Por maiores que tenham sido os esforços para tornar a prova atraente, foi difícil entender que estávamos acompanhando mais uma 12 Horas de Tarumã.
Fosse nas horas que antecediam a largada, na narração do nosso querido "Perna", na própria largada, na quantidade de carros, na quantidade de público, não parecia uma 12 Horas.
12 Horas sempre foi sinônimo de largada à noite, com muitos carros, reta cheia de gente, show de fogos, adrenalina a mil.
Ao longo da prova conversei com inúmeras pessoas e o comentário era sempre esse, de que aquela parecia uma prova de Endurance, que tem duração de 2 ou 4 horas. Quando caiu a noite, ficou parecendo uma prova do Torneio de Verão, na época em que os protótipos também corriam.
Bom, mas vamos ao que aconteceu.
Chegando no autódromo, fiquei muito feliz de ver publicada a minha primeira participação no jornal PIT STOP, convite feito pelo Coordenador Editorial Roberto Muccillo. Escrevi uma coluna sobre as 12 Horas e lembrei da prova de 1992, em Guaporé. Acho que ficou bacana. Valeu, Beto!
Um rápido reconhecimento do terreno, indicou a reta dos boxes como local apropriado para montar o acampamento. Meu pai, irmão, sobrinho e dois tios acompanhavam a aventura e o churrasco em família no Tarumã se repetiu após quase 20 anos.
Levei meu sobrinho para ver os carros de perto nos boxes, já que era a primeira vez que ele vinha para uma prova no Tarumã. O barulho e a correria assustou um pouco o piá e quando perguntado qual o carro que ele mais tinha gostado, respondeu o #99.
A prova homenageava um dos maiores pilotos gaúchos de todos os tempos: Aristides Bertuol, de Bento Gonçalves. A família Bertuol estava presente com o filho Paulo e os netos Felipe e Aristides Bertuol Neto, que aceleraram o MXR #4, tradicional número que estava também estampado na Carretera e na réplica do Opala pertencentes a Aristides, ambos presentes lá para uma justa homenagem.



Dentre os carros que mais chamavam a atenção nos boxes, destaco dois: o MCR #46 que para essa prova vinha equipado com rodas de aro 18 polegadas, que deixou o carro com cara de estrangeiro e a Lamborghini #8, a mesma utilizada no campeonato nacional de GT3.


Passando em frente ao box dos Hoerlle, encontro o Paulo e o Alexandre, os mesmos que foram assunto aqui no blog dias atrás, conversando sobre os últimos detalhes antes da largada. Ano sim, ano também, o Paulo nos presenteia com sua participação nas 12 Horas, nunca dando sinais de que vai pendurar o capacete. Já falei para ele: quando isso for acontecer que ele anuncie antes, pois certamente receberá uma merecida homenagem de todos os automobilistas.

A previsão do tempo mostrava chuva para praticamente toda a prova, mas felizmente não choveu. Além disso, o sol não apareceu, ficando nublado até o final da tarde, o que evitou que a temperatura subisse muito.
A Fórmula Classic fez suas provas de encerramento, mas acabei não acompanhando em detalhes. O nosso amigo "Niltão" Amaral certamente vai contar no seu blog tudo que rolou entre os clássicos.
Os preparativos para a largada iniciaram às 11:30 da manhã. No grid apenas 25 carros dos 40 que eram esperados. A pole position, definida na última quinta feira, ficou com o MRX #10 do quinteto Pierre Ventura, João Cardoso Jr, Cristiano Almeida, Felipe Toledo e Juliano Moro que havia marcado o tempo de 1min00s252, a incrível média de 180 km/h.
Poucos minutos antes do meio dia foi visível o esforço do "Velho Perna" para transmitir as emoções da largada, mesmo não sendo à noite, mesmo a reta não estando lotada, mesmo sem a presença dos fogos e da "serpente luminosa". Foi nessa hora que percebi como é importante e querida a participação dele nessa prova. O "Perna" faz a diferença e apesar de tudo conseguiu emocionar quem acompanhava aquela largada.
Dada a largada, o segundo no grid, formado ao estilo Le Mans, era o MC Tubarão #5 do trio Geciel de Andrade, Bruno Justo e Eduardo Ventre que ficou parado, sendo ultrapassado por todos os demais participantes.


O MRX #10 e a Lamborghini #8 dominaram as primeiras voltas, num ritmo alucinante. Era bonito de ouvir o ronco das baratas rasgando a reta.
Mesmo na largada essa era a visão que se tinha da arquibancada na reta dos boxes. Não havia nem metade do público que habitualmente comparece naquele local.

Vale destacar o trabalho do amigo e expert Paulo Schutz no comando da prova. Baita responsabilidade, que o veterano tirou de letra. Abaixo ele aparece com a bandeira amarela em punho, durante a entrada do Safety Car, que se repetiu por várias vezes na prova.


Dos 25 carros que largaram muitos tiveram problemas logo nas primeiras horas. O #46 do quinteto João Sant'Anna, Vitor Genz, Fernando Poeta, Christian Castro e Carlos Kray, mesmo largando das últimas posições - não participou do treino classificatório - era um forte candidato à vitória, mas acabou quebrando quando liderava.
As quebras foram uma constante e era nítido que muitas equipes estavam poupando os equipamentos para a noite, quando a temperatura seria menor. Mesmo assim, apenas 11 carros concluíram a prova.


Se as 12 Horas foi "morna" pela já citada falta de atrativos, isso em nada tira o brilho e o mérito de uma equipe que deu um show nessa prova. A MC Competições, tradicional equipe de Campo Bom, venceu nas duas categorias. Na Protótipo, o Tubarão levou após a quebra do #10 a cerca de 30 minutos do final. Na Turismo o Volvo C30 do trio "Carlinhos" de Andrade, Fernando Justo e Ricardo Landi, teve uma atuação perfeita, vencendo na classe e chegando em quarto no geral.
Vale também destacar que o #99 do Paulo e Alexandre Hoerlle, mais o Matheus Castro, por pouco não venceu, já que chegou na mesma volta do Tubarão. O final foi de arrepiar.



Bom, a experiência das 12 Horas com largada durante o dia foi feita. Acredito que os dirigentes e patrocinadores farão uma boa avaliação dos pontos positivos e negativos e tomarão a decisão certa em relação à próxima edição. Espero que volte a ser como era antes. O "Velho Perna" certamente vai agradecer. E vocês?
Antes de encerrar vai um registro da família reunida que ao longo do dia "encheu os tubos" de carne, especialmente preparada pelo Seu Zé. Da esquerda para a direita: César (sobrinho), Giovanni (mano), Gerson (tio), José (pai) e este que vos escreve. Faltou o "Paulista" (tio Noel) no retrato.

Ao longo da semana publicarei as fotos de todos os carros com a respectiva colocação ao final da prova. Aguardem.
Valeu, turma! Até a próxima 12 Horas de Tarumã!
Fonte das imagens: arquivo Leandro e Giovanni Sanco.

































