domingo, 24 de agosto de 2008

Desafio da Semana

Vejam que maravilha de imagem. Quem é o piloto? E o ano? É sempre bom ver um Maverick por aqui.

Mãos à obra!

sábado, 23 de agosto de 2008

Luiz Fernando Tróglio Júnior

Há pouco estava olhando: já foram publicados quase 60 Desafios ao longo desse pouco mais de um ano de Blog!!! Quanta história já passou por aqui, não acham?

Bom, não foi difícil acertar o último, pois há poucos dias falávamos sobre os mais experientes dessa família de pilotos. Na ocasião, os Tróglio. Comentei que na mesma época que o pai e o tio penduravam os capacetes, o Júnior, na época com 9 anos, iniciava no kartismo, levando no seu kart o mesmo #13 utilizado por seu pai. Sua primeira prova foi no kartódromo de Passo Fundo no dia 23 de Janeiro de 1984.

Júnior competiu por quase 20 anos nas categorias Júnior, Quarta Menor, Fórmula Kart e Pró-400. Na mesma leva dos Mavericks, veio muito material do tempo dele no kart. Fiz uma difícil seleção (é ruim deixar alguma coisa de fora, mas fazer o quê...) e ao longo dos próximos dias pretendo mostrar pra vocês. Hoje começo com alguma entre 1986 e 1987.

Inauguração do Kartódromo dos Eucaliptos em 1986: da esquerda para a direita estão o Júnior (com seu pai logo atrás), Rogério Sffogia, Marcelo Ventre, Rodrigo Simões, William Segovia (de macacão azul) e Stephen Korting.


Outra de 86, agora em Tarumã. Rodrigo Simões no #11 e Tróglio Júnior no #13 logo atrás. De cronômetro no pescoço está o pai do Rodrigo, Vandernei Simões, ex-piloto de Fiats.


Fazendo pose para a fotografia enquanto o mecânico Celso Crespi fazia os últimos ajustes para mais uma prova naquele mesmo ano.

Encerrando esse post com uma no mesmo lugar onde tudo começou, Passo Fundo, agora em 1987, tendo ao seu lado o mecânico Valdemar Kurtz.

Em breve muito mais imagens do kart para vocês apreciarem.

Fonte das imagens: arquivo Família Tróglio.

Criador e criaturas

O convidado de hoje do programa Bate Roda, que vai ao ar às 13:00 na rádio Band AM 640, é o nosso querido piloto e construtor Luiz Fernando Cruz.

Vasculhando os arquivos, encontrei algumas imagens para que vocês tenham uma amostra da carreira dele. Isso é muito pouco, mas em breve publicarei uma retrospectiva sobre a trajetória vencedora desse, que foi um dos poucos pilotos gaúchos a conquistar um título internacional no automobilismo.

Abaixo três da Fórmula Ford em 1982, 84 e 85 e encerrando com uma das suas criações, o protótipo várias vezes campeão MCR, que tem exemplares em atividade inclusive no Velho Continente.

Não percam o programa, pois ele tem muitas histórias para contar.

Fonte das imagens: Folha da Tarde, jornal Esporte Motor, revista Quatro Rodas e mcrracecars.

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Let's go to Santa Cruz do Sul

Fim de semana chegando e com ele muita velocidade para todos os gostos. Domingo irei até Santa Cruz do Sul para conhecer o autódromo, já que estou devendo essa visita há algum tempo. Em jogo as etapas da Fórmula Classic e da Fórmula 1.6 que correm no Sábado. No Domingo, o Marcas, com seu grid enorme e colorido, é garantia de muitos pegas. Para completar tem também o Arrancadão de Caminhões, que sinceramente não me desperta o interesse, mas que tem levado muita gente aos autódromos por onde passa. É mais uma iniciativa que tem como objetivo a popularização do esporte a motor.

Para mais informações sobre as provas, acessem o site da APPA-RS.

Bom, Domingo nos vemos lá!

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

A Ferrari do Sul

Por causa da cor vermelha dos carros até 1980, a equipe Jardim Itália era conhecida como a "Ferrari do Sul", apelido carinhoso com que os aficcionados gaúchos destacavam seus pilotos. Acontece que o preto predominava no layout do principal patrocinador, as Forjas Taurus, o que causava uma certa polêmica. Aproveitando essa questão, a equipe decidiu, no início de 1981 realizar uma pesquisa através do Jornal do Comércio para que os leitores opinassem sobre suas preferência e concorressem a uma viagem com tudo pago para São Paulo para acompanhar a equipe. Isso devia ter o dedo do Laerte Kunzler...


