefiada por "Neco" Schertel, teria dois carros preparados pelo "Gessy". O outro seria pilotado pelo pelotense Renato Conill que traria o patrocínio das famosas Casas Procópio da cidade de Pelotas.

O campeonato de 78 foi disputadíssimo e só foi definido, a favor de "Janjão", após seu término, no Tribunal de Justiça Desportiva, em Dezembro daquele ano. Tudo por causa de um tapete. Como assim? Leiam abaixo.

A quarta corrida do campeonato aconteceu no dia 3 de Setembro de 1978 em Tarumã. Além daquela, mais duas ainda tinham de ser disputadas para que se conhecesse o campeão. Walter Soldan e "Janjão" eram os pilotos mais destacados daquela competição. A corrida foi emocionante, disputada palmo a palmo entre os dois que haviam disparado dos demais pilotos que compunham o segundo pelotão, no caso: Renato Conill, Paulo Hoerlle, Luiz Carlos Ribas, Ernani Dieterich entre outros. Na última volta os dois entraram juntos no retão e a bandeirada foi por fotochart! Soldan venceu por 48 centésimos de segundo!

Embora frustrado, "Janjão" não tinha que o reclamar, a disputa foi dura, mas Soldan tinha o mérito. Alegria de um lado, tristeza de outro, "Janjão" foi cumprimentar o ganhador. Deu os parabéns ao adversário e voltou para os boxes da equipe para "curtir" a derrota.

Passou-se algum tempo e um "zum zum" correu o paddock. O "Magrão" teria protestado o carro #47, alegando que estaria fora do regulamento. "Janjão" ficou indignado: "como, o cara me ganha a corrida e ainda me protesta ?!? " Não tive dúvidas, fui lá e o protestei em represália. De raiva, protestei o carro todo. Resultado? Meu carro estava totalmente dentro do regulamento e o dele fora !!!! Constataram, inclusive, que o meu motor poderia ter sido mais trabalhado mas não foi por prudência do meu preparador, me contou o ex-piloto.

O que aconteceu com o carro do "Magrão"? O regulamento da Divisão 1 limitava muito a preparação dos carros, impedindo até a remoção do forro anti-ruído, item que fora removido do carro da equipe Glitz, o que, teoricamente, teria dado a Soldan vantagem na corrida, principalmente num resultado tão apertado como fora aquele.

Soldan entrou com um recurso contra sua desclassificação e o "caso" durou três meses, foi parar no Tribunal Desportivo em meio a debates, teorias, cálculos matemáticos, filosofias, vaidades, entrevistas, bate boca, muita divulgação, badalação, repercussão. Lendo com atenção os recortes dos jornais da época, que me foram enviados por "Janjão", foi possível encontrar o nome de Lazier Martins (hoje apresentador da RBS TV), como o relator do processo e o saudoso Paulo Rogério Amoretti, advogado de Walter Soldan. O Tribunal se reuniu no Touring Club de Porto Alegre às 21h do dia 12 de Dezembro, mas somente a 1h30min que se conheceu o resultado do julgamento. O recurso fora negado por quatro votos a dois e Antônio João Freire foi então oficialmente declarado o primeiro piloto a conquistar o título da categoria dos Fiats. no Rio Grande do Sul.

Abaixo algumas imagens do ano de estréia da categoria dos Fiats no Rio Grande do Sul.

Na sequência: "Janjão", Antônio Fornari e Paulo Hoerlle dividindo a curva 1 de Tarumã, depois "Janjão" e Conill. Mais abaixo Soldan sendo seguido de perto pelos dois carros da Procópio. Encerrando com uma do julgamento do caso que decidiu o título de 78.

Fonte das imagens: arquivo "Janjão" Freire.

Do baú

Recebi dia desses mais uma raridade encontrada no baú do Luiz Borgmann. É um folheto entregue no Tarumã, que além da relação de inscritos e o grid de largada da prova, traz uma tabela de velocidades. A idéia, creio eu, era mostrar ao público a velocidade média na qual os carros giravam. Com um cronômetro na mão, era colocar o tempo na tabela e ler a velocidade. Interessante.

Notei que no grid, os carros eram organizados por categoria. Da mais rápida para a mais lenta. E que mesmo se um Opala não tivesse marcado tempo, largaria na frente de um Fusca, por exemplo. Era isso mesmo, Luiz? Agora peço a ajuda dos mais antigos, pois esse folheto não tem data. Pelos carros e pilotos, parece início de 1971.


Valeu, Luiz!

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Experimentando a Divisão 4

Não acompanhei as provas da Divisão 4, pois foram disputadas no início dos anos 70. Sei que essa categoria motivou o desenvolvimento de vários protótipos nacionais e até alguns copiados de modelos estrangeiros como foi o caso do Avallone, uma réplica do McLaren (se não estou enganado) que participava das competições Can-Am na mesma época.

E foi embalado por essa febre que o "Janjão" resolveu acelerar uma daquelas encrencas na etapa de abertura do campeonato brasileiro de 1972 em Tarumã. Com o patrocínio da Heuser (Decoração de Interiores) alugou o protótipo Jamaro, construído por Jairo Amaro de Oliveira, do Rio de Janeiro, antigo construtor dos Fórmulas V. O protótipo do carioca tinha motor Crysler V8 de 2400 cc e pesava apenas 400 kg. Não era muito bonito, mas era muito bem acabado e podia receber uma boa variedade de motorizações.

Jairo tinha a intenção de vender o carro aos pilotos gaúchos e "Janjão", dependendo da atuação do protótipo, disse que poderia comprá-lo. Disse ele aos jornais da época: a prova de Domingo será mais uma experiência em minha carreira (na época, ele corria com o Luiz Gustavo Tarragô no Fusca #14 nas provas do gaúcho de Turismo), mas só largarei para a corrida se obtiver um bom tempo na classificação.

O carro teve a preparação do Gilberto Toffolli Culau, o "Gessy". De acordo com "Janjão" seus maiores adversários seriam os protótipos de Curitiba, os Manta com motor VW e o Chevrolet, de Brasília.

Pesquisando na web, encontrei no site do amigo Carlos de Paula o resultado da corrida, disputada em duas baterias de trinta minutos, realizada no dia 07 de Maio daquele ano.

1º - Antonio Carlos Avallone - Avallone-Crysler - 5200 cc
2º - Maurício Chulan - Heve P-5 Volks - 1900 cc
3º - Newton Pereira - Newcar-Volks
4º - Marinho Antunes - AC-Volks - 1700 cc
5º - Arthur Bragantini - Puma GT
6º - Roberto D'Avila - Puma GT
7º - Luiz Moura Brito - Manta-Volks
8º - Pedro Muffato - Puma GT
9º - Luiz Estêvão Oliveira - Protótipo OK Chevrolet - 2500 cc
10º - Waldeban Ribeiro - Amato-Chevrolet - 2500 cc
NT - Benjamin Rangel - Heve P-5 Volks - 1900 cc
NT - Paulo Nascimento - Puma GT
NT - Sergio Benoni Sandri - Manta-Volks - 2000 cc
NT - Antônio Freire - Jamaro-Crysler - 2400 cc
NT - Ricardo Valente - Manta-Alfa Romeo - 2150 cc

Abaixo a tão aguardada imagem do protótipo carioca, publicada no jornal Zero Hora na véspera da prova.

Essa é uma das surpresas que fui descobrindo ao longo desse contato com o grande piloto.

Fonte da imagem: arquivo "Janjão" Freire.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

500 km da Fronteira

Não tenho como seguir à risca a cronologia dos fatos sobre a carreira do "Janjão" Freire. Isso porque ele me passou muitas novas informações nesses últimos dias e não quero que vocês percam nenhum detalhe. Também não quero correr o risco de deixar alguma coisa para o final e acabar esquecendo. Sendo assim, hoje voltamos um pouco no tempo, ainda em 1974 para uma prova na cidade uruguaia de Rivera, pista que era visitada com frequência pelos pilotos gaúchos na década de 70. Procurando no Google Earth achei essa imagem aí, que acredito ser o autódromo Eduardo Cabrera mostrando os dois traçados (curto e longo). Quem puder, me confirme se é mesmo ele.

Pois bem, em Dezembro de 1974 "Janjão" já se preparava para a Fórmula Super V, mas fora convencido por seu preparador e amigo Carmelo Carlomagno a participar da prova festiva no Uruguai. Para tanto um motor de 1800 cc foi especialmente feito para aquela prova, já que não havia divisão de categorias.

Em seu depoimento ao jornal Folha da Tarde na véspera da prova o piloto demonstrava sua confiança: "com o motor de 1600 cilindradas que usei no campeonato gaúcho consegui a excelente marca de 1min20s2 em Tarumã. Agora com o motor de 1800 cilindradas que o Carmelo preparou, o carro está em condições de disputar com grandes possibilidades esta prova no Uruguai onde o preparo é livre."