Bom, em 1981 a equipe de "Janjão", agora com os belos e inesquecíveis carros pretos, tinha além dos pilotos ("Janjão" e Conill), a seguinte nominata: Laerte Antônio Kunzler como diretor geral, José Pedro Kunzler como diretor esportivo, José Ayrton Morganti Mitczuck como chefe da equipe, Clóvis de Moraes como responsável técnico e Natalício dos Santos e José Pozzebon como auxiliares.

Além do campeonato Gaúcho e Brasileiro, a Jardim Itália decidiu também participar do Paulista. O regulamento para aquele ano sofrera algumas alterações com o objetivo de melhorar a performance dos carros. Pesquisando nos arquivos encontrei alguns detalhes sobre o mesmo. Vejam:

CARBURAÇÃO: carburador tipo Solex H32-DIS, sendo livre a calibração interna, mantendo originais os diâmetros superiores de entrada e saída de ar do carburante. O difusor do carburador era de 23mm, original do Fiat 147 1050 cc. Era proibido retirar o afogador e seus componentes. O uso de filtro de ar era opcional, não sendo permitido utilizar a corneta do filtro ciclone sem a mangueira.

TRANSMISSÃO: original do Fiat 147 1300 cc com a seguinte relação de marchas: 1ª 4,090:1 - 45/11 dentes; 2ª 2,235:1 - 38/17 dentes; 3ª 1,454:1 - 32/22 dentes; 4ª 0,959:1 - 49/47 dentes. Diferencial curto 3,714:1 - 53/14 dentes ou 3,764:1 - 34/17 dentes. Não era permitido o uso de diferencial blocante ou de deslizamento imediato.

AMORTECEDORES: era permitida a retirada das capas dos amortecedores traseiros não podia haver nenhuma deformação da carcaça do amortecedor, assim como de seus suportes.

SUSPENSÃO: original do Fiat 147 1300 cc. Era permitido o rebaixamento das molas sem remoção de material. Podia ser colocada na parte superior do amortecedor dianteiro, no ponto original de fixação, um sistema para regular a posição da roda (camber). Era permitido entortar, esmerilhar, ou refurar a manga do eixo e também limar os amortecedores ou pontos de fixação na carroceria.

SISTEMA DE DIREÇÃO: original do Fiat 147 1300 cc. Era permitido apenas calçar o suporte da coluna de direção.

RODAS: de fabricação nacional, material e desenhos livres, com medida máxima de 53/4" x 13".

PNEUS: foi fornecido um adendo após os testes da Pirelli. Que eu saiba foi neste ano que os CN-36 foram substituídos pelos P7. Me corrijam se estiver errado.

CARROCERIA: era permitido substituir os faróis e as lanternas dianteiras e traseiras por chapas metálicas, retirar a luz de placa e seus suportes. Era obrigatório o uso de luz de advertência dos freios e lanternas traseiras.

PESO: 470 kg incluindo o arco de proteção de 6 pontos, todos os líquidos, menos carburante e extintor. Não era permitido lastro, podendo-se retirar estepe, porta-pacotes, ferramentas, protetor do motor, banco dianteiro direito, acento e encosto do banco traseiro.

SISTEMA DE VENTILAÇÃO E AQUECIMENTO: era permitido retirar o sistema de ventilação interno e tapar a grade do capô dianteiro.

Se em 1980 os acidentes foram muitos, 1981 ficou marcado com o ano das pancadarias generalizadas. Pelo menos é o que dizem os jornais e revistas da época. Em algumas ocasiões era possível ler na manchete da Segunda-feira após a prova. "Fulano vence Choque-car em Interlagos" ou Tarumã ou qualquer outro lugar. Os pilotos desafiavam as leis da Física, tentando fazer com que dois, três ou até quatro carros ocupassem o mesmo lugar no espaço. A nova frente "Europa" dos Fiat 147 denunciava os toques entre os carros. Era difícil ver um carro ao final da prova que não estivesse com a frente amassada. As brigas com a Milano duraram o ano inteiro, sem favoritismos, tanto é que Renato Conill foi o Campeão Paulista e Áttila Sipos venceu a gauchada no Tarumã na etapa do Brasileiro.