Os desafios que seriam enfrentados começariam pela pista, estreita e em más condições. Me lembro que esses tempos o ex-piloto Luiz Mário Belezza, que corria por aquelas bandas, me disse que em uma determinada prova uma chicane foi feita passando pelo barro, imaginam?

Entre os pilotos locais se destacava Diego Fernandes, que corria com uma BMW patrocinado pela própria montadora e que protagonizara uma forte disputa com o Júlio Renner em 1973.

A prova foi disputada em quatro baterias. Alguns dos outros pilotos gaúchos na prova foram: Vitor Mottin, Aroldo Bauermann, Jorge Fleck, Arnaldo Fossá, Raffaele Rosito, Júlio Renner, Fernando Moser, Antônio Alceu Ribeiro, Viniton Silva, Júlio Tedesco entre outros.

Jorge Fleck foi o pole position da primeira prova num grid de 28 carros. Esta foi a mais emocionante em função das inúmeras ultrapassagens do Fusca #47 que largou na 17ª posição. Já na largada "Janjão" fez várias ultrapassagens, mas ao chegar à curva 1 travou as rodas e passou reto perdendo todas as colocações conquistadas. Enquanto isso, Júlio Tedesco com o Opala #17 da equipe Aldo Auto Capas liderava seguido de Vitor Mottin no Fusca #70 da Comauto. A três voltas do final "Janjão", em uma incrível recuperação, já corria em segundo, colado no Opala de Tedesco que logo depois teve problemas na bomba de gasolina e acabou cedendo o primeiro lugar para "Janjão". Fernando Moser foi o segundo colocado.

Na segunda bateria "Janjão" dominou sem ser ameaçado pelos demais concorrentes. Júlio Tedesco abandonou em definitivo no início da bateria com o diferencial quebrado. Jorge Fleck foi o segundo colocado.

A terceira bateria parecia uma repetição da segunda, mas ao faltarem dez voltas para o término, "Janjão" teve quebrado um carburador e teve de recolher aos boxes, não marcando pontos na bateria e dando a vitória a Jorge Fleck.

Na quarta e última bateria dos "500 km" um segundo lugar já daria a vitória no geral para o piloto do Fusca #47, mas ele não deu chance aos adversários e venceu novamente.

Na soma dos pontos o resultado foi o seguinte:
1º - Antônio João Freire - VW #47 - 28 pts;
2º - Jorge Fleck - VW #2 - 19 pts;
3º - Vitor Mottin/Aroldo Bauermann - VW #70 - 13 pts;
4º - Darci de Oliveira - VW #76 - 7 pts;
5º - João Sazick - VW #1 - 7 pts;
6º - Fernando Moser - VW #86 - 6 pts.

Abaixo duas imagens que registraram o momento:


Na primeira "Janjão" lidera o pelotão sendo pressionado pelo Opala de Tedesco e na última o piloto vencedor (à esquerda) conversa com o piloto Viniton Silva.

Fonte das imagens: arquivo "Janjão" Freire.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Muita história pra contar

Ao final de 1974, Antônio João Freire era um dos melhores pilotos gaúchos em atividade. Após acumular algumas vitórias na Divisão 3 e na Divisão 1, especialmente nas provas longas, o piloto encarou, meio na cara e na coragem, um novo e grande desafio em 1975: participar da Fórmula Super V, que era patrocinada pela Volkswagen. Ele seria o único piloto gaúcho a participar da categoria, em meio aos feras da época Nelson Piquet, Ingo Hoffmann, José Pedro Chateaubriand, Alfredo Guaraná Menezes, Franciso Lameirão, Marcos Troncon, Jan Balder, etc, em um grid de mais de 30 carros que percorria os principais autódromos do Brasil.

O patrocínio que tinha era muito aquém do mínimo necessário e mal pagava os pneus. As diferenças eram muitas entre a equipe dele e dos demais: enquanto ele chegava a Interlagos rebocando o Kaimann em um Chevette, com apenas dois jogos de pneus, alguns pilotos chegavam ao autódromo de helicóptero e as paredes dos boxes deles eram forradas de pneus, com uma grande variedade de opções de compostos de borracha. Era um outro nível de investimento e isso tudo desanimou o piloto que conseguiu permanecer na categoria apenas por um ano. Hoje vejo que foi uma grande loucura, disse. Mesmo assim ele fez corridas interessantes, andando na frente de muita gente boa, principalmente na chuva.