"Janjão" teve uma atuação destacada, mas as batidas acabaram prejudicando o piloto que levou o vice no Gaúcho, atrás de Conill, ficou em terceiro no Brasileiro (1º Áttila e 2º Conill) e acabou em quarto no Paulista empatado com José Coelho Romano (1º Conill, 2º Pater, 3º Negrão).

Ao final do ano, "Janjão" decidiu aceitar um convite, que fora feito alguns meses antes, para trabalhar na Taurus, seu patrocinador. O dono da empresa era louco por automóveis e gostava de assistir as corridas. Ele tinha um Alfa Romeu. O mecânico de "Janjão" era da Alfa Romeu... "São aquelas histórias que vão acontecendo na vida da gente", me disse ele.

A aposentadoria parecia definitiva, mas isso não durou muito. Vocês vão saber por que na próxima semana.

Abaixo mais uma bela seleção de imagens de 1981, mostrando o duelo entre Jardim Itália x Milano (e agregados).

Além dos pretos #47 de "Janjão" e #48 de Conill aparecem os carros da Milano, #34 de Áttila (que em uma prova foi pilotado pelo Luis André Ferreira), que depois voltou para o #64, o #24 do Marcelo Toldi, o #25 do Pater, o #27 do Romano, o #5 do Negrão e o #46 do Rogério dos Santos.

Fonte das imagens: Anuário Fiat, arquivo "Janjão" Freire.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Minha corrida inesquecível

Hoje passo a palavra - ou seria melhor dizer "passo o teclado" - ao próprio "Janjão" Freire que, acreditem, se empolgou com essa história do Blog e decidiu relembrar de um tempo que, para ele, já andava meio esquecido num canto de sua memória. Ele me enviou um ótimo relato e uma bela imagem que são também as respostas à uma pergunta que tenho certeza, muita gente gostaria de fazer. Mas afinal, qual foi a sua corrida inesquecível? Acelera, "Janjão"!

"A última prova do Campeonato Brasileiro de Fiat de 1980, em Interlagos, debaixo da maior chuva, foi, talvez, a prova que me deu a maior satisfação entre todas que disputei. Os envolvimentos pré prova já eram bastante emocionais, o campeonato finalizava, o Paternostro liderava e eu, para conquistá-lo, precisava vencer e torcer para que o mesmo não se classificasse entre os nove primeiros colocados. Isto já era quase impossível pela qualidade deste piloto e se tornava ainda mais distante pelo fato da sua equipe, a Milano, alinhar praticamente uma “ esquadrilha “ de carros brancos oficiais e alguns agregados paulistas, naturalmente mais simpáticos aos representantes da casa do que a “esses gaúchos metidos“. Fui, então, para São Paulo pensando em me despedir em grande estilo, percebendo que alguns sinais estavam sendo dados de que a Jardim Itália iria encerrar por ali a sua gloriosa participação nos campeonatos Fiat.

Marcamos a pole position no sábado, com três carros da Milano logo atrás (Áttila, Pater e Coelho), dois cariocas (Telmo Maia e Murilo Pilotto) e mais dois agregados da Milano, Hélio Matheus e Ana Lucia Walker, que colocara tempo em um bando de barbados. No domingo alinhamos com o mesmo acerto do sábado, torcendo que a chuva não viesse. Esta decisão se mostrou um erro. Pater sumiu na frente e eu lutei ferozmente para me manter na pista, já que o meu carro, com a suspensão dura, estava quase inguiável. Por sorte o Áttila se enredou nas telas de proteção da curva do Sargento (quanto a este fato, um detalhe curioso: quando a chuva começou forte antes da largada, o alemão, como era o seu estilo, veio no nosso box fazer um pouco de pressão: “agora é que vamos ver quem é piloto ou não. Vocês sabem: a chuva separa as homens das crianças“). Confesso que ao passar por ele naquela curva e vê-lo, todo atrapalhado e molhado, tentando desenredar o seu carro, debaixo daquele toró, quase parei para dar uma gozada nele. Ali estava um “adulto” em maus lençóis, enquanto as “crianças” continuavam brincando debaixo da chuva ... Mas, a situação estava tão preta que mandava a prudência deixar a gozação para depois e torcer que a primeira bateria acabasse logo. Cheguei em terceiro a nove segundos do Pater, o que representava uma enormidade em termos de tempo.