Em 1976 "Janjão" retornou para a Divisão 3, categoria na qual o investimento era muito menor, se comparado com a Super V. Além das vitórias, se diferenciou ao competir com uma Brasília, quando quase todos os outros pilotos competiam com Fuscas. A Brasília preta #47 da equipe 1120 virou uma lenda entre os automobilistas. Não há um aficcionado que, mesmo não a tendo visto em ação, não a conheça. O próprio "Janjão" me enviou algumas boas imagens feitas entre 1976 e 77, período no qual o piloto marcou o seu retorno à categoria. Agora uma pergunta: vocês sabem a origem dessa Brasília?

A resposta darei em instantes. Antes disso, precisamos voltar ao dia 22 de Setembro de 1974, durante uma etapa do Gaúcho de Divisão 3 em Tarumã. Já falei sobre esse episódio aqui, quando publiquei as histórias do Ricardo Trein. Naquele choque logo após a largada da prova, quatro carros ficaram destruídos: os Fuscas de "Janjão", Jorge Fleck, Trein e a Brasília de Rosito, a mesma que ao final de 1975 seria comprada (o que sobrou dela) pelo "Janjão" para construir a lendária Brasa #47! Essa eu não fazia nem idéia...

Ao final de 1977 e após um acidente que destruiu a Brasília em Interlagos, "Janjão" estava preparando sua despedida das pistas quando uma nova categoria surgiria em 1978 e o faria mudar seus planos. Em breve a continuação dessa história.

Abaixo uma série de lindas imagens da Fórmula Super V e também da inesquecível "Brasa".

Na sequência: duas da Fórmula Super V em Cascavel, 1975. Nesta prova ele chegou na 10ª posição. Depois uma série de imagens da Brasília iniciando com a imagem do acidente entre "Janjão" e Rosito em 1974. As próximas duas são de 1976 em Cascavel e em Tarumã, em uma disputa com o Fusca #70 do Vitor Mottin. Mais abaixo as de 1977, em Interlagos, onde também aparece a outra Brasília gaúcha, do Aroldo Bauermann e em Tarumã onde finalmente pude ver a imagem do Fusca do "Neco" Torres #11, a qual estou "à caça" há cerca de um ano. O "Janjão" sabia que eu estava procurando por esse carro e gentilmente procurou nos arquivos e me enviou.
Valeu, "Janjão"!

Fonte das imagens: arquivo "Janjão" Freire.

domingo, 10 de agosto de 2008

Desafio da Semana

Vejam esse Passat levantando a roda traseira na curva 1 de Tarumã! Quem era o piloto?

Mãos à obra! E um Feliz dia dos Pais!

sábado, 9 de agosto de 2008

Automobilismo como paixão e moda

Há duas semanas recebi uma mensagem de um cara, um ex-piloto, com algumas imagens anexadas. Ele recentemente ficou sabendo da existência desse espaço aqui por um amigo que mora em Nova York (Uau!!!). Dei uma olhada nas imagens, meio sem acreditar no que estava vendo. Respondi e logo depois, mais imagens. Incríveis, inéditas (para mim). Ele disse que a partir daquela ligação começou a ler o Blog desde o início e que não entendia como alguém poderia ser tão louco por coisas que sequer tinha visto, mas disse também que estava gostando muito de tudo isso.

As vezes sou tomado por uma ansiedade que atrapalha um pouco. Tinha a idéia de dividir na mesma hora com vocês tudo o que aquele baita "bota" tinha me enviado. Logo que respondi a primeira mensagem, perguntei a ele: "é verdade que tu correste também na Super V?" 20 minutos depois via, abobado, na tela do meu computador, aquela imagem que publiquei como sendo o último Desafio da Semana. Caramba!!! A resposta dos blogueiros foi imediata e certeira.

Era 1975.
Era um Kaimann.
Era em Cascavel.
Era o Antônio João Freire!

Desde então venho falando com o "Janjão", perguntado algumas coisas sobre a trajetória dele nas pistas, coisa e tal. Ele me falou que nem ele lembra ao certo quando iniciou no automobilismo. Lembra apenas que foi antes da inauguração do Tarumã, em uma prova em Florianópolis com chão batido, em dupla com o Moacir Rosemberg num "fuquinha". Coincidência: dia desses o Rogério Monteiro me disse que também participou da mesma prova em Floripa, as "4 Horas", que foram disputadas em 1969. "Janjão" e Rosemberg chegaram em segundo lugar na categoria.

"Janjão" se empolgou com essa história do Blog e lembrou de um tempo que, para ele, andava meio esquecido. De um tempo em que o automobilismo era paixão e moda. Vocês já imaginaram um carro de corridas passear por Porto Alegre, sem precisar da ajuda dos "azuizinhos" ou sem ser pego pelos mesmos? Pois isso acontecia na década de 70. Os mais "rodados" devem lembrar. "Janjão" lembrou por exemplo do Fernando Esbróglio passeando com o Fusca dele, com o capacete pendurado no Santo Antônio, descarga aberta, em frente ao Colégio Bom Conselho, na saída das aulas, ao meio dia. Fazia "o" sucesso, disse ele. As menininhas antes de se interessar por você, perguntavam se você tinha carro. Se corresse de carro então... e se fosse bom, nossa...

"Janjão" correu por quase quinze anos. Acumulou títulos, vices e muitas vitórias. Venceu e perdeu campeonatos por detalhes em uma época de muitas disputas nas pistas e fora delas. Passou pelo kart, Divisão 1, Divisão 3, Divisão 4, Fórmula Super V, Copa Fiat 147 e Brasileiro de Marcas e Pilotos. Além deste post pretendo publicar mais alguns nos próximos dias com imagens históricas e histórias que me foram contadas pelo próprio "bota".

As corridas apareceram na vida de "Janjão" por causa do pai. Quando jovem, os amigos dirigiam aos 16, 17 anos, o automobilismo era uma febre entre os jovens, mas o pai não permitia que ele fizesse o mesmo. Esperou para poder dirigir até os 18 anos, ensinado pelo próprio pai. Mas o "professor", enfurecido com as barbeiragens do aprendiz, dizia que ele nunca conseguiria dirigir. Tornar-se um piloto foi uma espécie de "vingança" contra o pai. O mais interessante nessa relação pai e filho é que mesmo não aprovando a participação nas corridas, a cada aparição de "Janjão" em uma matéria de jornal, o pai guardava tudo muito bem organizado em pastas que nesses últimos dias foram novamente manuseadas pelo ex-piloto. São cerca de 20, me disse ele. O automobilismo gaúcho, bem como uma enormidade de fãs, agradecem.

Conforme já registrei, o início da carreira foi em Florianópolis em 1969 e logo em seguida haveria uma prova de 500 km em Joaçaba, da qual saiu vencedor fazendo dupla com Régis Schuch. Entre outras provas naquele tempo, marcou presença na inauguração do Tarumã, competindo na Classe A com o Fusca #47, chegando em sétimo lugar. O #47 o acompanharia por quase toda a carreira e era raro vê-lo guiando algum carro próprio sem o tal #47. Um exemplo raro será visto mais abaixo.

A Divisão 3 foi o foco do piloto nos primeiros anos. Era a categoria mais badalada, que dava o maior retorno, algo como a Stock Car de hoje. "Janjão" corria patrocinado pela Rádio Continental 1120. Entre 1971 e 1974 disputou provas do Campeonato Gaúcho, Brasileiro e até algumas provas em Rivera, vencendo muitas delas. Ainda naquele período participou de uma etapa do Campeonato Brasileiro de Divisão 4 de 1972 em Tarumã com um protótipo Jamaro-Crysler (alguém sabe que carro era esse?). Nas provas longas teve como parceiros o Fernando Esbróglio, Luís Gustavo Tarragô de Oliveira ("Sapinho"), José Luiz De Marchi, Renato Conill, João Roberto Schimidt ("Schimitão"), Joaquim Fonseca, entre outros. Na prova de 500 km que venceu em Rivera (dividida em baterias) correu sozinho e saiu vencedor, mas vou falar mais dessa prova em breve.

Em 1975 "Janjão" partiria para uma categoria que foi a sensação do automobilismo brasileiro e um celeiro de novos talentos. Mas isso é assunto do post da próxima Segunda. Aguardem.

Abaixo uma série de boas imagens do início da carreira de "Janjão" até 1974.