No intervalo de uma bateria para outra resolvemos fazer uma mudança radical na suspensão: trocamos os amortecedores por outros bem moles, as quatro rodas, que tinham um descentramento diferente do que as que todo mundo usava, foram substituídas, e diminuímos a pressão dos pneus pela metade. Enquanto estávamos ali naquele afã, correndo contra o tempo para colocar o carro em condições para a segunda bateria, recebemos a visitinha agradável do Pater e demais pilotos da Milano que, no mesmo tom do Áttila, vieram questionar o “chapéu” que nós tínhamos levado na chuva. Não faltou dizer que na chuva os motores do Clóvis de Moraes e do Mario Rambo não tinham como nos ajudar. Na chuva era o piloto que fazia a diferença, blá, blá, blá, blá.

Saí para a segunda bateria com a moral muito baixa, mas a medida que ia fazendo a volta de alinhamento comecei a perceber que algo havia mudado: o carro estava grudado no chão, passava pelas grandes poças d'água como se estivesse no seco, nem parecia o mesmo da primeira bateria. Não era mais um Fiat, era um Galaxie! Cheguei no alinhamento com um sorriso no rosto. Quando o Clóvis e o Mário chegaram na linha da largada e perguntaram como estava o carro, eu lhes disse em alto e bom som: “vou ganhar a corrida, assistam!“. Não deu outra, enquanto os demais pilotos procuravam as partes externas da pista para fugir do acúmulo de água, eu passava por dentro das mesmas de pé embaixo e o carro nem mexia! Fui passando um a um, quando chegou na curva do Sol, só tinha o Pater na minha frente. Ele fez a curva pelo meio da pista, tentando aproveitar a parte mais seca da mesma e deixando a parte interna para mim, na expectativa que eu arriscasse e me desse mal. Meti por dentro, passei como se estivesse no seco e dei bye bye a ele (vejam na foto em anexo, o exato momento da ultrapassagem). Fui colocando mais de um segundo por volta nele, ele saiu do meu retrovisor, foi diminuindo de tamanho, curva a curva, até que eu não consegui mais vê-lo atrás de mim. Eu falava sozinho dentro do carro: “capricha, capricha, capricha “, “acelera, acelera, acelera “ , “a prova é tua“, “quem é criança?" “ACELERA !!!“. Foram 14 segundos que eu devolvi a ele, a prova estava ganha!

O prazer não acabou aí, valeu mais a nova visita deles ao nosso box e a pergunta que fizeram ao Clóvis: “o que tu fez com o carro do Janjão? Mágica? Conta!“. E o Clóvis: “tu sabes, na chuva o piloto...“ e encerrou com um sorrisinho maroto no rosto.

Perdi um campeonato cheio de incidentes e acidentes mas aquela faixa de campeão levou um carimbo gaúcho. Para sempre.

Um abraço,

Janjão

terça-feira, 19 de agosto de 2008

"Vamos triturar a Jardim Itália."

Essas eram as palavras do folclórico piloto paulista Attila Sipos, integrante da equipe Milano/Jack in the Box/Castrol antes da abertura do Campeonato Brasileiro de Fiat 147 de 1980. Attila e o seu companheiro de equipe, Luís Otávio Paternostro se tornariam os maiores rivais dos carros vermelhos da Jardim Itália, pois o campeão da temporada anterior, Walter Soldan, decidira se transferir para a categoria Divisão 3 com um Fiat 147 turbo.

Até a quarta etapa, de 11 previstas, "Janjão" Freire era o líder da competição nacional, mas uma sequência de problemas, iniciados na terceira etapa em Tarumã, acabou fazendo com que o piloto perdesse a chance de conquistar o título daquele ano. Mesmo assim foi novamente o vice-campeão, atrás de Paternostro.