Na sequência: no kart, em 1971 no #74 (#47 investido para não fugir muito à regra...), disputando posição com um grande rival (no kart #12) do tempo dos Fiats, que vocês certamente saberão quem é pelo tamanho do "guri". Mais abaixo várias de 1974 na Divisão 3 com o Fusca preto preparado pelo Carmelo Carlomagno em meio a disputas com Raffaele Rosito, Maurício Rosemberg, Cláudio Mello, entre outros. Depois os Mavericks, ainda em 1974, em uma prova da Divisão 1 no #47, depois no #91 quando venceu a Taça Souza Cruz, prova de seis horas em parceria com "Schimitão" e De Marchi. Encerro este post com a vitória com o mesmo carro, que pertencia ao "Schimitão", mas agora nas 12 Horas de Tarumã que teve ainda a participação do futuro parceiro na equipe Jardim Itália, Renato Conill.

Fonte das imagens: arquivo "Janjão" Freire, livro 12 Horas, arquivo Júlio Cordeiro.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Volta final

Voltando à retrospectiva dos Irmãos Tróglio, estamos agora em 1983, para a terceira temporada do Campeonato Gaúcho de Turismo 5000.

Mais uma vez os carros impecavelmente preparados pelo Jackson alinhavam em busca do tri-campeonato, já que os de 1981 e 82 haviam ficado com Edison Tróglio. Entretanto encontraram um adversário duro, o José Renato De Léo, com um Maverick preparado pelo baixinho Vilmar Azevedo, que acabaria por conquistar o título daquele ano.

Alguns dos pilotos que participaram do campeonato de 1983 foram:
#02 Esteban Modesto Romanello - Porto Alegre;
#03 Roland Koller - Vinagre Koller - Erechim;
#05 Paulo Schoenardie - Sabiá - Porto Alegre;
#07 José Renato de Léo - De Léo Competições - Porto Alegre;
#08 José Elói Pacheco - Madel - Novo Hamburgo;
#11 Javer Faggion Castro - Equipe Erechim - Erechim;
#12 Guatemi Altair dos Santos -Planauto - Gramado;
#13 Luiz Fernando Tróglio - Expresso Industrial - Esteio;
#14 Edison Tadeu Tróglio - Expresso Industrial - Esteio;
#15 Norbert Luckow Filho - Expresso Industrial - Esteio;
#20 Luiz Carlos Macedo - CTE - Porto Alegre;
#22 Heitor Jorge Elói - Metalúrgica NEF - Campo Bom;
#23 Leocardo Albino Baum - KF/Carinha - Novo Hamburgo;
#24 Cláudio Duarte - Carinha - Novo Hamburgo;
#33 Nerovi Oliveira - Chaveco - Alvorada;
#37 Fernando Bertoja - Gramadense - Gramado;
#47 Arizoli Carvalho Prado - Cosima;
#66 Rodyvan Moller - Gravataí.

Aquele seria o último ano dos Mavericks #13 e #14 nas pistas. Com o aumento dos custos de preparação dos carros, a ausência de retorno publicitário, a falta de patrocínio e a falta de público, os Irmãos Tróglio se desmotivaram e deixaram a categoria no final de 1983. Para o ano seguinte, Luiz Fernando chegou a fazer um teste com um Opala Stock Car em Interlagos, obtendo tempos competitivos. Ele até comprou o carro, que era do Fausto Nabur, mas o projeto não evoluiu. Edison também pretendia ingressar na Stock Car, alegando que era mais barato correr em São Paulo do que no Sul. Acabou comprando uma fazenda em Goiás e desde então mora lá.

Os Irmãos Tróglio marcaram época no automobilismo gaúcho. Foram os maiores incentivadores da categoria dos "Muscle Cars" que durou apenas quatro anos, mas que ainda hoje, 24 anos depois, é lembrada por muitos pelo ronco dos V8 rasgando as retas de Tarumã e Guaporé.

Por outro lado, 1983 marcaria a estréia da segunda geração dos Tróglio nas pistas. Júnior, filho do Luiz Fernando estreava no kart, mas isso é assunto para outro post.

Mais uma vez o meu muito obrigado ao Júnior que gentilmente emprestou todo esse material que acabou permitindo a todos relembrar desses grandes pilotos e desses grandes momentos do nosso automobilismo.

Valeu, Júnior!

Fonte das imagens: arquivo Família Tróglio.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Ops!

Eduardo Heinen e Paulo Bertolin se "encaram" na curva Luiz Caetano Antinolfi em Guaporé, 1990. Só não tenho certeza se essa curva já tinha sido batizada assim naquele ano.

Fonte da imagem: arquivo Luiz Fernando Silva.