Sobre essa etapa de Tarumã, disputada no dia 8 de Junho daquele ano, eu já falei aqui. Ficou marcada na memória de muitos como um dos mais espetaculares acidentes ocorridos na história do autódromo de Viamão. Eu já tinha lido muito a respeito, visto registros dos jornais da época, mas nunca tinha visto o vídeo daquele acontecimento, muito menos ao vivo, pois na época eu tinha pouco mais de três anos de idade.

Pois na última semana tive o prazer de fazer uma visita ao nosso ilustre personagem que me recebeu dizendo que tinha conseguido um material especial e que eu iria adorar ver. Em seguida colocou um DVD e apareceram as imagens da prova, transmissão feita pela TV2 Guaíba, que naquela época cobria quase todas as provas que passavam pelos autódromos gaúchos.

CARAMBA!!!!!

De cara o grid: Attila, Pater, "Janjão", Aroldo, Pilotto, Conill, "Castrinho", Fornari, Romano e Troncon, os dez primeiros mais outros tantos feras daquela época.

Quase não acreditei, mas ok, vamos lá, pois já vão largar. Dada a largada se formou um trem com cerca de dez carros. Incrível! Um colado no outro, mas logo em seguida os três primeiros se destacaram dos demais e começaram a travar um duelo impressionante que durou quase toda a primeira bateria. E eu perguntando ao "Janjão": é agora? É agora? Não era. Ele me disse que o vôo se deu na segunda bateria. Relaxei. Por poucos segundos. Attila teve um pneu furado no final caindo lá para trás, deixando os dois na briga pela ponta. Última curva, lá vem Pater e "Janjão" que saíra mais forte da 9 e parece que vai passar e vencer! Atenção! Pater não dá moleza! Ops, os carros se tocam! Ai ai ai.

Os pilotos conseguiram alinhar os carros e Pater, com a porta traseira aberta cruza a linha de chegada com "Janjão" em segundo. Ufa...

Ok, segunda bateria. Vai ser em instantes. Relax...

Largaram. Impressionante. Esses carros viravam 1min27 e alguma coisa, mas não deixavam por menos no quesito disputa. "Janjão" vinha na ponta, com Pater colado nele. Attila estava lá atrás, mas vinha na recuperação. Depois de umas quatro voltas, os três novamente estavam juntos. Cara, como o vácuo funcionava! Num piscar de olhos os dois Fiats da Milano de novo na ponta. Putz...

"Janjão" tentava voltar para a liderança, vindo por fora, por dentro, por cima, tentando de tudo e nada. Que caras mais "encardidos"!

A sua chance seria na curva 1, tentando usufruir do vácuo. 12ª volta. Lá vem eles. Ele se joga para dentro da 1. Pater vinha mais forte por fora e fecha a porta!

"Janjão" começa a perder a traseira! Opa, opa!!

O carro aponta em direção ao guard-rail, trava as rodas e...

...o resto todo mundo já sabe. Fiquei de boca aberta. E o protagonista daquele momento estava alí do meu lado. É mole? Que momento...

"Janjão" também teve problemas no Campeonato Gaúcho e acabou o campeonato apenas em quarto lugar, com o título ficando para Antônio Fornari, com Aroldo Bauermann em segundo e Conill em terceiro. Mesmo assim, foi o gaúcho que mais se destacou nacionalmente, vencendo o maior número de provas e certamente ocuparia o primeiro lugar num ranking de pilotos se esse existisse. Venceu três provas do campeonato nacional, mesmo número do campeão, fez quatro pole positions, uma a mais que o campeão. No regional, fez cinco poles de seis provas disputadas, mas venceu apenas uma delas. Em todas as dezoito provas disputadas esteve sempre na briga pela liderança e em apenas uma delas não provou o gosto de liderar um número expressivo de voltas.

Abaixo uma sequência de belas imagens que registraram os inesquecíveis duelos entre aqueles simpáticos carrinhos. Certa vez li que essas provas eram a alegria dos chapeadores (funileiros), pois emprego não faltava.

Amanhã a continuação da retrospectiva do Antônio João Barnewitz Freire nas pistas.

Fonte das imagens: Anuário Fiat, arquivo "Janjão" Freire, com imagens da TV2 Guaíba.

segunda-feira, 18 de agosto de 2008

Quase pronto

O entusiasmado Renato Pastro me lembrou que no último Domingo, 17 de Agosto fez 30 anos da largada do Rallye Vuelta a La America del Sud, prova com mais de 29 mil quilômetros de disputa e que em breve estará sendo retratada em um livro escrito pelos gaúchos participantes daquela aventura. A réplica mostrada aqui esses dias, e que está sendo preparada na Ulbra, está quase pronta. Vejam as imagens.


Me disse o Renato que os na época, os Fuscas dos gaúchos foram preparados pela própria Volkswagen do Brasil, na fábrica em São Bernardo do Campo. Existia uma divisão de preparação chamada ALA ZERO que era responsável pela parte das competições da fábrica. Pelo que ele sabe, o Sr. João Wilde foi o preparador destes motores lá na fábrica.

Valeu, Renato! Aguardo mais notícias.

Fonte das imagens: arquivo Renato Pastro.

Grenal nas pistas

Retomando as aventuras do Seu Freire nas pistas...

Para quem estava pensando em abandonar o automobilismo, um título ao final de 1978 foi uma baita injeção de ânimo para "Janjão".

Para 1979 a Confederação Brasileira de Automobilismo definiu que a Divisão 1, Classe A, passaria a se chamar Copa Fiat 147 e a revenda Jardim Itália bancou sozinha as primeiras provas da equipe de "Janjão" e Renato Conill na temporada. Lá pela metade do ano a equipe receberia o reforço da Mobil Super e da Taurus. Aquele ano seria muito movimentado com provas dos campeonatos Brasil-Sul (disputadas em Tarumã, Guaporé e Cascavel) e Brasileiro. Além dessas, a Jardim Itália participou também de algumas provas do Rio-São Paulo. Na chefia da equipe estava Laerte Kunzler e Mário Rambo liderava a equipe dos mecânicos. O campeoníssimo Clóvis de Moraes se juntaria ao grupo na metade da temporada, assumindo a preparação dos motores. Os novíssimos Fiat Rallye 1300 pesavam 700 kg e apresentavam muitas evoluções técnicas em relação ao ano anterior aumentando assim a importância dos preparadores e a possibilidade de desenvolvimento dos carros.

Antes do início da jornada de corridas, "Janjão" passou alguns dias na Europa atualizando seus conhecimentos sobre automobilismo, especialmente no que se referia à preparação dos motores Fiat, tendo conhecido inclusive a fábrica da Abarth, empresa responsável pele preparação dos carros de Rallye da montadora italiana.

Aquele ano ficou marcado, mais uma vez, pela intensa disputa entre "Janjão" da Jardim Itália e Walter Soldan da Glitz. A rivalidade entre os dois gaúchos e as duas equipes ultrapassou a fronteira do Rio Grande e pode ser vista também no Campeonato Brasileiro. Soldan levou a melhor e conquistou os dois títulos com "Janjão" sempre na cola, chegando ao vice em ambos. Em Interlagos, última etapa do Brasileiro, os dois tinham chances de vencer. A primeira bateria foi vencida pelo paulista Luís Otávio Paternostro, com "Janjão" em segundo e Soldan em quarto. Mas ao alinhar para a largada da segunda bateria, uma folha de eucalipto se alojou na passagem de combustível do carburador do carro #47, fazendo com que "Janjão" tivesse de parar no box após a largada, dando fim às chances do piloto da Jardim Itália levar o título.

Sobre essa rivalidade entre eles "Janjão" me falou: "quase nos matávamos nas provas, era uma rivalidade tipo Grenal, com torcida fanática para cada um dos lados. Disputávamos cada centímetro de pista e as vitórias eram por centésimos de segundo." Soldan completou: "a nossa rivalidade talvez esteja entre as cinco ou dez mais acirradas do automobilismo gaúcho. Foi alimentada pelo patrocínio de duas concessionárias Fiat, a Glitz (meu patrocinador) e a Jardim Itália, patrocinadora do "Janjão". Meu preparador da época era o italiano Giulio Groposo, meu amigo até hoje."

Abaixo as várias faces do carro #47 ao longo do ano e algumas amostras da rivalidade entre as equipes Jardim Itália e Glitz.


Fonte das imagens: Anuário Fiat e arquivo "Janjão" Freire.

domingo, 17 de agosto de 2008

Desafio da Semana

Já falei dele aqui. O registro foi feito em Passo Fundo, 1983. Vem várias de kart por aí.

Mãos à obra!